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“Trovas & Canções- Actores, Poetas E Cantores” subiu ontem, 02 de Novembro, ao palco do Teatro Tivoli em Lisboa. Ruy, João e Henrique Carvalho em conjunto com a fadista Ana Marta e dois fabulosos músicos viajaram pela língua portuguesa proporcionando uma noite de grande qualidade.

 Este espectáculo que junta em palco três gerações de actores é uma partilha, que em muitos momentos atinge pontos de comoção, do melhor que o teatro, a música e a poesia lusitana nos oferecem.

 

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Durante hora e meia recordamos e cantamos obras de Luiz Vaz de Camões e Manuel Maria Barbosa du Bocage, Pedro Homem de Mello e José Luís Gordo, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Moniz Pereira, Ary dos Santos, Manuel Alegre, Florbela Espanca ou José Luís Tinoco.

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Assistimos a momentos de qualidade elevada de canto, de ternura poética, de fado ao desafio, do amor dos artistas por uma arte. A arte que por vezes não enche salas mas que ensina o artista a ter sempre a humildade de respeitar e oferecer o melhor de si a quem paga bilhete. E que permite ao espectador sonhar e voar imaginariamente, confortavelmente sentado.

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Ruy de Carvalho mantem todas as qualidade intactas às quais acrescenta a sabedoria e experiência de muitos anos de carreira. Tem a capacidade de num simples olhar transformar um momento banal em algo grandioso. João de Carvalho e Henrique de Carvalho contam com momentos brilhantes neste espectáculo ora em momentos de comédia, ora cantando e declamando. Ana Marta é fadista de raça, o seu canto vem do coração. A destacar Ricardo Gama na guitarra portuguesa e João Correia na viola de fado como brilhantes músicos. Conseguem uma maravilhosa interpretação no Fado Lopes que colocou o público a aplaudir de pé.

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“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” já dizia Pessoa e ontem mais que nunca estas palavras fizeram todo o sentido. Uma sala icónica de Lisboa, um dos maiores actores de sempre em Portugal acompanhado em palco pelo seu filho e pelo seu neto, uma fadista promissora, um espectáculo com notável enquadramento e bom gosto na selecção dos poemas cantados e declamados. Tudo isto não foi suficiente para esgotar o Teatro Tivoli BBVA.  O povo nem sempre é justo. Mas este espectáculo merece ser acarinhado, visto e aplaudido de pé.

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