Chakallices. Ser ou Não Ser Português: Não Há Questão!

 

 

Há razões pessoais para comemorar em 2019: finalmente vou ter a nacionalidade portuguesa!

Ao fim de 20 anos em Portugal, chegou o momento de assumir a “minha costela” portuguesa.

Cheguei há 20 anos aqui com o intuito de preparar a minha viagem a África, viagem essa que fiz no final dos anos 90.

Quem segue a minha carreira há quase duas décadas, saberá por esta altura que na Argentina eu era jornalista e que um dia deixei tudo para trás para viajar. Com o dinheiro que recebi na altura em que deixei o jornalismo tinha mais que suficiente para me aventurar. Fiz a América Latina de moto durante 4 meses e depois vim para Portugal. O destino passaria depois pela viagem de jipe por África.

Sendo a quarta geração de cozinheiros na família sabia duas coisas:

1 – Não queria gastar o dinheiro que tinha juntado para a viagem a África, por isso tinha que arranjar soluções para sobreviver;

2 – Por causa da língua não podia optar por aventurar-me no jornalismo em terras lusas, restava-me a cozinha e fui lavar pratos para um restaurante e acabei na cozinha!

Depois de um ano parti para África, tendo voltado a Portugal há 20 anos e por cá fui ficando. Fui crescendo profissionalmente e tenho feito de tudo um pouco relacionado com a gastronomia: showcookings, catering, restaurantes, livros, programas de TV…

Apaixonei-me verdadeiramente pelo país, pelas paisagens, pela comida, pelas pessoas,…

Ao longo de quase duas décadas e com os negócios que tenho poderia já ter a nacionalidade portuguesa. Mas não me identificava por essa via. Ser ou não ser português é mais profundo que um processo meramente burocrático: é AMOR ou não é!

Conheço cerca de 140 países por todo o mundo, poderia ter escolhido várias nacionalidades já que a minha família tem raízes em pelo menos 5 países diferentes.

Não consigo eleger nenhum país preferido, seria quase injusto fazê-lo. Há países que me encantam pelas paisagens (nunca vou esquecer o desejo do Sudão, por exemplo!), outros que me prendem pela gastronomia, outros pelo lado empresarial… Poderia viver na Alemanha onde tenho muito trabalho, na China onde tenho imenso sucesso, só para mencionar estes dois. Mas não seria propriamente feliz. Porquê? Porque o que faz a diferença são as pessoas e em Portugal eu sou feliz, sinto-me em casa!

A nacionalidade para mim é como um casamento: tem que fazer sentido, não pode ser uma relação de mero interesse.

Talvez ter uma mulher e uma filha portuguesa tenha contribuído também para este sentimento. Quando me emocionei pela primeira vez ao ouvir o Hino Nacional, quando vibrei pela primeira vez com as vitórias da seleção portuguesa de futebol soube que, de coração, já era português!

2019 é um marco na minha história pessoal: além das cores azul e branca do meu país natal, adotei de vez o verde e vermelho! Já ninguém me tira o prazer de comer um bom Bacalhau à Lagareiro!

Sou Tuga com muito orgulho!

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