carminho e tiago bettencourt

 

 

As Festas do Mar tiveram, ao segundo dia, uma enchente para, pela primeira vez, ver Tiago Bettencourt & Carminho na partilha de um palco durante toda a integralidade de um concerto. Na primeira parte actuou Felipe Fontenelle.

 

 

 

Este domingo, 20 de Agosto, a fadista Carminho e Tiago Bettencourt honraram a variedade e qualidade da música portuguesa. Num alinhamento em que partilharam repertório das respectivas discografias, houve também momentos para cantarem temas um do outro individualmente e em dueto, acompanhados pelas respectivas bandas, que nesta noite foram uma só.

 

 

 

Mas antes do duo subir a palco, actuou Felipe Fontenelle, músico nascido em São Paulo mas que estudou no Hot Clube Portugal e que tem também ligações a Macau. E foi neste triângulo (Brasil, Macau e Portugal) que viajou em termos musicais. Com pouco público a assistir,  Felipe fez-se valer do excelente quinteto que o acompanhou, e também da sua qualidade vocal para proporcionar, aproximadamente, 45 minutos de boa música. Destaque para “Cascais”, um tema composto por si e em que recorda a adolescência nesta vila, a homenagem a Dominguinhos com “Gostoso demais”, um clássico da música popular brasileira, e ainda uma homenagem a Caetano Veloso, pelos seus 75 anos cumpridos recentemente, com a interpretação de “Você não me ensinou a te esquecer”. Uma actuação correcta mas com pouco brilho, pouca interacção com o público e sem grande história para memória futura.

felipe fontenelle

 

 

O grande destaque desta segunda noite de Festas do Mar 2017, era, e foi, o concerto de Tiago Bettencourt & Carminho. Individualmente dispensam apresentações e são do melhor que existe na música em Portugal. Mas como seria ter os dois no mesmo espectáculo? O que trariam em termos de repertório? Todas as dúvida foram sendo desfeitas ao longo de quase duas horas, com um alinhamento que mesclou temas de ambas as discografias, um ritmo e noção de espectáculo a galvanizar o público e uma boa disposição constante que passou para a assistência.

 

 

 

“Lágrimas do Céu” foi o auguro de uma noite abençoada e teve na voz de Carminho a abertura do espectáculo, começando logo aí o desenrolar de boas interpretações. Mas se Carminho esteve muito bem a abrir, Tiago Bettencourt trouxe logo de seguida um “Temporal” de bem cantar. Estas contrastantes tonalidades vocais e musicais criou um excelente elã a todo o espectáculo proporcionando ao público uma feliz viagem pelo melhor, ou pelo menos mais conhecidos, dos dois repertórios individuais.

 

 

 

Mas o grande segredo deste espectáculo resultou de os dois artistas serem um só em palco. “Carta”, “Ventura” e “Partimos a Pedra” trouxe três duetos consecutivos numa cumplicidade profissional que resulta do talento, mas também da cumplicidade existente fora do palco entre os dois artistas.

 

 

 

Mas este espectáculo tinha também alguns desafios para Bettencourt e Carminho, principalmente cantaram a solo temas um do outro, ou seja irem para um género musical que não é de todo o meio natural de cada um. “O Lugar”, de Tiago Bettencourt,  ganhou poder, sensibilidade e um glamour especial na voz de Carminho. Já Tiago Bettencourt mostrou ter asas, tal como uma “Andorinha”, para se aventurar na interpretação de fados. “Chuva no Mar” de Marisa Monte e Arnaldo Antunes fez sobressair a qualidade interpretativa da fadista que brilhou ainda mais no tema seguinte, “Malva Rosa”.

 

 

 

Tiago Bettencourt congrega uma linguagem corporal tímida e uma voz que desperta no ouvinte diferentes sensibilidades, sendo uma voz doce que consegue contudo mostrar alguma dureza caso o tema o peça. “Maria” foi dedicado à Maria do Carmo que consigo partilhou palco durante todo o espectáculo. Voltou a ser ‘fadista’ no “Fado Adeus”, antes de Carminho ir passear a’ “O Jardim”, com Tiago Bettencourt ao piano.

 

 

 

Mas este espectáculo viveu muito, também, dos músicos. Foram incrivelmente bons, mostrando toda a sua valia técnica, sensibilidade, virtuosismo e aqui e ali com alguns laivos de genialidade. João Hasselberg, Marino de Freitas, Flávio César Cardoso, Rúben Alves, Ivo Costa, João Lencastre, Vítor e Luis Guerreiro foram o sonho de qualquer intérprete vocal, souberam ser a rede para os voos de Tiago e Carminho.

 

 

 

“Se me deixasses ser”, “Meu Amor Marinheiro” (sem suporte instrumental por parte de Carminho e que soltou a maior ovação da noite em Cascais), “Jogo”, “Saia Rodada”, com um excelente solo dos dois bateristas que permitiu a passagem para “Canção de Engate” e “Escrevi teu nome no vento” antecederam o encore.

 

 

 

De regresso a palco interpretaram “Só nós dois”, um tema que cantaram em dueto no ano passado no Casino Estoril e que despoletou a possibilidade de estarem juntos em palco, “Disse-te Adeus” e Morena” encerraram uma noite de estreia e que deixou vontade de os ver juntos, em palco, mais vezes.

 

 

Fotografia de Carminho e Tiago Bettencourt: Margarida Castelo-Branco/Festas do Mar
Fotografia de Felipe Fontenelle: Jorge Martin/Festas do Mar

 

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