Bendito país que tem uma banda que faz o que The Gift fizeram na Aula Magna, em Lisboa, nesta quinta-feira.

A banda de Alcobaça, mas que Portugal abraça e no mundo plantou arte e explodiu em cores e emoções únicas, regressou à Aula Magna. Uma sala na qual deram um dos concertos mais emblemáticos de todo o percurso da banda. Há 20 anos. The Gift contam com 25 de percurso. E ontem não foi uma maratona de canções. Foi uma respirar de tudo o que de tanto e tão bom já produziram.

Que Sónia Tavares tem uma voz extraordinária era algo que La Palice não diria melhor. Que The Gift subiram a pulso também já todos sabemos. Mas que seriam capaz de tocar na estratosfera das emoções com aparente sensibilidade, isso nem todos saberiam. Mas as centenas de almas que ontem se uniram em Lisboa sabem e garantidamente gostaram.

Numa altura em que tudo é considerado top e brutal, The Gift foram contracorrente e fizeram tudo com tempo, cadência e ao ritmo de um coração saudável e que promete continuar a bombear qualidade e talento para a, por vezes mal tratada, música portuguesa.

O quarteto Sónia Tavares, Nuno Gonçalves, Miguel Ribeiro e John Gonçalves, que completam The Gift, estiveram em palco acompanhados de outros talentosos músicos como é o caso de Mário Barreiros ou Paulo Praça, e ao longo de duas horas foram construindo um momento de partilha ou, então apenas, a arte de conduzir um espectáculo ao ritmo de um percurso que deixará marcas na história da música portuguesa, devagar e bem feito.

O novo disco, ‘Verão’, sucedeu a um muito bem sucedido ‘Altar’ que, como Sónia referiu, foi cartão de visita em termos internacionais e permitiu ao grupo actuar em diversos países e em salas emblemáticas, além de toda a projecção obtida na media.

A digressão ‘Primavera/Verão’ junta o melhor de dois discos, mas Verão não é o seguimento do Primavera. Existe alguma ligação musical entre ambos e o facto destes dois discos terem surgido após outros dois com uma produção demorada e que resultaram em grande sucesso, Explode e Altar.

O concerto previamente agendado para as 21:30 começou perto das 22:00 mas isso não afectou nem incomodou nenhum dos espectadores ali presentes. Até porque ao longo de duas horas a banda esteve perto do Olimpo dos melómanos. Irrepreensíveis na postura, musicalmente, instrumentalmente e com Sónia Tavares a transformar tudo em aparente facilidade. The Gif souberam receber bem quem se juntou na ‘sala de estar’ e souberam criar um serão familiar, numa família que cresce a cada dia.

Num alinhamento em que a melancolia e tristeza entrelaçaram-se com a alegria e o êxtase, houve tempo para ‘Fácil de Entender’, ‘Primavera’, ‘Love Without Violins’, ‘Big Fish’ ou o mais recente ‘Verão’, entre tantos e tantos outros temas que agradaram sobremaneira à plateia. Destacar ainda a qualidade de som, o desenho de luz e a projecção vídeo e imagem.

20 anos de pois voltou a haver invasão, pacífica e festiva, de palco por parte de alguns fãs! 20 anos depois todos crescemos! 20 anos depois The Gift fizeram história na música portuguesa! Que daqui a 20 anos continuemos a ter esta sorte!

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