Teresa Siqueira: Uma vida cantada em fados, um auditório esgotado e ao rubro!

Teresa Siqueira

 

Teresa Siqueira trouxe um vendaval de fado e uma alma enorme, maior que o Auditório esgotado que a acolheu ontem no Centro Cultural de Belém, num espectáculo inserido no ciclo Há Fado no Cais.

 

 

Fadista tradicional tem até agora uma carreira e uma discografia de menor fulgor do que aquele que apresentou em palco no Centro Cultural de Belém, recolhendo a cada tema sonoros aplausos e alguns “vivas” vindos da plateia.

 

 

Canta fado há 30 anos, incentivada pelo seu avô que a colocava a cantar ao telefone para os amigos. Foi dona da Taverna do Embuçado onde conheceu nomes maiores do fado como Fontes Rocha, Beatriz da Conceição ou Hélder Moutinho, entre tantos e tantos outros. Foi também aqui neste local que a sua filha Carmo, conhecida artisticamente por Carminho, começou a cantar a apaixonar-se pelo fado, num percurso que a levou até ao patamar que hoje conhecemos.

 

 

No Centro Cultural de Belém, Teresa Siqueira foi acompanhada por Pedro de Castro na guitarra portuguesa, André Ramos na viola de fado e Marino de Freitas no baixo. Abriu o espectáculo com um medley de fados na melodia do fado Mouraria, onde pudemos disfrutar de “Malmequer Pequenino”, “Dois Corações” ou “Não posso cantar o fado”.

 

 

Numa plateia onde pontificavam alguns amigos, mas também simples admiradores (que ali ganharam o estatuto de amigos, segundo a fadista), Teresa Siqueira rapidamente arrebatou o público. Com uma voz bem colocada, uma intensidade correcta dada aos poemas, não exagerando no ataque e prolongamento das notas musicais, soube ao longo de todo o espectáculo manter uma actuação compacta, homogenia e com bastante vigor.

 

 

Sempre bastante comunicativa, recordou os tempos em que começou a frequentar as casas de fado a a lá cantar, destacando algumas em Cascais, onde ia com o seu namorado da altura, actual marido, e onde foi ganhando balanço nas cantorias de fado e conquistando a todos com a sua voz.

 

 

“Recado a Lisboa” foi o tema que se seguiu, numa letra em que são destacados os bairros mais históricos da capital portuguesa. A fadista continuou, depois a viagem pelos primeiros fados que cantou, antes de chamar a palco o primeiro convidado da noite, Rodrigo.

 

 

Rodrigo começou por interpretar um tema a solo, para depois num dos momentos da noite cantar com Teresa Siqueira o bem conhecido “Ardinita”, recordando tempos idos em que se cantava à desgarrada. Tempos em “que íamos aos fados para nos ouvirmos uns aos outros e ainda pagávamos porque eramos clientes e consumíamos” disse Rodrigo, não evitando uma gargalhada.

 

 

“Contradição”, um dos temas mais marcantes da sua carreira integrou também o repertorio de uma noite fria em Lisboa, mas bastante quente dentro do CCB, um calor fornecido pela alma e voz de Teresa Siqueira além do virtuosismo dos músicos como o demonstraram na habitual guitarrada.

 

 

De regresso ao palco, Teresa Siqueira continuou a espalhar magia e acima de tudo a cantar fado, sem truques nem malabarismos, fado na verdadeira acepção do género. “Marcha do Marceneiro”, “Júlia Florista” foram antecedendo a chegada da segunda convidada a palco. Aos primeiros acordes de “Senhora da Nazaré”, subiu a palco Carminho para cantar este  tema com a sua mãe. Os olhares eram intensos e transmitiam amor. A interpretação essa foi arrebatadora, terminando com apoteótico aplauso do público que pôde ainda ouvir Carminho cantar um fado a solo, demonstrando todas as qualidades que já lhe são reconhecidas.

 

 

Mas a noite era de Teresa Siqueira e assim continuou com “A Festa é de Lisboa” que antecedeu um encore no qual o público pediu mais fado a Teresa Siqueira que lhe fez a vontade. Terminou o espectáculo com “Mãos Abertas” perante uma plateia de pé!

 

 

Teresa Siqueira tem o fado na alma, na voz e em tudo o que a rodeia e quem a rodeia e os que gostam dela, anseiam quiçá por mais espectáculos como este e até um novo disco. Bravo!

 

 

Realce ainda para o trabalho de Marco Esteves e Hugo Coelho, tanto no jogo de luzes (sóbrio e adequado ao espectáculo e ao espaço), como no som, sem qualquer falha ou reparo a fazer.

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