XXIV Festival de Música Moderna de Corroios: “Um desafio e ao mesmo tempo uma responsabilidade”

 

 

 

Em 2019 realizar-se-á o XXIV Festival de Música Moderna de Corroios, que realiza-se desde o ano de 1996. António Nabiça, responsável pelo festival, concedeu entrevista ao Infocul na qual faz um balanço deste percurso, destacando méritos e desafios e ainda perspectivando o que augura e sonha fazer nos próximos anos.

 

 

O festival tem como objectivo o estímulo, promoção e divulgação de novos projectos musicais a nível nacional.

O Festival tem as inscrições abertas até dia 8 Fevereiro e, posteriormente, decorrerá nos dias 2, 9, 16, 23 (sessões) e 30 de Março (final) de 2019, no Cineteatro do Ginásio Clube de Corroios, em Corroios.

 

 

Um festival que se mantém desde 1996. Qual o segredo para a longevidade?

Não existe nenhum segredo a não ser o interesse que nutrimos pela nova música portuguesa, a vontade de apoiar os projectos emergentes da nova música portuguesa e o trabalho intenso e de qualidade que conseguimos, ao longo destes anos, alicerçado na experiência de uma excelente equipa , que tivemos a sorte e capacidade de reunir, e manter, para o realizar de forma muito competente, são estas as verdadeiras razões desta longevidade. Ao longo dos anos esta equipa foi sofrendo alterações com entradas e saídas, por razões várias, mas contou sempre com pessoas com grande paixão por música, músicos, técnicos e pessoas com grande experiência e conhecimentos na produção e realização de eventos.

 

A aposta em novas bandas é um desafio ou uma responsabilidade?

A aposta em novas bandas é um desafio e ao mesmo tempo uma responsabilidade, um desafio porque quase ninguém “arrisca” dar um palco com excelentes condições técnicas, dar visibilidade e atribuir um prémio, a bandas completamente ou praticamente desconhecidas, sem qualquer retorno. Uma responsabilidade pois há que assegurar essas condições e conseguir um nível qualitativo que continue a manter o público do Festival e a alcançar os objectivos a que nos propusemos: estimular, distinguir, apoiar e promover a Nova Música Portuguesa.

 

 

Deste festival já saíram alguns dos nomes que actualmente marcam a cena musical portuguesa. É um orgulho e também um selo de qualidade?

É sempre com grande interesse e satisfação, que acompanhamos a evolução das carreiras de tantos artistas que já pisaram o palco do Festival de Música Moderna de Corroios, eles são a nossa maior motivação e é de facto um grande orgulho, pois no fundo acaba por ser o reconhecimento de que valeu a pena, que os objectivos foram alcançados e também um “selo de qualidade” para o Festival, pois daqui com o primeiro trabalho gravado e editado por nós em CD (até ao ano 2012, depois houve alteração com a atribuição de um valor monetário como prémio), saíram várias bandas e músicos com carreiras mais ou menos reconhecidas.

 

 

As inscrições para a edição deste ano estão em aberto até dia 8 de Fevereiro. Como devem os interessados proceder?

Todos os interessados devem consultar o regulamento em: www.festivaldecorroios.net e basicamente devem enviar-nos para a conta musica@festivaldecorroios.net ,quatro temas originais em formato mp3 (existindo a opção por um quinto tema, que será obrigatoriamente uma versão de um tema editado e em português), que devem fazer acompanhar com nome do projecto concorrente, contacto telefónico dos músicos, e-mail e/ou sítio na Internet caso o possuam, fotografia actualizada e biografia da formação.

 

 

Quais os principais apoios do festival e como consegue ser sustentável?

O principal apoio ao evento foi desde o seu inicio da autarquia local, que ainda se mantém mas agora de uma forma substancialmente menor. A sustentabilidade do Festival está e continua muito dependente desse apoio, atendendo a que não existem nem patrocinadores nem receitas que, em alternativa, possibilitem a sua realização com os índices de qualidade que o Festival conseguiu e habituou quem nele participa.

 

 

O que ainda augura e sonha fazer neste evento?

Dar-lhe continuidade e se possível diversificar os apoios tornando-o autónomo de um único apoio e conseguir/ garantir as condições e apoios que no passado foram possíveis, para nomeadamente conseguir ter bandas convidadas em todas as sessões, melhor promoção e tornar o prémio mais aliciante para quem nele participa. Em 2020 terá lugar a 25ª edição e seria interessante realizar algo comemorativo das 25 edições , veremos se temos essa capacidade e se haverá o interesse e apoio de alguns parceiros para a sua concretização.

 

 

Tem um público-alvo?

Sim, os novos músicos e bandas emergentes, mas também quem gosta de música, se interessa pela nova musica portuguesa e pela descoberta de novos talentos da nova música portuguesa.

 

Como tem sido a relação entre as gentes de Corroios e o festival?

Em Corroios, ninguém é indiferente ao Festival, são muitos os que têm um sentimento de orgulho e pertença, contudo nos últimos anos, por razões várias, o número de presenças nos espectáculos, sessões e final, não tem tido a expressão que já teve anteriormente.

 

 

Há algum género que seja mais marcante neste festival?

O Festival está e sempre esteve aberto a todos os géneros, embora possamos afirmar que, ao longo destes 24 anos, o rock, punk e pop-rock predominou.

Como tem sido a adesão da imprensa?

Já teve melhores dias… já contamos com o apoio de revistas da especialidade (Mondo Bizarre, Luso Beat – que já não existem), rádios ( Rádio Radar e Locais), jornais( Blitz, CM e locais), TV ( SIC Radical, RTP), mas nos últimos anos mantemos apenas uma parceria com a Antena 3, rádio oficial do Festival. Sobre a imprensa será de referir que, algumas vezes, foi a Imprensa a manifestar o interesse no evento, é o caso da Antena 3, que nos contactou há cerca de sete anos (quando tínhamos o apoio da Radar )e nos manifestou interesse no apoio exclusivo. Contudo, continuamos a pensar que, em vez de nos lamentarmos perante a apatia de jornais, rádios, televisões, que teimam em desaproveitar o enorme talento de uma cultura musical jovem e verdadeira, que se exprime sem disfarçar o que pensa, há que procurar, cada vez mais, apesar do espaço difícil e limitado em que nos movemos, contribuir para o apoio e promoção da Música Portuguesa.

 

 

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul e onde pode o público ir vendo as novidades?

Quanto à mensagem que deixo aos leitores do Infocul é que não deixem de acreditar na música portuguesa , que a oiçam e apoiem, nomeadamente através da sua presença nos espectáculos ao vivo. As novidades podem acompanhá-las no site do Festival (www.festivaldecorroios.net ) e principalmente na página de facebook do Festival ( https://pt-pt.facebook.com/festivaldecorroios/). Corroios é outra Música !

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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