Os UHF celebraram 40 anos na Aula Magna, numa noite em que passaram em revista os maiores sucessos do grupo…mas não só. Uma noite na qual alguns fãs recordaram e outros ficaram a conhecer, isto porque os UHF ultrapassam gerações e são dos maiores marcos da música portuguesa. Uma noite para a história, pois pela primeira vez uma banda portuguesa celebra 40 anos de carreira, no activo, e foi indiscutivelmente um espectáculo muito bem conseguido por parte do grupo.

 

 

Sala Cheia, pouquíssimos lugares vagos, e uma crescente emoção e expectativa para que o espectáculo se iniciasse. António Manuel Ribeiro começou por dizer que os fãs eram “anjos” que tinham permitido aos UHF chegar a tanta gente e tão longe.

Abrindo com “Persona non grata” e Dança de Canibais”, seguiu-se ‘a primeira de todas’, “Jorge Morreu”, com a curiosidade de ter sido interpretada na sua versão original, segundo António Manuel Ribeiro.

O vocalista, e co-fundador, foi continuando, em conjunto com a banda que lidera, a desfiar memórias e recordando temas mais antigos como “Mau rapaz” e “Sinais”.

“Esta canção celebra os UHF” foi a caracterização dada a “Os putos vieram divertir-se”, que colocou grande parte do público de pé e aos saltos. Relevar ainda que todos os temas foram efusivamente brindados com aplausos.

Frankie Chavez, “Um dos meus músicos favoritos, da actualidade”, para António Manuel Ribeiro, subiu a palco para em conjunto com a banda fazer o público saltar a cantar a plenos pulmões “Matas-me com o teu olhar”. Antes já os UHF tinham aquecido motores, que na verdade estiveram sempre fervilhante, com “Um tipo sincero”.

Com habituais mensagens de intervenção, António Manuel Ribeiro apostou numa constante mensagem de gratidão e amor ao público. “Brincar no fogo” soltou os gritos mais sensuais da noite e apenas no refrão, por parte do público. Numa sentida e justíssima homenagem a José Afonso, os UHF trouxeram “Vejam Bem”, no alinhamento, para esta noite de celebração.

“Foi um dos raros que entrou num programa de televisão e se tornou num dos marcos mais importantes da actual música portuguesa, João Pedro País”, foi desta forma emocionada e afectiva que António Manuel Ribeiro chamou ao palco o segundo convidado da noite, para “Na tua cama”.

Logo após um intenso “Sarajevo”, as emoções aumentaram com a chamada a palco de um dos fundadores dos UHF, Renato Gomes. “Rapaz Caleidoscópio” e “Cavalos de Corrida” voltaram assim a juntar a dupla que deu início e vida aos UHF. Neste último tema, contaram ainda com mais um convidado, The Legendary Tigerman, num momento de êxtase total e com todo o público a cantar do início ao fim do tema. Perante tamanho energetismo, “Sonhos na estrada de Sintra” trouxe alguma calma e nostalgia à sala.

António Manuel Ribeiro recordou os temas iniciais do grupo, logo após o 25 de Abril, com “Hey Hey”, tema que antecedeu encore.

António Manuel Ribeiro regressou sozinho a palco para recordar Fernando Pessoa com “Noites Lisboetas”. Já com a formação toda em palco, seguiram-se “Estou de passagem”, “Puseste o diabo em mim” e “Menina”, que na opinião de António Manuel Ribeiro podia ser o segundo hino nacional, caso existisse essa possibilidade.

Mas o público pedia com insistência mais uma e António Manuel Ribeiro ‘ofereceu’ mais três temas, reuando muitos anos na máquina do tempo com “Celulóide” e “Nove Anos”, fechando o espectáculo com todos os convidados na “Rua do Carmo”.

Além de António Manuel Ribeiro, os UHF são constituídos, atualmente, por António Côrte-Real (guitarra), Cebola (baixo), Ivan Cristiano (bateria), Fernando Rodrigues (teclas). O grupo apresentou-se com forte pedalada e proporcionou uma noite memorável, demonstrando jovialidade e qualidade para…mais 40 anos.

 

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Arlindo Homem

 

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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