“Uma melhoria, a todos os níveis” no Poeiras 2017

Miguel Corte Real

 

 

O Parque dos Poetas, em Oeiras, acolhe de 8 a 10 de Setembro a segunda edição do Poeiras, um festival de língua portuguesa e que engloba várias artes. O Infocul entrevistou Miguel Corte Real, por parte da organização, para que nos revelasse quais as diferenças que haverá nesta segunda edição e também a composição do cartaz.

 

 

 

Em termos de organização o que se pode esperar da segunda edição do Poeiras?

 

Uma melhoria, a todos os níveis. Mais conforto, mais segurança, uma programação mais preenchida, especialmente na componente Poeirinhas, que é a componente verdadeiramente pensada para as famílias. Como grandes novidades temos Teatro de Marionetas, com o Actor Pedro Giestas, 3 espectáculos de música e dança com Marrabenta, Funaná e Roda de Samba, que ainda vão ter uma hora antes aula de dança, possibilitando às pessoas aprender o essencial destas danças tradicionais. Há ainda a introdução dos táxis Poeiras, um conjunto de carrinhos de golfe que estarão no parque a servir de transporte para pessoas com dificuldade de locomoção, pais com criação pequenas ou carrinhos de bebé e, se houver disponibilidade para quem quer usufruir da experiência.

 

 

 

A programação, comparativamente ao primeiro ano, não pode ser considerada pouco apelativa?

 

Pode sempre haver quem acha isso. Mas não é certamente. Temos no palco principal a presença do projecto “Deixem o Pimba em Paz”, que resgata um género musical muitas vezes mal tratado mas que é tão parte da cultura portuguesa como qualquer outro, e que ainda para mais faz isso com um enorme senso de humor (Bruno Nogueira) e com muita qualidade musical (Manuela Azevedo). No segundo dia temos a Aline Frazão, uma das cantoras africanas revelação, que apresenta o espectáculo da sua tournée “Insular” e no fecho temos o Eetro Poeiras, que procura mostrar que existe um eletrónico destinado à geração Milénio que é étnico, orgânico, feito de composições musicais de grande qualidade. Em Português. Trouxemos para isso nomes como Celeste Mariposa (que vai abrir) e o DJ Internacional Ricardo Imperatore, que nos trás Botecoletro, melhor disco eletrônico de 2009 no MPB brasil e que Marisa Monte referiu como um disco essencial, entre outros convidados. A Palavra estará também muito bem defendida com nomes como David Massena, que fala da poesia de Tom Jobim, António Bulcão, que vem dos Açores acompanhado de Luis Bettencourt e ainda Rui Zink, um nome de peso da cultura portuguesa. Em suma, será mais uma vez uma programação que pretende trazer ao público algo que mas ninguém está a apresentar e que tem grande relevância em termos de Lusofonia.  

 

 

 

Quais os critérios usados para a montagem do elenco deste ano?

 

Os que referi na resposta anterior. Inovação, uma oferta que saia fora do que é mais habitual e a garantia de relevância cultural em termos de língua portuguesa.

 

 

 

Continuando a ser um evento gratuito para o público, quais os apoios com que conta e como é permitida a sustentabilidade do projecto?

 

O Evento é promovido pela CM de Oeiras. Este ano contou com uma enorme ajuda do Simas Amadora e Oeiras, que abraçou o projecto com o mesmo empenho, e ainda da Embaixada do Brasil, que reconheceu no Poeiras o seu contributo para a cultura de língua portuguesa. Para além de vários media partners sem os quais o Poeiras não teria tido a dimensão que teve no ano passado e sem os quais não seria possível pretender que ele aumente de dimensão este ano.

 

 

 

O Parque dos Poetas é o espaço perfeito para um evento que viaja por várias artes e pela lusofonia?

Sim, é sem dúvida. O Parque em si é uma homenagem à Lusofonia e só por si já merece a visita. O Poeiras é uma espécie de culminar, de grande festa, daquilo que o Parque celebra, desde o primeiro dia em que abriu as portas ao público. 

 

 

 

Qual o orçamento para esta edição?

 

É espartano, como se espera de todas as coisas públicas na actual conjuntura, mas sofreu uma melhoria com o apoio de parceiros como o Simas Amadora e Oeiras e como A Embaixada do Brasil.

 

 

 

Como convida o público a ir a este evento e o que poerá lá encontrar?

 

Um fim de semana perfeito para a despedida do verão e para a volta às aulas. Não existem ainda uma grande oferta de programas para as famílias levarem pais, filhos e avós.

Nem é habitual haver festivais em que toda a programação ocorre em horas diferentes, permitindo a qualquer pessoa, no limite das lotações, ver tudo. Somando a isto o jardim, a gastronomia e toda a animação espalhada no parque, podemos garantir que vir ao Poeiras é uma excelente opção para o último fim de semana antes da volta às aulas.

 

 

 

É um programa para toda a família?

Sim, dos 8 aos 88

 

 

 

Quais as características que tornam este evento algo de único?

 

O que referi anteriormente. Uma programação muito vasta em termos de variação de oferta, que vai da música, à palavra, passando pelos jogos tradicionais, gastronomia e este ano, até pelo teatro.

 

 

 

Acha que as pontes entre a comunidade lusófona estão cada vez mais solidificadas?

Francamente, não, se estamos a falar do que se faz em termos de Estados Lusófonos. A língua portuguesa tem sido sempre a ponte de união entre os vários povos lusófonos, mas principalmente pela sua força e beleza. Existem sim muitas entidades e muitas pessoas (mesmo nos aparelhos de estado) que se batem heroicamente pela sua preservação e difusão porque é uma língua muito amada. Mas sempre encontraram dificuldades e sempre encontram obstáculos ao que querem fazer. Cabe ao público e a cada habitante dos países de língua portuguesa continuem a valorizar e a reivindicar a sua valorização.

 

 

 

Que caminhos ainda faltam percorrer na lusofonia e na união destes povos?

Mais difusão do que se vai desenvolvendo. Há muitos projectos interessantes que poderiam aumentar o interesse público em cima do tema, mas não tem recursos para chegar aos canais de comunicação a que indústrias anglo-saxónicas tem acesso. Por isso eu valorizo tanto todos os media partners que decidem divulgar projectos como o Poeiras. Acho que a ideia de que a nossa língua é a nossa pátria e que deve ser uma causa para todos (como é para alguns) é o que precisa de acontecer para que a língua portuguesa seja reconhecida por todos como uma das mais importantes do planeta.

 

 

 

A programação do Poeiras pode ser consultada em www.poeiras.pt

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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Rui Lavrador

One thought on ““Uma melhoria, a todos os níveis” no Poeiras 2017

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    🙂

    Esta genial tu redaccion y hay muchas informacion que
    no sabia que me has aclarado, esta espectacular..
    te queria reconocer el tiempo que dedicaste,
    con unas infinitas gracias, por enseñarle a gente como yo jijiji.

    Besos, saludos

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