Tina Colaço edita disco ‘Silêncio’: “Um trabalho independente”

‘Silêncio’ é o novo trabalho discográfico de Tina Colaço e o fio condutor da entrevista concedida pela artista ao Infocul.pt.

 

Um disco gravado e masterizado nos  Sound Pressure Studios e que conta com a participação especial de Marcelo Rebelo da Costa no tema “Lado a Lado”.

Neste disco, Tina Colaço contou com Henrique Leitão, na guitarra portuguesa, e Miguel Gromicho, na viola de fado, no acompanhamento instrumental.

Em breve, o disco estará disponível nas plataformas digitais.

 

Quando começou a pensar neste disco?

Este projecto estava pensado já há algum tempo, após ter vendido as cassetes que tinha, gravadas em 1998. Ao longo destes anos foi adiado algumas vezes, porque se trata de um trabalho independente que acarreta alguma disponibilidade financeira, e só agora foi possível concretizar. Contei com a iniciativa e incentivo do meu marido que me apoiou e acompanhou ao longo de todo o processo, inclusive as fotografias da capa deste álbum, foi ele quem as tirou. Já na altura da gravação da cassete foi ele que me fotografou.

 

A escolha do repertório foi complexa ou já sabia o que queria gravar?

A escolha foi difícil, tinha já alguma ideia do que queria gravar. Inicialmente a ideia era gravar dez temas, que fui trocando até ficar com a lista “fechada” e acabei por acrescentar mais dois.

 

Algum tema que lamente não estar no disco?

Sim, sim muitos! Tantos que daria para gravar mais dois ou três discos. (risos)

 

Qual o tema que mais a caracteriza, neste disco?

É uma pergunta difícil de responder, gosto de todos porque têm um pouco de mim. Acho que esta pergunta devia ser feita a quem me conhece. (risos) Mas talvez o “Hino à Vida” pela dificuldade que o próprio tema exige, e pela força do poema.

 

O primeiro single deste disco é “Desde Menina”. Porquê a escolha?

A escolha foi feita com o seguinte critério: primeiro porque resume o meu percurso enquanto fadista, e traduz o que sinto e quanto amo o fado; e depois porque não sendo um tema inédito, é o que é menos conhecido do público.

 

Decidiu gravar alguns temas mais icónicos do repertório de nomes maiores do fado, como é exemplo o ‘Naufrágio’. É uma responsabilidade acrescida cantar estes temas?

Sim, é de uma enorme responsabilidade, para que a minha interpretação os possa dignificar. No caso do “Naufrágio”, gosto imenso deste poema de Cecília Meireles, foi um dos primeiros que escolhi para gravar, no entanto todos os outros temas merecem igualmente o meu respeito pelo trabalho dos seus autores.

 

Conta com um convidado neste disco: Marcelo Rebelo da Costa. Interpretam o tema ‘Lado a Lado’. Porquê a escolha do Marcelo e qual a relação que tem com ele?

A escolha foi fácil porque sou fã do Marcelo, conhecemos- nos nas noites de fado e ficámos amigos. Além de ser um excelente fadista é também uma pessoa de bom carácter e generosidade.

 

Quem são os músicos que a acompanham neste disco?

Neste disco tenho o privilégio de ser acompanhada na guitarra portuguesa por Henrique Leitão, que acabou por ser uma ajuda preciosa nos arranjos musicais; na viola fui acompanhada pelo jovem Miguel Gromicho, que igualmente se entregou de forma eximia a este projeto. A gravação foi feita nos Sound Pressure Studios, a quem deixo também um grande agradecimento pelo profissionalismo e hospitalidade.

 

Onde poderão, as pessoas, adquirir o disco?

O disco “Silêncio” pode ser adquirido se falarem diretamente comigo no Facebook, ou podem enviar um email para tinacolaco.musica@gmail.com

 

Depois deste período de confinamento, onde poderá o público ouvi-la?

Infelizmente, neste momento os espetáculos estão cancelados. Aguardo a reabertura dos espaços, para o tão desejado reencontro com o público!

 

Já conseguiu regressar ‘à normalidade’ no pós-covid?

Não, na realidade penso que ainda temos um longo caminho a percorrer, mas tento adaptar-me a estes novos tempos da forma mais positiva possível.

 

Abordando um pouco o seu percurso, como o resumiria?

O meu percurso começa cedo, porque desde criança que gosto de cantar e percebi que os outros me gostavam de ouvir. Fiz parte do Rancho Folclórico de Alenquer, concelho onde cresci.

Mais tarde comecei a explorar o fado e cantava em festas de família, até que começaram a surgir convites para cantar em coletividades, restaurantes, associações…

Fiz parte do elenco fixo da, agora inativa, Adega Típica Quinta da Granja e também tenho cantado em Teatro de Revista e Marchas Populares.

Em termos de registos, gravei uma cassete em 1998, de nome “Não Perguntem Quem Sou” e agora em 2020 chegou o tão desejado álbum, “Silêncio”.

 

Lembra-se da primeira vez que cantou em público? E onde?

Sim, lembro! Foi na escola primária, onde fiz parte do coro. A música era “Ó rosa, arredonda a saia”. Mas não estava nervosa, porque tinha as minhas colegas comigo.

 

Como analisa o actual momento no Fado?

Neste momento em que celebramos o centenário da grande Amália Rodrigues o fado está a ser divulgado como nunca, até está na moda. Por isso considero que está vivo e de muito boa saúde. As grandes vozes do fado já com provas dadas continuam a dignificá-lo, também têm aparecido novas vozes com talento e irreverência própria da juventude. No entanto, considero que o importante é não esquecer que o fado tem uma essência própria, que deve ser mantida e respeitada para que não se torne noutra coisa.

 

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

Foi um enorme gosto partilhar convosco um pouco da minha história e deste meu recente trabalho. Quero agradecer ao público que me tem acompanhado e acarinhado ao longo destes anos. Espero que este meu álbum, “Silêncio”, seja do vosso agrado e que comprem o disco. Em breve poderemos certamente celebrar em conjunto! Peço que defendam a nossa cultura, porque é isso que nos distingue dos outros povos! Um bem haja para todos os leitores e para a equipa da Infocul, a quem agradeço esta entrevista.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

Rui Lavrador has 6717 posts and counting. See all posts by Rui Lavrador

Rui Lavrador

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.