Sofia Hoffmann: “A ausência de um público no estúdio obriga-nos a concentrar-nos mais ainda na forma como nos exprimimos musicalmente”

 

 

‘One Soul’ é o nome do novíssimo disco de Sofia Hoffmann que é editado, hoje, pela UGURU. Num registo que parte do jazz e aglomera outras influências musicais da artista, este é um disco produzido pela própria artista e com arranjos de Nuno Tavares.

 

 

Quando começou a pensar neste disco?

Comecei a pensar no disco quando o público que me vinha ver e ouvir nos concertos, me perguntava onde poderiam adquirir o mesmo, ou seja, no início de 2018.

Qual a principal mensagem que tenta transmitir?

As faixas do álbum contêm várias mensagens… mas a principal e a mais transversal de todas, talvez seja a mensagem do amor. Do amor próprio, e do amor ao próximo.

Quais foram os maiores desafios na gravação e produção do disco?

Tratando-se da minha primeira experiência em estúdio com originais meus, diria que o maior desafio foi o de seleccionar e interpretar da melhor forma cada um dos temas. A ausência de um público no estúdio obriga-nos a concentrar-nos mais ainda na forma como nos exprimimos musicalmente, o que nem sempre é pacífico, porque tendemos a ser mais perfeccionistas. (sorri)

Como pode definir, resumidamente, cada um dos temas que integram este trabalho?

EASY | o amor pode ser fácil

ONE LAST TIME | a saudade que alguém nos pode deixar

VAISAKHAN | todos temos a nossa “alma gémea”, e nunca acabaremos sozinhos! (receio da personagem que descrevo no tema)

REACH OUT | positivismo; puxar pelo nosso melhor quando estamos menos felizes

MANTRA | introspecção, apelo à inspiração e à criação. Tributo ao estilista Filipe Faísca

ONE SOUL | tomada de consciência a nível mais profundo; o culminar de uma fase de vida; gratidão & amor incondicional

FRIENDS | tenho os melhores amigos do mundo, para os quais escrevi e compus este tema. (sorri)

SOPHIE’S BLUES | não é tão divertido organizar uma noitada e ansiar pela mesma, e por toda a diversão que nos espera?

WE GOT IT ALL | expectativas e esperança em algo com o qual sonhamos… e que (por um ou outro motivo, e porque o universo sabe o que faz!) acaba por não acontecer.

 

 

 

A escolha de repertório foi difícil?

Em parte, foi, pois tenho alguns temas que já tinha composto no passado, e em simultâneo aos que fazem parte do álbum, mas acabou por prevalecer o inglês e a influência do jazz na selecção final.

É possível classificar este disco em termos de género musical?

É sempre possível classificá-lo no geral, e neste caso, foi incluído no género do jazz. No entanto, acaba por ser um disco com faixas que reflectem influências musicais distintas. Porém, a formação musical é a do jazz.

Quais os músicos que estiveram consigo neste disco?

Tratam-se de músicos de altíssimo nível no panorama nacional do jazz. O Nuno Tavares, que para além de ter tocado piano no mesmo, deu um contributo único a nível dos arranjos dos temas. O Nanã Sousa Dias nos saxofones, o Nuno Oliveira no contrabaixo, e o Joel Silva na bateria. Todos eles deram um cunho especial às faixas do álbum!

 

 

Assumir a produção do seu disco é uma forma de o tornar mais pessoal?

Sem dúvida. Foi um processo arriscado, mas procurei reunir algumas opiniões e comentários de quem realmente sabe durante o processo, e penso que o resultado reflicta acima de tudo simplicidade e genuinidade da minha personalidade musical nos últimos dois anos.

Qual a importância do Nuno Tavares neste disco, tendo em conta que é o responsável pelos arranjos?

O Nuno Tavares foi o primeiro músico de jazz com o qual desenvolvi um trabalho mais dedicado e mais direccionado para o repertório de standards de jazz que interpretei com o próprio durante 5 anos. O Nuno é não só um excelente compositor e músico que brilha quando sola, mas tem também o dom de acompanhar lado a lado os artistas com quem toca. Temos uma cumplicidade considerável em palco a nível musical – cumplicidade esta que me deu confiança para querer ir mais longe, para arriscar no improviso e finalmente, na criação (escrita e musical) de temas originais meus. Houve portanto uma partilha musical com o Nuno, que conseguiu captar as diferentes emoções dos temas, e “ornamentá-los” de acordo com as mesmas.

 

 

Como surge a UGURU neste seu percurso?

UGURU surgiu no seguimento de um encontro de vontades de trabalhar a minha música de uma forma mais estruturada, mais orientada e direccionada para a minha personalidade musical, através dos temas originais. É muito importante para um artista, ter um suporte a 360 graus, num meio tão diversificado e competitivo como o da música. Este suporte permite-nos ter mais tempo e espaço mental para nos dedicarmos ao essencial – a Música!

Em termos de espectáculos o que já pode ser anunciado?

Neste momento e tratando-se de um período de lançamento do álbum, ainda não existem datas confirmadas para espectáculos. No entanto, poderão ouvir-me ao vivo durante os próximos dias nas FNAC de Lisboa! (31 de Maio às 18:30 no Cascaishopping e às 21:30 no CC Colombo)

Qual a grande diferença e qualidade que este disco trará ao marcado musical?

Penso que a diferenciação principal deste álbum passa pelas influências musicais que o mesmo contém, e pela diversidade de mensagens e de temas abordados nos poemas que escrevi.

 

 

Quem é a Sofia Hoffmann e como tem sido este percurso?

A Sofia Hoffmann adora partilhar música através da sua voz, e das suas composições, precisamente porque sentiu o impacto extremamente positivo da música no seu percurso de vida profissional e pessoal… e pretende retribuir ao mundo o que recebeu, da mesma forma (através da música!). Tive um percurso profissional muito gratificante e variado (sobretudo porque desenvolvi uma carreira internacional e contactei com diversas culturas) ao qual dediquei muito de mim, da minha energia e do meu tempo. A Música sempre coexistiu com essa carreira profissional mas de uma forma mais discreta. Agora a vontade e necessidade que tenho é a de dar mais espaço à mesma, e de seguir a minha intuição e o meu coração.

Quais os seus objectivos na música?

Cantar, tocar e partilhar a (minha) música o mais possível!

Como analisa o actual mercado musical português?

Penso que presentemente, o mercado português se encontre bastante completo e repleto de bons artistas. Obviamente que o fado e o pop dominam a nível de géneros musicais, mas acredito que haja, cada vez mais, lugar para outros estilos de música, nomeadamente para música “jazzy” (i.e. com influência do jazz). O jazz puro e tradicional tem vindo a dar cartas com excelentes músicos que actuam regularmente no nosso país e também a nível internacional, e seria fantástico que chegasse a um público mais amplo. Porém, penso que seria necessário investir bastante mais na educação musical desde a escola primária, para que os adultos de amanhã consigam expandir os seus conhecimentos e a sua sensibilidade musical.

Onde e a partir de quando podem as pessoas adquirir os discos?

O álbum encontra-se disponível a partir de hoje nas lojas da Fnac em Portugal, e pode ser também adquirido nas plataformas digitais como o iTunes. Sugiro que oiçam os dois temas que a Smooth FM irá passar durante as próximas semanas. (sorri)

Em termos de redes sociais onde podem interagir consigo?

Através das minhas páginas de Facebook e de Instagram @sofiahoffmannofficial

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

Um convite a ouvirem e para receberem o que tenho para vos dizer e dar através da Música!

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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