Sons do Minho: “A música ligeira portuguesa e a música tradicional e/ou popular portuguesa são vistos como “parente menor” da música portuguesa”

 

 

 

 

‘Ao Vivo em Benfica’ é o novo CD-DVD dos Sons do Minho, que retratam assim, fisicamente, uma actuação de 2018 nos Santos Populares desta localidade lisboeta.

Os Sons do Minho têm-se afirmado com importante estandar-te da música tradicional e ligeira portuguesa, recuperando traições e prestando homenagem às raízes da música portuguesa.

Actualmente os Sons do Minho são constituídos por Pi d’Areosa, Jorge Salgueiro, Luís Pinheiro, Ricardo Fernandes, Rudá Lima, Paulo Freitas, Israel Grando e Paulo Martinez.

Pi d’Areosa e Jorge Salgueiro concederam entrevista ao Infocul, na qual abordaram este novo trabalho, o percurso, os objectivos, as redes sociais e o aumento de seguidores do projecto que, também, permite que os objectivos iniciais estejam já largamente ultrapassados.

 

 

O que teve este concerto em Benfica de diferente dos restantes?

Jorge Salgueiro: Em primeiro lugar, o facto de ter a gravação de DVD associada. É sempre uma responsabilidade acrescida. É um registo que fica para toda a vida. A gente desfruta do concerto com a mesma intensidade, mas há sempre um nervoso miudinho adicional. Foi, além disso, um concerto com um sabor especial por ser nos Santos Populares de Benfica. Uma festa na qual já tínhamos estado em 2017 e que em 2018 tivemos a honra de repetir.

 

Houve alguma preparação diferente para um espectáculo que sabiam que ia ser gravado em CD e DVD?

Pi d’Areosa: Pequenos pormenores, apenas. Não podemos personalizar muito a produção uma vez que a montagem de som e luz era residente e, nessa noite, partilhámos palco com a Raquel Tavares. A nossa equipa de filmagem já tinha ido assistir aos nossos 2 concertos ao vivo anteriores para se inteirar do repertório e dinâmica do concerto. Sendo que o concerto foi o da Tour 2018/2019, já tinham o guião de filmagens previamente definido.

 

 

Há mais pressão ou motivação, nestas situações?

Jorge Salgueiro: Tal como referi anteriormente, há um nervoso miudinho até subir a palco. Assim que se pisa o palco, o nervosismo dá lugar à motivação e ao orgulho. Aí, é desfrutar e ser feliz! 

 

Sentem que Os Sons do Minho conseguiram recuperar a importância da música tradicional e popular portuguesa?

Pi d’Areosa: Sentimos que as pessoas os respeitam e acarinham muito. Acima de tudo isso. E acreditamos que isso acontece, muito provavelmente, por o nosso trabalho ser dedicado, leal e responsável. Essas são as nossas principais diretrizes de trabalho. Isso conjugado com o amor à arte tem resultado nesta receita de relativo sucesso.

 

 

Quando criaram o projecto quais eram os objectivos?

Jorge Salgueiro: Acima de tudo era conjugar esforços e ideologias que eu e o Pi tínhamos delineado conjuntamente com os elementos que estão connosco desde a fundação do grupo (Setembro de 2009). Tínhamos como objectivo conceber e apresentar um projecto musical que dignificasse a música portuguesa e a nossa tradição. Temos conseguido, no nosso entender.

 

 

Presumo, então, que as expectativas iniciais tenham sido já largamente ultrapassadas. Quais os próximos objectivos?

Pi d’Areosa: Sim, em larga escala! Até porque a proposta e a formação musical actual são distantes das da altura da fundação. No entanto, nestes quase 10 anos de carreira, o trabalho tem sido cada vez mais. Depreendemos que as alterações que têm sido feitas têm feito sentido. O nosso principal objectivo (e que nos acompanha desde início) é continuar a trabalhar afincadamente correspondendo às expectativas de todos os fãs e seguidores.

 

 

Como tem decorrido as vossas Desgarradas que contam sempre com muitos e distintos convidados?

Jorge Salgueiro: Têm sido um sucesso. A rubrica digital “Tertúlia à Desgarrada” alavancou ainda mais a marca Sons do Minho e ajudou a solidificar a nossa posição no mercado enquanto cantadores ao desafio. Tem sido um projecto paralelo extremamente desafiante, com resultados positivos com que nunca sonhámos e tem-nos permitido conhecer melhor e ganhar afinidade com nomes maiores da música portuguesa.

 

 

Para quem nunca assistiu às vossas desgarradas, como as descrevem e onde pode o público ver?

Pi d’Areosa: Têm os ingredientes obrigatórios da essência desta tradição do repentismo e da poesia popular: perspicácia, audácia e alguma brejeirice e segundo sentido. Só assim faz sentido. É esse tom jucoso que cativa o público e o faz gargalhar. Hoje em dia, com as redes sociais e plataformas digitais, chegamos a toda a gente à distância de um click. Todas as nossas desgarradas e os episódios da “Tertúlia à Desgarrada” estão no nosso canal de YouTube. Todos os nossos discos têm uma desgarrada ao vivo, pelo menos. Assistir ao nosso espectáculo ao vivo é também ter a certeza de que se vai ouvir uma boa desgarrada!

 

 

Qual o convidado que gostavam de ter, e ainda não tenha sido possível, nas Desgarradas?

Jorge Salgueiro: Muitos, infelizmente. Já fizemos o convite a bastantes nomes dos ditos “de primeira linha”. Nenhum deles aceitou. Admitimos-lo sem qualquer tipo de problema porque temos consciência que no nosso país, infelizmente, a música ligeira portuguesa e a música tradicional e/ou popular portuguesa são vistos como “parente menor” da música portuguesa. Embora nos entristeça, respeitamos naturalmente a posição de cada um. Por outro lado, outros artistas que inicialmente não estavam tão predispostos a participar na nossa “Tertúlia à Desgarrada” e que depois acabaram por o fazer saíram de lá agradavelmente surpreendidos. Orgulhamo-nos disso!

 

 

Qual a importância deste disco?

Pi d’Areosa: Urgia a necessidade de termos um DVD ao vivo que retratasse de forma fidedigna a proposta musical actual do Sons do Minho. O nosso DVD anterior havia sido gravado em Viana do Castelo em 2014 e editado em 2015. Os músicos já não são os mesmos, o leque de instrumentos que actualmente utilizamos já sofreu alterações, o repertório e a indumentária evoluíram muito. Era importante renovar o nosso registo áudio e visual.

 

 

É um cartão de visita para quem nunca esteve num espectáculo vosso?

Jorge Salgueiro: É segundo melhor cartão de visita que podemos ter. Porque o melhor cartão de visita é mesmo vir assistir a um concerto nosso. (sorri)

 

 

Como está a agenda para 2019?

Pi d’Areosa: Felizmente muito composta. Desde o nosso ano de fundação (2010) que conseguimos sempre superar, de ano para ano, o número de concertos. É fácil de depreender que 2018 tenha sido o nosso melhor ano até então. No entanto, felizmente podemos dizer que o ano de 2019 vai superar o ano de 2018. É sinal que a nossa proposta terá o seu quê de certo!

 

 

Para quem vos tenta associar à ‘música pimba’, qual a mensagem que deixam e como reagem?

Jorge Salgueiro: Não sentimos, de todo, que a nossa proposta musical seja “música pimba”. Estamos muito cientes e confiantes disso e acho que isso é o mais importante. Estarmos bem definidos musicalmente e saber bem em que mercado musical nos queremos enquadrar, é fundamental. Na verdade, acho que não há uma definição precisa e concreta do termo “pimba”. Acho que o “pimba” tem tanto de pejorativo como de relativo. As pessoas apelidam de música “pimba” aquele tipo ou género de música com a qual não se identificam ou em que não revêm critérios de qualidade musical e/ou de composição letrista. No entanto, os gostos são relativos e os critérios de qualidade que satisfazem o público consumidor também o são. Se assim é, acho que cada um de nós, enquanto consumidor, tem músicas que nos nossos critérios de qualidade e selecção são mais “pimba” que outras. Curiosamente não me lembro de termos sido apelidados de um grupo de “música pimba”. No entanto, se as pessoas gostarem de nós, achando que somos “pimba”, pois então que sejamos no entender delas. O apelido que nos dão não é o mais relevante. As pessoas gostarem de nós, identificarem-se com o nosso trabalho e nós estarmos confortáveis com o que fazemos é o que está, para nós, em primeira linha.

 

 

Qual a mensagem para os leitores do Infocul?

Pi d’Areosa: Àqueles que já nos conhecem, deixar uma palavra de agradecimento por acompanharem o nosso trabalho e por nos divulgarem e promoverem. Àqueles que têm o primeiro contacto connosco através do Infocul, sejam bem-vindos à família Sons do Minho e esperamos que se sintam bem na nossa companhia. Esperamos por todos, sem excepção nos nossos concertos ao vivo por todo o país, no acompanhamento das nossas Tertúlias à Desgarrada em directo no facebook e no Youtube, nos programas de Rádio e de TV. O último agradecimento, mas não de menor importância, vai para o Infocul por este espaço que nos concede para que possamos promover o nosso trabalho e até mesmo deixar algumas inconfidências! Bem hajam!

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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