O Infocul.pt , acompanhou em 2019 muitas corridas de touros em Portugal, e por esse mesmo motivo, este ano, apresenta aqueles que considera os destaques. Esta é uma escolha da total responsabilidade de Rui Lavrador, director do Infocul.pt.

Cavaleiros:

António Ribeiro Telles: É, provavelmente, dos artistas mais interessantes desta área. Alia o classicismo a um tremendo conhecimento sobre o touro e o cavalo. Lida como poucos, toureia com um conceito e concepção que partindo do clássico e da tradição acaba por ser intemporal. No futuro será recordado como vanguardista, por estar à frente do seu tempo. Dos cavaleiros da sua geração é , de muito longe, o melhor na actualidade. E tem vindo a melhorar de ano para ano. À competência que lhe era, e é, reconhecida, adicionou nos últimos anos um gancho com o público que o beneficia em termos morais. É, por isto, um dos triunfadores da temporada e foi premiado com o Galardão Prestígio por parte do Campo Pequeno. De frente e cravando de alto a baixo e ao estribo, tão simples quanto belo, assim como o toureio de Telles.

Marcos Bastinhas: Num ano particularmente duro, pela morte do seu pai a 31 de Dezembro de 2018, Marcos triunfou fortemente. Tem uma quadra de cavalos belíssima e bem trabalhada e a sua concepção artística baseia-se em técnica. Este ano esteve mais efusivo e emocional e isso retirou brilho em algumas corridas, porque a parte técnica não foi tão potenciada. É um cavaleiro com vastos recursos. Uma temporada de muito mérito. É, assumidamente, a minha escolha mais emocional, porque tornei-me aficionado devido à grande admiração que o meu avô materno tinha por Joaquim Bastinhas. E o nome Bastinhas fez, e continua a fazer, parte do meu percurso enquanto cidadão…e aficionado.

Francisco Palha: Gosto do que a arte dá sem que possamos tocar. Francisco Palha é um cavaleiro de risco e baseia o seu toureio nessa mesma característica. É dos poucos que valoriza a lide na cravagem dos ferros compridos e é a partir do momento em que pisa a arena que começa por desenhar a narrativa que pretende transmitir. Com toda a imprevisibilidade que enfrentar um touro bravo acarreta. Pisa terrenos que poucos se quer imaginam ser possíveis e coloca classe em todos os momentos em que intervém no espectáculo. É provavelmente o que melhor honra a simbologia da casaca que veste. Não teve uma época brilhante, irregular até, mas continua a proporcionar o que poucos conseguem.

Luís Rouxinol Jr. : Apenas com 2 anos de alternativa e já no pelotão da frente em termos de regularidade e qualidade. Se no primeiro ano usou e abusou do estilo do seu pai, Luís Rouxinol, neste segundo ano soube impor o seu próprio estilo. Apresentou um estilo de vários recursos e que soube adaptar aos diferentes tipos de encastes com que se enfrentou. Agradável surpresa esta temporada e espero que não deixe que os elogios o afastem do essencial: um caminho ascendente e meritório. Destaque na brega e entendimento dos oponentes.

João Moura Jr.: Estrondosa temporada. Fez uma viagem no tempo e recuperou uma sorte criada pelo seu pai, na década de 80, que intitulou de ‘Mourina’. A partir desse momento, e suportado numa sorte de forte impacto junto do público, galvanizou-se e desenhou temporada meritória. Entre o clássico e contemporâneo, a arte e a raça, a intuição e o conhecimento. Moura Jr. em grande no ano de 2019!

Miguel Moura: É o cavaleiro que há mais tempo merecia uma temporada assim. Em anos anteriores foi eterna promessa e o filho de João Moura. Nesta foi Miguel Moura e mostrou o que vale. E vale muito. Toureio frontal, a dar vantagem aos touros, com sabedoria na escolha dos terrenos e usando a linha Mourista como base mas dando o seu cunho pessoal. O menino está a crescer e Deus queira (para os crentes) que mantenha este crescimento, para passar a definitiva certeza ao invés de eterna promessa.

Matadores:

Nuno Casquinha: Indiscutivelmente é matador português em melhor forma na actualidade. Pese a, por vezes, excessiva soberba que exibe na arena, demonstra recursos para almejar outras patamares, nomeadamente em Espanha, a capital mundial do toureio. Temporada bem desenhada em arenas lusas, e um tremendo coração mesmo quando a sorte lhe virou costas. Casquinha tem tudo para triunfar, aconselhando-o a olhar mais para a arena e menos para a bancada.

Manuel Dias Gomes: Toureiro de fino recorte técnico. É prejudicado por não criar grande ‘gancho’ com o público e daí que os seus triunfos não sejam suficientemente valorizados pela imprensa (pouco) especializada.. No capote e na muleta é ele quem dita as regras, actualmente, em Portugal (dos toureiros ainda em actividade).

Forcados:

Grupo de Forcados Amadores de Lisboa: Celebraram 75 anos, esta temporada. Como se não bastasse, tiveram temporada muito meritória e valorizante de uma arte tão portuguesa, como é a de pegar touros. Se outros grupos poderiam ser aqui mencionados, destacarei apenas este por considerar que foi aquele com temporada melhor conseguida em termos de quantidade/qualidade.

Bandarilheiros:

Os bandarilheiros são, talvez, dos intervenientes de uma corrida de touros, os menos compreendidos. Convém que aliem técnica, conhecimento e arte a outros factores como descrição, eficácia e bom senso. Pelas características atrás descritas, nomearei três bandarilheiros como destaques: João Pedro ‘Açoriano’, Manuel dos Santos ‘Becas’ e António Ribeiro Telles Bastos.

Empresários/Gestores Tauromáquicos:

Rafael Vilhais: É o empresário (entenda-se, aquele que coloca o seu próprio dinheiro em risco na realização de um evento) que melhores cartéis tem colocado nas arenas nacionais. Alguns deles de fazer inveja a praças de primeira categoria.

Rui Bento Vasques: Uma temporada em Lisboa desenhada com prata lusitana, excepção a Cayetano, Pablo e Guillermo Hermoso de Mendoza. Os cartéis não foram os mais cintilantes, mas foram equilibrados e competitivos. Melhor esteve na temporada que desenhou para Almeirim e Nazaré. Continua a ser agente importante na festa, embora nem sempre entendido pelos demais.

De Caras Tauromaquia: A única empresa que trata todos os órgãos de comunicação social por igual. Trabalho muito meritório na Praça de Touros de Coruche, com cartéis ora competitivos ora a marcarem pelo arrojo…

Ricardo e Rui Levesinho: Moita e Vila Franca de Xira foram meios triunfos. ‘Dinâmicos’ foi o adjectivo que mais ouvi esta temporada sobre a dupla. Curiosamente foi o adjectivo que jamais utilizaria. Talvez ‘Esforçados…’. Competência sim, têm muita. Mas não foi uma temporada triunfal.

Ganadarias:

António Silva e Murteira Grave pelas qualidades apresentadas em termos de apresentação, trapio e comportamento.

Pela Negativa destaca-se, acima de muitos outros, a incompetência, inutilidade e ditadura de gosto da Prótoiro. Já se trocou de agência de comunicação, já se reagiu a tudo…mas não se fez nada. E a culpa é, imaginem, da imprensa…

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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