Virgem Suta: “Estamos a preparar um concerto muito dinâmico”

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Os Virgem Suta preparam-se para dois grandes concertos, no CCB e Casa da Música e em entrevista ao Infocul falam sobre tão importantes datas e ainda sobre a participação no Festival da Canção onde Jorge Benvinda deixou a sua marca com “Gente Bestial”.

 

Estamos a preparar um concerto muito dinâmico que será apresentado num formato quarteto bem fora do habitual, onde 4 músicos de pé assumem todos os instrumentos bem como a secção rítmica, dividida peça por peça por cada um. Seremos como que a engrenagem de um relógio melódico” começam por nos revelar antes de acrescentarem que em termos de alinhamento, “além de apresentarmos o best off das nossas canções, apresentaremos também em Lisboa e Porto, o Limbo, o nosso último álbum e, quem sabe, algum tema inédito…”.

 

 

Para este concerto há convidados especiais, “os nossos convidados serão o público que certamente também subirá ao palco. Gosto de desafiar o público a cantar connosco. Quem estiver preparado pode levantar o braço por favor”, dizem-nos não evitando o sorriso.

 

 

Não são uma banda com um percurso dito normal e assumem-no de forma clara e objectiva, até porque “trabalhámos imenso para conseguir lançar o primeiro trabalho e trilhar o nosso caminho. Ainda participámos em alguns festivais e tivemos sucesso num deles realizado em Gaia, onde conhecemos e fizemos amizade com o Helder Gonçalves e a Manuela Azevedo.  Os dois primeiros álbuns tiveram a produção a cargo do Helder Gonçalves, e o terceiro a produção do Nuno Rafael, também músico que nos costuma acompanhar”, acrescentando que “não surgimos de uma simples popularidade de internet, apesar de ser importante ou até ser um  caminho, na actualidade.  Gostamos de construir e criar musicas que nem sempre estão alinhadas com o que se ouve no momento, mas por isso mesmo somos os VIRGEM Suta, é uma forma muito própria de sentir, ver e interpretar o mundo. Toda a realidade pode acabar em canção. Começamos a tocar no circuito mais alternativo de bares e espaços paralelos e actualmente tocamos em eventos bem maiores e vamos fazendo várias internacionalizações”, fazendo uma viagem no tempo até ao inicio de um dos projectos mais “bestiais” da música portuguesa, Virgem Suta.  

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Tanto eu como o Nuno Figueiredo somos compositores. Normalmente de um lote alargado de temas compostos por ambos, escolhemos as canções que mais fazem sentido para o álbum, independentemente de quem as cria. Também acontece de trabalharmos coisas a meias. Música minha e letra do nuno. Gosto da escrita deste meu companheiro”, diz-nos Jorge Benvinda sobre o processo criativo dos Virgem Suta.  

 

A inspiração surge, “no meu caso, as histórias de vida, uma frase dita na rua, uma expressão. Não existe uma regra . Muitas vezes é uma forma de desabafar e comunicar de forma muito sincera com o mundo que nos rodeia e nos escuta. Opinamos e exteriorizamos à nossa maneira”, acrescenta Jorge sobre as fontes de inspiração.  

 

Nuno e Jorge são de Beja, Alentejo puro. O Cante é neste momento talvez a maior manifestação cultural desta região. Jorge Benvinda revela-nos que “eu tenho uma forte ligação incutida pela nova geração de cantadores, sobretudo o Bernardo Espinho.  Seja através das tabernas que construí, dos grupos com quem vou cantando e aprendendo,  de projectos futuros que desejo criar à volta das casas de cante. Mas actualmente participámos no novo trabalho do Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento editado pela Universal Music  com uma canção/moda com letra do Nuno e música minha. Chama se Cantar até Cair . Participaram mais amigos nossos , o António Zambujo, a Luísa  Sobral e o Miguel Araújo. Está um álbum fantástico, já é disco de ouro. Pertenço aos cantadores do Desassossego, e vou cantando com mais amigos quando surge paródia ou convites. Os Alentejanos de Serpa são também um destes casos. Amigos que estão no coração”, diz-nos com um sorriso no rosto.

 

Viver sempre com saúde e ânimo num Portugal fantástico mas por vezes com políticas e estratégias miseráveis para os cidadãos, empresários e músicos” tem sido, segundo Benvinda, o maior desafio neste percurso de Virgem Suta. Instado a comentar a actual indústria musical em Portugal, revelou que “não analiso, lutamos pelo que gostamos e não gosto de fazer críticas gratuitas”.

 

Depois de participarem no Festival da Canção com “Geste Bestial”, a reacção do público tem sido “muito boa, para não dizer Bestial”, diz um sorridente Benvinda.

 

 Os concertos no CCB e Casa da Música acontecem a 31 de Março e 13 de Abril, respectivamente e há a garantia que “Gente Bestial” estará no alinhamento. Aguardam-se duas casas esgotadas para ver um dos mais geniais projectos na música portuguesa.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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