Chakallices: Natal é… quando eu quiser!

Chegámos quase ao final de mais um ano e, com Dezembro chega o Natal, a época em que os gestos solidários se multiplicam. Seja porque estamos todos mais disponíveis para dar, ou, nalguns casos, porque fica bem ou é preciso estourar com os budgets do ano… Ainda assim, é de louvar o envolvimento de muitas pessoas – e empresas – em procurar tornar o mundo um pouco melhor, nem que seja só nesta altura do ano.

Como devem calcular, sendo uma figura mais ou menos pública e com uma exposição mediática considerável, chegam-me muitos pedidos para causas solidárias nesta época (na realidade, durante todo o ano!). É natural, o envolvimento de uma figura com algum mediatismo ajuda a amplificar a atenção que o público passa a prestar a determinadas causas. Por norma, gosto de me envolver em projectos de carácter social mas não gosto de expor o que faço. É como se não pudesse estar de alma e coração naquilo que me proponho fazer e a minha intenção não é tirar dividendos dos meus exercícios de cidadania.

Costumo partilhar com a minha equipa ou até com parceiros das causas com que me envolvo que se cada um – e não me refiro a pessoas conhecidas, falo de qualquer cidadão – tirasse 1 dia da sua vida por ano para se dedicar a uma causa, o país seria melhor, nós seríamos melhores. Quando nos envolvemos com o outro, que por infortúnio está numa situação delicada e de imensa vulnerabilidade, não é só a vida dessa pessoa que muda, é sobretudo a nossa (nem que seja porque percebemos quão gratos podemos ser pela nossa própria vida!)!

Ao longo deste ano acabei por estar envolvido nalguns projectos solidários ou de responsabilidade social, uns por desafio lançado pelas instituições, outros por iniciativa própria ou de elementos da minha vasta equipa. Talvez não tantos como gostaria (ou que a minha agenda e cozinha permitam!) e para mim é muito gratificante olhar para os sorrisos provocados. Seja num workshop de pizzas numa ala pediátrica que envolveu pais, crianças e educadores e arrancou sorrisos e gargalhadas às crianças (e aos pais, que sofrem diariamente ao acompanhar os seus filhos doentes e precisam, também eles, de mimos!), quer pela criação de um menu especial do Dia dos Namorados em parceria com a Fundação Rui Osório de Castro, ou por apadrinhar um projecto Escolhas num bairro de Lisboa cujo tema central é a culinária como elemento agregador de aprendizagens e culturas.

Em qualquer dos projectos gosto da premissa de que a gastronomia é um elemento de união, que a reunião à volta de uma mesa pode fazer a diferença na vida das pessoas.

E em muitos casos, se o meu envolvimento fizer a diferença na vida (nem que seja num dia!) de uma só pessoa, já terá valido a pena.

E porque falo eu neste tema? Não para me auto promover ou dizer que sou bonzinho ou um cidadão exemplar! Longe disso!

Falo nisto e partilho convosco a minha forte convicção de que o Natal é quando cada um de nós quiser. Não precisamos de esperar por Dezembro para fazer a diferença na vida de outra pessoa. Não é necessário “guardar” o espírito natalício e solidário para o último mês do ano. Temos à nossa frente mais 366 dias para fazer a diferença na vida dos que estão ao nosso lado, no prédio onde vivemos, no nosso local de trabalho, na nossa família, na nossa cidade. É só uma questão de estarmos mais atentos ao que se passa à nossa volta. Um gesto nosso, um dia do nosso ano dedicado ao outro pode fazer uma enorme diferença.

O Natal é mesmo quando eu quiser e espero que para vocês também!

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