O Cineteatro Capitólio recebeu esta quarta-feira, 3 de Abril, a jovem fadista Teresinha Landeiro em concerto, no qual aproveitou para apresentar o seu primeiro, e recente, disco, Namoro.

Em palco esteve acompanhada por Pedro de Castro (guitarra portuguesa), André Ramos (viola de fado) e Francisco Gaspar (baixo). Pontualmente contou com Ruca Rebordão, na bateria e percussão, em alguns temas.

Teresinha Landeiro é um dos nomes que merece acompanhamento por parte do público. Da nova, e interminável, vaga de jovens a cantar o fado, Teresinha tem características que a podem levar a um patamar distinto de entre os seus pares. Mas ainda não está nesse patamar. É jovem, irá evoluir, aprender, errar, e cantar. Cantar muito! E bem! Mas terá de fazer esse percurso sem pressa, sem pressão, sem deslumbramento.

Dos vários espectáculos em que já assisti Teresinha cantar, este foi aquele em que menos brilhou. Quiçá os nervos a tenham atraiçoado, mas notava-se nervosismo e isso reflectiu-se em algumas interpretações.

Teresinha pretendeu, e conseguiu, contar uma história de amor ao longo de todo o espectáculo. E conseguiu. O alinhamento foi bem escolhido, a dicção perfeita, a interacção com o público foi correcta e contou com um acompanhamento instrumental de elevada classe. Abriu bem com o Fado Perseguição, voltou a estar bem em ‘Raminhos de Violeta’, destacando-se ainda as interpretações de ‘Longe Demais’, ‘Gota Abandonada’ e ‘Noite de Santo António’ com que antecedeu encore.

Pelo meio algumas interpretações de qualidade mas não ao nível de Teresinha Landeiro. Outras em que poderia ter apostado em maior contenção, maior clareza na emoção dos poemas. Porque Teresinha sabe e consegue fazê-lo, com a maturidade de um adulto de vida longa, mesmo sendo apenas uma jovem. O caminho será longo e luminoso para Teresinha, bastará afastar a pressão e deixar a sua arte fluir.

Destaque ainda para três temas novos apresentados no Capitólio e que estarão em votação para o novo videoclip da artista. O primeiro ainda sem nome, o segundo ‘Vagas Paixões’ e o terceiro ‘Desculpa Amor’.

Teresinha Landeiro é um talento, e isto é factual. O futuro do fado a ela, também, pertence. O Capitólio não encheu, registando alguns lugares vazios.

 

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Alexandre Marques

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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