Tomás Figueira: “Consigo compor músicas sobre qualquer tema, tudo o que necessito é que seja algo real”

Foto: Ricardo Gonçalves

Tomás Figueira acaba de apresentar o single “Who I Am”, que integra o disco Moon Queen. Em entrevista ao Infocul.pt, Tomás Figueira dá a conhecer o seu novo trabalho, o seu percurso, os sonhos e o que almeja alcançar.

O tema faz parte de uma história de amor com desencontros, reencontros e onde o autor busca o autoconhecimento e é deste conjunto de temas que nasce o álbum Moon Queen.

 

Who I Am’ é o single de estreia. Qual a principal mensagem que tenta transmitir com o tema?

O single “Who I Am” define muito bem aquilo que eu quero transmitir ao longo do álbum. O facto de , aconteça o que acontecer,  uma pessoa tem que ser sincera  consigo mesma. Para que algo na vida seja real e genuíno não podemos fingir ser alguém que não somos. E é isso que eu pretendo. Que se tenha sempre em consideração que a qualquer momento da vida uma pessoa pode escolher mudar o seu rumo e finalmente escolher respeitar-se a si mesmo e ,  consequentemente, todos os outros com quem interage

 

Este tema integra o álbum Moon Queen. Que disco podemos esperar ao nível da sonoridade?

A nível de sonoridades , como se pode ouvir ao longo do álbum, é explorado um pouco todos os instrumentos mais orgânicos. Estão presentes temas mais acústicos , outros só com piano e outros que para além desse conjunto também se incluíram os cavaquinhos e ukuleles. Longe do eletrónico que se faz hoje em dia, procurámos fazer algo mais terra a terra e o mais orgânico possível. Inspirei-me  um pouco também no estilo acústico de alguns dos meus artistas favoritos como Tracy Chapman, Eddie Vedder e Bob Dylan. De modo a trazer um pouco mais de realismo aos temas fizemos os possíveis para que , ao escutar as músicas, as pessoas sentissem que estavam a ouvir o álbum ao vivo.

 

E da mensagem?

O álbum conta uma história. Uma história que é comum a todos nós e por isso provavelmente as pessoas  vão  identificar-se senão com o álbum , então com pelo menos com uma música pertencente ao mesmo.  Com um principio , meio e fim o álbum conta a história de um homem e uma mulher e a relação amorosa, com altos e baixos, que partilharam. Não é tanto uma mensagem que pretendo transmitir mas sim uma homenagem a todos aqueles que escolhem viver com respeito nas suas relações e que nunca desistem de percorrer o caminho em que a sua força de vontade é mais forte que o seu ego.

 

Quando começou a pensar em todo este disco e quais foram os maiores desafios?

Comecei a pensar em compor e gravar músicas após ter tirado um ano sabático, na primavera de 2018. Como não fazia ideia do que fazer para iniciar o processo decidi contratar alguém para fazer a produção das músicas e que tivesse experiência suficiente para esclarecer todas as dúvidas que pudessem surgir. Na altura lembrei-me de perguntar ao Ricardo Gonçalves se estaria interessado no projeto e se poderia fazer a produção das músicas. Ele aceitou e nesse Verão iniciamos a pré-produção do álbum.

Tudo foi desafiante. Senti-me com se tivesse na primária a aprender a ler e a escrever. Passei os meses seguintes , aliás os 2 anos seguintes, a trabalhar nas músicas e quanto mais aprendia melhor as músicas se tornavam e mais definido e claro ficava o conteúdo do álbum. No início do projeto nem cantar sabia, essa parte também foi engraçada. Só mesmo antes de iniciarmos as gravações , setembro de 2019, é que finalmente “encontrei” a minha voz e tudo saiu naturalmente.

O maior desafio de todos foi manter o foco e o discernimento até ao fim. Tive que gerir as poupanças que tinha e passei meses a fazer voluntariado ( de modo a não ter despesas enquanto trabalhava as músicas ) para ter dinheiro para as gravações finais . Todo o processo foi um “salto de fé” pois este álbum foi um investimento de tudo ou nada. Mesmo vendo que as primeiras versões das músicas  não correspondiam às minhas expectativas tive que manter a compostura. Eu via o potencial que o álbum tinha e continuei a investir porque acreditava que mais tarde ou mais cedo os resultados iriam aparecer . O facto de termos terminado as últimas gravações dias antes de ser declarado o estado de emergência mostra que todo o processo de preparar este álbum foi no limite dos possíveis, considerando as condições de trabalho que tínhamos e o investimento pessoal que foi feito.

 

Quem o acompanhou em todo este processo, quer ao nível dos músicos, quer em produção?

Como não tinha qualquer formação teórica em música foi muito importante a experiência do Ricardo Gonçalves que me foi dando dicas e ensinando os princípios básicos de compor música. Para além de fazer a produção do álbum, o Ricardo também me foi incentivando cada vez mais a gravar as músicas, comercializá-las e lançar o álbum oficialmente… até o vídeo oficial da música “ Who I Am” foi gravado, realizado e editado por ele. A foto da capa do álbum também foi tirada nessas gravações .

A produção do álbum e os arranjos foram feitos e gravados por Ricardo Gonçalves,  a Mistura foi feita por Miguel Ferrador,  a Masterização por Mário Pinheiro e as gravações da bateria foram executadas por  Geovanni Maucieri . Este conjunto também conta já com bastante experiência de trabalho em projetos anteriores .

 

Quem é Tomás Figueira e quais os objectivos na música?

Música, de uma maneira ou de outra, sempre esteve presente na minha vida. Ao descobrir que compor música seria a minha vocação, empenhei-me em aperfeiçoar o meu método de trabalho. Criar música é a minha maneira de partilhar aquilo que de melhor tenho para oferecer ao mundo. É para mim um meio de contar histórias, partilhar perspetivas, princípios e ideais. É agora algo tão natural para mim que não me vejo a trabalhar em nenhuma outra área. O meu objetivo é de um dia poder ganhar a vida a compor música para que, devido a poder focar-me a 100 % , o meu trabalho tenha cada vez mais qualidade. Por agora fiz o que me competia, tenho o meu repertório feito. Tenho cada vez mais músicas prontas para serem trabalhadas em estúdio. Irei continuar a compor e a trabalhar de modo a estar devidamente preparado se , eventualmente , uma oportunidade de trabalho surgir. 

 

Quem são as suas grandes referências?

Tudo o que tenha qualidade na música é referência para o meu trabalho, qualquer que seja o género musical. Mais relacionado com compor músicas posso nomear Tracy Chapman , Bob Dylan  e Eddie Vedder. 

Elvis Presley e Frank Sinatra são nomes que também gosto de referir pois de certo modo também influenciaram a minha maneira  de cantar.

 

O que o inspira na escrita?

Só consigo escrever se tiver algo genuíno a transmitir. Pode ser uma história ,um acontecimento, um sentimento . Neste momento consigo compor músicas sobre qualquer tema, tudo o que necessito é que seja algo real. De modo a fazer com que a letra e a melodia da música tenha harmonia necessito de uma experiência de vida do próprio ou de terceiros. Muitas vezes não componho algo que me aconteceu a mim mas a minha perspetiva de experiências de vida de outras pessoas.

Como define a sua escrita?

Eu escrevo de maneira a que o conteúdo da mensagem ou história que pretendo transmitir seja o mais explicito possível . De modo a ser acessível a todas as idades, a minha escrita não se foca em referências atuais ou de uma altura especifica no passado. De modo a serem músicas “intemporais”, as letras que escrevo tendem a ser vagas e generalizar o que é descrito para que cada um interprete a música à sua maneira e possa então identificar-se com a mensagem. Tento que a minha escrita seja o mais original e diversa possível  e que se adapte a cada artista e estilo com que me deparo.

  

É mais desafiante cantar ou escrever?

Escrever. Escrever porque é quando estou no processo de criar e compor música. Não foi fácil para mim ao principio, dei muitas voltas ás músicas. Fiz muitas versões de uma música só. Quando se compõe uma música apenas (single) o trabalho fica facilitado pois não depende do seu enquadramento num álbum. No entanto quando se compõe um álbum tenho que ter em consideração todo o conjunto, todas as músicas que o compõem.  Tenho que perceber onde se encaixa cada música, a coerência na passagem de uma música para a outra, tanto a nível de letra como a nível de melodia. É todo um processo, é como se estivesse a montar um puzzle. Num álbum as músicas estão todas interligadas e fica mais difícil que a mensagem a transmitir seja explicita. 

Quando estou a cantar a música já está feita e é só uma questão de praticar e melhorar até a voz sair naturalmente.

 

Onde pode o público interagir consigo?

Neste momento o público pode interagir através da rede social Instagram :

https://www.instagram.com/tomasfigueiramusic/?hl=pt

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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