Toquinho e os concertos em Lisboa e Porto: “Portugal é um nicho de aconchego e privilégios humanos”

 

 

Toquinho prepara-se para três concertos em Portugal. Actua dias 7 e 8 de Outubro no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, e a 9 de Outubro no Coliseu do Porto AGEAS. Antes concedeu entrevista ao Infocul para falar sobre os espectáculos, a carreira, o Fado, Portugal e os 50 anos de carreira.

Que espectáculo está a preparar para celebrar os seus 50 anos de carreira, em Lisboa e Porto? Quais os músicos que estarão consigo em palco?

Será um show intimista, valorizado pela presença e timbre vocal de Camila Faustino e acompanhado pelo sax e pelo clarinete de Proveta, que tem marcado presença em muitos shows comigo. Um show caracterizado por sucessos que o público gosta de ouvir e cantar junto. A gente de Lisboa e Porto me recebe sempre com carinho caloroso. Foi assim das outras vezes e dessa vez não será diferente, acentuando meu prazer de me apresentar nessas cidades.

Quais as melhores recordações que tem de Portugal?

Estive nessa terra por três vezes. Aprendi a usufruir de sua gente hospitaleira, gentil e calorosa. Hoje, Portugal é um nicho de aconchego e privilégios humanos. Nas primeiras vezes fiz turnês com Camilla Faustino e João Ventura, com shows em Lisboa, Coimbra e Seixal, sempre com teatros lotados. Agora os shows serão no Tivoli de Lisboa e no Coliseu do Porto. Tanto me integro com Portugal que foi inevitável compor uma canção para o Grupo de pagode Sacundeia. É a canção “Dois amores”, que fala das semelhanças entre Cascais e Ipanema, fado e samba. São contrapontos que se juntam na comparação entre Portugal e o Brasil.

Quando e porque motivo surgiu o nome artístico Toquinho?

Em minha primeira infância minha mãe me chamava carinhosamente de “meu toquinho de gente”. E todos passaram naturalmente de me chamar de “Toquinho”. O apelido se manteve durante a adolescência e daí para frente. Não houve como evitar, do qual tenho muito orgulho!

Em 50 anos de carreira, qual o melhor e o pior momento?

Numa trajectória musical, quando se ama o que faz, não há momentos ruins. Perdura a sensação de uma constante renovação e de um contínuo aprimoramento. Cada ano robustece o seguinte e as décadas se diluem na descoberta de técnicas novas e na extensão do vigor ampliado pelas conquistas e pelos sucessos. O tempo não apaga o que nos arde na alma. Essa longa trajetória só pode ser alcançada com muita dedicação. Eu me considero um artesão, sempre apoiado no violão que representa o início e o desenvolvimento de tudo. E a música será sempre uma chama a aquecer minha dedicação ao instrumento. Além disso, sou privilegiado por ter trabalhado com parceiros que sempre valorizaram minhas composições. Estudo todos os dias a procura de novos acordes e harmonias. Amo fazer o que faço, o palco é a extensão de minha casa. Nele sou simples e íntimo da plateia. Penso muito na música “Para viver um grande amor”: “Eu não ando só / só ando em boa companhia / com meu violão / minha canção e a poesia.” A cada show, comemoro minha formação musical, que me possibilitou esse desenvolvimento. Além de meu mestre maior, Paulinho Nogueira, tive aulas de harmonia com Edgard Gianullo, e adquiri algum conhecimento de violão clássico com Isaias Sávio, além de seguir as performances de Turíbio Santos. Somando a isso, tive aulas de orquestração com o maestro Léo Peracchi. E para complementar essa mistura de tendências sempre fui um apaixonado pelo estilo de Baden Powell. Em meio a essa trajectória de aprendizagens surgiram as parcerias que valorizam sobremaneira minhas composições. O resto, a vida se incumbiu de mostrar-me valores e caminhos que eu soube aproveitar usando meu talento maior: o de instrumentista. Portanto, há uma comemoração a cada acorde novo, a cada subida nos palcos, a cada disco gravado, a cada aplauso do público que se renova por muitas gerações.

O que mais destaca na música portuguesa e quais os artistas de que mais gosta?

O fado é tradicionalmente a tradução de Portugal, todo seu romantismo e sentimento profundo. E Amália Rodrigues sua mais verdadeira intérprete e embaixatriz da música portuguesa.

Dos 86 discos editados, qual o seu TOP 3?

Há um disco marcante, ainda em LP. Aquele gravado na Itália com Vinicius de Moraes e Ornella Vanonni. Outros do início de minha carreira com Vinicius. E “Aquarela”, que impulsionou minha carreira internacionalmente.

De entre as 400 canções, se lhe pedisse para escolher uma qual seria?

Seria uma injustiça com tantas outras. Mas sempre há as mais importantes, por várias circunstâncias. “Tarde em Itapoan”, “Regra três”, “O caderno”, “Aquarela”, “Samba de Orly”, “Samba pra Vinicius”, “Que maravilha”…

Quais as maiores diferenças entre o povo brasileiro e português?

Falamos a mesma língua mas às vezes ainda tenho dificuldade em entender o que os portugueses falam. São muito rápidos na fala e engolem algumas sílabas. Muitas palavras têm sentidos diferentes. Quanto aos costumes, percebo que aí em Portugal as pessoas ainda fumam muito, e no Brasil esse vício está bem debelado agora. A noção de distância dos portugueses é bem diferente da dos brasileiros. Mas há também semelhanças. O gosto pelo mar, sol, praias, futebol. Temos uma extensão muito grande de litoral, e isso facilita essa liberdade física.

Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?

Portugal sempre me empolga por seu povo, pela gastronomia, pelas tradições e pela liberdade que se manifesta na gentileza e na hospitalidade. Espero um carinho sempre caloroso dessa gente tão irmã!

Os espectáculos contam com produção UAU e os bilhetes já estão à venda nos locais habituais.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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