The Dirty Coal Train: “Um regresso aos longa durações mais crus, um apelo à percepção do quão fixe pode ser a simplicidade”

 

 

‘Primitive’ é o mais recente LP de Dirty Coal Train, edição a 31 de Maio, e também o fio condutor da entrevista da banda ao Infocul.

Este LP, gravado em formato trio e maioritariamente ao vivo no Brasil, é o resultado de uma digressões à América do Sul.

Neste disco trabalharam com Marky Wildstone e Luís Tissot. Numa gravação o mais natural possível, tem por única excepção o tema “Dead end street”. Há ainda “Ronda da noite” que é o primeiro tema em português.

 

 

Quando surgiu a ideia deste disco, maioritariamente com gravações ao vivo no Brasil?

Depois da primeira tour em que conhecemos o Luís Tissot com quem gravámos logo um single houve uma grande empatia entre todos e uma data de linguagens, gostos e metodologias comuns. Gravámos com ele os temas para o split LP com Mary O and the Pink Flamingos já a pensar na ideia de fazer um álbum. O “ao vivo” pode ser enganador: a metodologia de gravação foi maioritariamente com a banda a tocar em trio em estúdio captando os 3 instrumentos em directo e gravando as vozes posteriormente. É quase 99% ao vivo mas não é um “álbum ao vivo” da banda dentro daquele conceito de captar um concerto ou vários e editar!

 

Como surge a ligação a Marky Wildstone?

Tínhamos uma primeira tour no Brasil planeada ainda com a Helena (de Clementine e Vaiapraia) na bateria que infelizmente tivemos de cancelar. O Marky era uma das pessoas que estava a ajudar a organizar essa tournée. Um ano mais tarde ele voltou a contactar-nos para saber se nesse ano estaríamos interessados em fazer a tour ao que respondemos que sim mas que estávamos de momento sem baterista. Ele respondeu de imediato que gosta da banda e poderíamos enviar os temas para ele estudar e tocar connosco. A ideia pareceu-nos de loucos… dissemos que sim e conhecemos o Marky no Sabotage numa das datas europeias dos Dead Rocks (banda essencial da cena surf mundial onde Marky toca) no aniversário da Groovie Records e curiosamente também aniversário do Marky. Fizemos bolo, tocámos todos, comemos, bebemos e ficámos amigos desde então. Actualmente o Marky está em tour com The Mings, trio onde pontua também o Dead Elvis e que também recomendamos.

 

E qual a importância dele neste disco?

A maior parte dos temas são feitos a partir de demos nossas (Ricardo e Bea) mas é impossível um baterista não moldar os temas com o seu cunho pessoal e dar mais energia ao tocarmos todos juntos os temas de uma demo caseira. A importância foi muita! Também de salientar que desde a Helena que não tínhamos um disco em que a quase totalidade dos temas foi gravada com só um baterista.

 

 

Neste disco contam com o vosso primeiro tema composto em português. Qual a história deste tema e qual a importância de terem um tema em português?

O tema é o “ronda da noite” e surgiu naturalmente quando o Ricardo começou a rabiscar sobre esse campo comum da “necessidade de heróis” vs o ninguém querer ser mártir. Como o tema teve uma sombra da cena politica brasileira e todo o lado de noticias falsas e manipulação fez sentido escrever e cantar em português. Ricardo já havia escrito e interpretado em português pontualmente em Puny. Não sendo uma coisa natural também não foi de todo estranho. Nunca tivemos problemas com a língua: já gravámos em inglês, francês, espanhol e dialectos inventados! (sorri)

2019 terá mais novidades em termos discográficos?

Não queremos tirar destaque a este LP de que gostamos bastante e já temos plena consciência do quão cansativo possa ser o nosso ritmo de edição mesmo para quem gosta de nós e nos segue! (sorri) Por outro lado estamos sempre a compor e a gravar em casa….

Quais os temas do disco que não foram gravados ao vivo? E porquê?

Como referenciámos em cima foram ensaiados e gravados em take directo em estúdio (ou seja “ao vivo em estúdio”) com as vozes acrescentadas depois. O único em que isso não foi assim foi o “dead end street” porque o Ricardo quis fazer um tema para quebrar um pouco a sonoridade homogénea deste álbum (que depois do “portuguese freakshow” será ainda mais gritante essa volta de 180º). Temos noção que o som deste “Primitive” é menos variado embora tão “avariado” quanto os outros! haha E o “dead end street” foi a piscadela de olho à malta que pensa que agora vamos fazer garage punk e rock & roll mais cértinho e sem avarias. Não se iludam: não vamos! Vamos sempre avariar um pouco pelo meio!

Como definem este disco?

Um regresso aos longa durações mais crus, um apelo à percepção do quão fixe pode ser a simplicidade. De que, pelo menos para nós, uma coisa feita honestamente dá mil e uma vezes mais gozo que ver uma mega produção televisiva do novo show de caça-talentos.

Como definem, se possível, a vossa música?

Honesta. É isso! (risos) Fazemos “garage punk honesto” !

Em termos de espectáculos o que já podem revelar?

Chegámos hoje da tour Itália/França/Espanha. Temos datas em Viseu, Lisboa, Coimbra, Porto e mais umas que não podemos ainda revelar. Podem esperar a entrega do costume com rock suado e temas novos deste álbum no alinhamento.

 

 

Qual a mensagem que deixam aos leitores do Infocul?

Sejam curiosos e apoiem a cena local e as bandas novas. Aquela banda que enche o estádio ou a arena já foi a banda de malta a fazer as coisas só pelo gozo de as fazer e se calhar ainda encontram malta a tocar com mais garra no concerto da banda “amadora” que na malta a tocar no estádio!

Abraços, beijos e venham suar e beber um copo connosco!

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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