Editorial. Rui Lavrador: “Não vamos deixar de incluir a tauromaquia na linha editorial. É parte integrante da cultura portuguesa”

 

 

O Prometido é Devido! Disse que neste editorial responderia a tudo o que quisessem questionar e assim o faço. As questões foram sendo enviadas por e-mail, para as redes sociais e até por mensagens. Espero, assim, que quem acompanha o Infocul fique esclarecido sobre o nosso trabalho.

 

Como consegues estar sempre em cima das novidades? Quantas horas tem o teu dia…noite?

Começo por agradecer a pergunta, por encará-la como um elogio. Respondendo à questão, acaba por ser mecânico. Eu sou um consumidor compulsivo de informação e redes sociais, no sentido de ter acesso a notícias, e portanto acabo por conseguir trabalhar em lazer. Ao invés de fazer ‘scroll’ para ver publicações pessoais, faço-lo para ir vendo o que de importante acontece e assim ‘alimentar’ o Infocul. O meu dia, infelizmente, tem apenas 24 horas, pois eu tento sempre nunca deixar um e-mail desse dia sem tratamento ou resposta, além de todos os outros afazeres da minha profissional como notícias, entrevistas, reportagens, reuniões, etc.

 

 

És Jornalista? Tens carteira profissional? Como escreves notícias e fazes reportagens daí a minha pergunta…

Sim e Sim.

 

 

Quantas pessoas integram o Infocul?

Neste momento somos 10, incluindo elementos apenas com espaço de opinião. Mas espero que a família cresça.

O que é mais difícil para ti?

Pergunta complicada. Vou cingir-me ao Infocul. O mais difícil é ser coerente e não abdicar da verdade. Uma linha editorial deve ser coerente, quem visita um site ou lê determinado Órgão de Comunicação Social deve identificá-lo logo, e isso apenas acontece quando és coerente e claro no rumo que traças. A outra dificuldade é manter a minha verdade, porque sofre-se muitas pressões num meio em que todos acham-se Deuses e em que o Jornalista é vilão de manhã e bom à noite, ou vice-versa.

Já te arrependeste de algo que tenhas escrito?

Em termos de conteúdo não. Mas quanto à forma sim. Não sou dono da verdade, não sou perfeito. Gosto muito de ser humano e como tal estou sujeito ao erro. Ao longo de oito anos já errei, obviamente.

 

 

Já pediste desculpa a um artista?

Sim, já pedi. Por vezes cometemos ‘gralhas’ ou até mesmo erros nos textos e os artistas alertam-nos e nesse caso peço desculpa e corrijo. Não me custa nada e fico agradecido.

Qual a entrevista que menos gostaste de fazer?

(risos) Pergunta gira mas difícil porque já não me lembro de todas as entrevistas que fiz. Mas não vou fugir à questão. Por entre várias que poderia dizer, fico-me por uma feita ao José Cid, embora já lhe tenha feito outras bastante interessantes.

Sempre sonhaste fazer isto?

Não. Quando era miúdo sonhava ser cavaleiro tauromáquico ou treinador de futebol.

 

Qual o concerto que mais gostaste?

Txi agora… São mesmo muitos. Não quero fugir à questão mas não consigo dizer apenas um. Felizmente, e agradeço à vida por isso, já estive em muitos e bons concertos.

 

 

É possível fazer uma crítica negativa a um espectáculo de um amigo?

Claro que sim. Durante os eventos, seja em que área for, não olho para o artista como o meu amigo. Até porque eu sou amigo de pessoas e não de artistas. Tudo muito bem separado, felizmente.

Já foste ameaçado por algo que tenhas escrito?

Sim, muitas vezes. Mas já não ligo e nem magoa. Percebo a frustração de receber uma crítica, eu também as recebo. Daí a ameaçar alguém é uma questão de carácter e eu não posso exigir que todos o tenham. Na vida temos que saber aceitar que há pessoas que valem muito pouco, ou até mesmo nada.

 

 

O que mais gostas daquilo que fazes?

Dos Afectos. Sendo uma área em que estão envolvidas a investigação, a crítica e a opinião, os afectos acabam por fazer tudo valer a pena. Algumas das pessoas mais importantes da minha vida conheci-as nesta área.

O Infocul é isento?

(risos). A opinião cabe a quem assina os textos. Mas em termos de notícia, não confundir com artigos de opinião ou crítica, somos factuais.

Como reages ao facto de dizerem que és o Infocul?

(risos). Eu sou o mentor do projecto e o máximo responsável, mas o Infocul são todos aqueles que o integram. O Infocul não teria a qualidade que tem, sem qualquer arrogância minha, sem a contribuição dos meus miúdos (que por acaso são todos, excepto a Cátia, mais velhos que eu).

 

 

Sou contra a tauromaquia e gostava de saber quando deixam de promover essa barbárie.

Eis um tema polémico. Começo por agradecer a questão/observação. Não vamos deixar de incluir a tauromaquia na linha editorial. É parte integrante da cultura portuguesa, além de muitos outros países, e como tal cabe-nos, como órgão de comunicação social generalista com destaque cultural, noticiar da mesma forma como fazemos em outras áreas como música, cinema, teatro, televisão, turismo ou actualidade. 

Porque insistem na tauromaquia?

No seguimento da questão anterior, feita por outra leitora, digo que em termos culturais o Infocul tem três eixos principais que não vai abdicar: Fado- Cante Alentejano- Tauromaquia. Temos apostado nestas áreas desde o início do projecto, a equipa está toda focada nesta ideia e os resultados dão-nos razão. Mas mesmo que não tivéssemos projecção nestas áreas, o que não é o caso, manteríamos a aposta por uma questão de preservação dos valores culturais de Portugal.

 

 

Porque é que agora dão notícias sem ser de cultura?

Sempre o fizemos, agora apenas temos mais conteúdos.

Qual o artista que gostaria de ter entrevistado?

Eu gosto mesmo é de conversar com pessoas. Há artistas brilhantes mas que são péssimas pessoas e boas pessoas que são maus artistas. Mas não há ninguém que eu tenha particular interesse em entrevistar, a vida encarregar-se-á de colocar no meu percurso quem a isso estiver destinado.

 

Qual o artista mais arrogante que entrevistaste?

São vários. Daria uma lista enorme. Por norma isso acontece quando sabem que o seu trabalho não é de indiscutível qualidade. É um acto para esconder a insegurança.

Já foste subornado para elogiar alguém?

(risos) Não. O valor seria elevado e maioria dos artistas em Portugal ganha mal (segundo eles…).

 

 

Existe publicidade no Infocul?

No Infocul e em todos os Órgãos de Comunicação Social. Não devemos é misturar ou confundir publicidade com opinião.

Já te disseram que as fotografias do Infocul são muito boas?

Felizmente já disseram muitas vezes. O mérito é dos fotógrafos e eu não sou fotógrafo. Mas concordo com esse elogio (risos).

Qual o maior problema do Fado?

Tem vários, o maior deles é o excesso de maus fadistas e cada vez vez menos acontecer Fado.

Porque não fazem eventos no Norte?

Isso não é verdade. Fazemos vários e só não fazemos mais devido a organizadores, produtores e municípios.

 

 

Nota: Apenas não foram respondidas duas questões. A não resposta a essas questões deve-se ao facto de as mesmas nada se relacionaram com o Infocul e/ou com a equipa do Infocul.

One thought on “Editorial. Rui Lavrador: “Não vamos deixar de incluir a tauromaquia na linha editorial. É parte integrante da cultura portuguesa”

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    Gostei muito. Se continuar na linha que expôs tem mais um indefectível leitor e apoiante. Parabéns sinceros dum fervoroso aficionado e ex- forcado dos anos 60. Um abraço amigo . Alexandre Lourenço Marques

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