Vereadora da Cultura de Odemira e o Terras sem Sombra: “Para nós é um privilégio”

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Odemira foi o ponto de paragem no segundo fim-de-semana do Festival Terras sem Sombra e o Infocul aproveitou para falar com a vereadora da Cultura, Deolinda Seno Luís, sobre a importância deste festival, mas também do cante e todas as manifestações culturais de maior projecção que ocorrem no concelho.

 

 

Sobre o Terras sem Sombra, a vereadora começou por nos dizer que “para nós é um privilégio, porque quando nós estamos na rota de um festival de excelência que promove a biodiversidade, estando nós situados no Parque Natural do Sudoeste Alentejano, quando nós temos a oportunidade de conhecer este património histórico que hoje visitámos com destaque para a Igreja da Misericórdia, que é realmente uma pérola do património religioso. Tem musica de excelência, música sacra, porque temos também aqui público que pretende receber esse género musical em Odemira, para além de que estas três componentes são complementadas por uma valorização dos territórios enquanto destinos turísticos e os seus produtos regionais. Fazer parte deste percurso e deste roteiro é uma honra e um orgulho” acrescentando que “o Terras sem Sombra assume aqui um papel muito importante na nossa programação cultural”.

 

 

Da vasta programação cultural que o concelho tem, Deolinda Seno Luís destacou alguns dos eventos.

 

 

Tivemos o cuidado de trabalhar a animação nas estancias turísticas mais procuradas. Toda a gente conhece em Odemira, a Zambujeira do Mar, Almograve ou Vila Nova de Milfontes, então criámos uma iniciativa a que chamámos “Animar o Verão”, em que todas as noites, em que todo o fluxo turístico (além claro dos habitantes), oportunidade para conhecer a nossa música tradicional , os nossos grupos de teatro amador (que também tivemos o cuidado de neste mandato, acarinhar, recuperando o Festival de Teatro Amador(…) que ocorre no âmbito do Setembro Cultural), também tivemos oportunidade de recuperar através do Sr. António Feliciano, cinema ambulante, havia uma tradição pela mão desse senhor que levava o cinema à 50 anos  às localidades mais do interior e retomámos essa prática dando prioridade à população do interior que é mais envelhecida e não tem tanta oportunidade de vir aqui ao Litoral. Depois continuamos também com o Tass Jazz, o Festival de Marchas Populares que é um grande festival e engloba cerca de 400 marchantes, temos oito marchas que anima  por todo o concelho no mês de Julho, temos o Setembro Cultural, só para lhe dar alguns exemplos. O Festival Sete Sois Sete Luas, o grande 25 de Abril…”

 

 

Um dos maiores focos culturais em Odemira é o Cante e a Viola Campaniça. Sobre estes dois pesos de ouro da cultura local referiu que “Odemira é um território muito vasto… As pessoas desconhecem que em termos territoriais, Odemira é duas vezes e meia, a Ilha da Madeira. E quando nós queremos chegar a todos os pontos do concelho e a todo o tipo de públicos, há um grande esforço neste mandato de recuperar o que são as tradições, nas suas várias formas. Temos neste momento, Odemira pode ser considerada a capital do cante ao despique e baldão e da viola campaniça, existem ainda na zona serrana, freguesia de São Martinho das Amoreiras, muitos tocadores e cantadores deste género muito particular. Há alguma familiaridade com o cante ao despique no Minho, mas a nossa viola campaniça que é muito característica desta zona, foi objectivo deste executivo criar um projecto de valorização desse instrumento musical  mas também do cante, que estamos em crer irá começar já no terceiro período nas escolas do 1º Ciclo, para mentalizar as crianças para esse património tão importante e também com oficinas de viola campaniça, com o núcleo museológico, essa tem sido a preocupação, mais na área do património imaterial do concelho. Depois, tivemos também a oportunidade de neste mandato criar um espaço novo, o Quintal da Música, que é um terraço que funciona no verão no centro da vila, onde ocorrem todas as noites às quintas-feiras, onde invocam a música tradicional mas também outros géneros musicais que tentamos estejam suficientemente representados”.

 

 

Questionámos se Pedro Mestre (nome incontornável da viola campaniça) estaria envolvido neste projecto, tendo a vereadora da cultura explicado que “neste momento ele ainda não está directamente envolvido mas é conhecedor do projecto e mostrou-se já disponível. Estamos numa fase experimental e vamos começar na zona de São Martinho, sendo o objectivo progredir e manter contacto com zonas onde tem sido feito trabalho, nomeadamente Castro Verde e também noutros pontos do Alentejo, também pela mão de Pedro Mestre. Portanto ele está a acompanhar e no futuro abre-se a possibilidade de trabalhar connosco”.

 

 

Ainda sobre o cante, e como remate da conversa que teve com o Infocul, referiu, “temos quatro grupos corais aqui no concelho, foi feito também um trabalho de capacitação dos grupos corais, houve portanto a oportunidade de intervir com pessoas que vêm do Baixo Alentejo e estão já muito agilizadas no ensaio de grupos corais, com este impulso que o reconhecimento do cante teve, e portanto fizemos também esse trabalho nos nossos grupos ao nível do repertório, ao nível do estado da capacidade vocal mas também da indumentária, do estar em palco…Ficámos muito satisfeitos com esse trabalho”.

 

Fotografia: Arlindo Homem

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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