Por estes dias, o canal My Cuisine estreou no canal a série “Chakall & Pulga”, um programa que idealizei há 10 anos e que teve 2 temporadas. Há quem diga que não devemos voltar aos lugares onde fomos felizes, talvez com receio de estragar memórias boas. Permitam-me discordar…

Regressar a “Chakall & Pulga” é regressar a um tempo feliz, onde conheci, ao longo de 26 episódios, muitos locais de Portugal, muitas pessoas encantadoras, muito conhecimento popular, muitas tradições e, claro, muita da gastronomia portuguesa que ainda desconhecia. E regressar a esses sabores nunca é má ideia!

Mas deixem-me partilhar convosco como tudo começou antes do “luzes, câmara, acção!”.

Nessa altura, eu vivia na Lourinhã, mas passava muito tempo a viajar, quer dentro de Portugal, quer para fora. Um dia, depois de um dia de trabalho em Lisboa regressava a casa de mota, quando tive que parar na estrada para satisfazer um capricho do corpinho… Quando desci da mota ouvi um cão a ladrar que se aproximou de mim. Ficou ali, a olhar para mim. Quando terminei subi para a mota para continuar caminho, mas o cãozito não parava de latir. Ainda um pouco hesitante, olhei para ele e pensei que se o deixasse ali algum carro haveria de o atropelar, ou que ia ficar ali ao abandono e acabaria por morrer. Dizem que são os animais que nos adoptam e parece que foi o caso…

Desci, peguei no cão – que afinal era uma cadela -, enfiei-a dentro do casaco e segui caminho até casa. Quando cheguei, escusado será dizer que tinha o casaco todo molhado e cheio de pulgas! Ficou automaticamente “baptizada”: Pulga!

Tratei dela, alimentei-a e passou a ser a minha companheira de aventuras. Um dia disse-lhe: “achas que isto é só comer e dormir? Não te chega já de boa vida?” e foi assim que a ideia de partir para a estrada com a Pulga e uma motoreta para cozinhar por terras lusas começou a ser desenhada.

Depois da Pulga, já houve, até noutros países, outras cadelas. A Mangú, por exemplo, que fez comigo o “Chakall y Mangú”, na República Dominicana.

Mas… não há amor como o primeiro e a Pulga foi de facto uma companheira de quatro patas como não haverá outra!

Foi com ela que conheci muitas terras portuguesas até então desconhecidas para mim e que provei muitas iguarias regionais que ainda hoje salivo só de pensar nelas!

Ela foi de tal forma marcante no panorama televisivo que ainda hoje quando vou a alguns eventos por esse Portugal fora me perguntam pela Pulga! Acho que ficou mais famosa que eu [sorriso]

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