Há Artistas a morrer enquanto glorificamos o ‘Mais Mal Vestido’ Eurovisivo. Bravo, Conan!

 

 

Artistas a passar fome. Artistas em pobreza extrema. Artistas a serem desalojados por não terem trabalho que lhes permita pagar a renda. Povo ignora isto e mediatiza o mais ‘mal vestido’ do Eurovisão. Não satisfeito, o povo mostrou que é dedicado aos assuntos do país e do mundo e a abstenção roçou os 70%. Bravo, Portugal!

No passado domingo, e finalmente, a actuação de Conan Osiris no Eurovisão foi premiada. Neste sentido, foi galardoada com o prémio de mais mal vestido.

Nada mau e motivo de regozijo para um povo que se quer progressista.

Exceptuando os excitados eurovisivos que vivem apenas uma vez por ano, morrendo de tédio no restante espaço temporal, ninguém augurava nada de positivo a um entertainer e a uma performance demasiado aquém do mínimo de qualidade exigível.

Salvaguarde-se o respeito que deve existir pelo cidadão Tiago Miranda e pelo entertainer Conan Osiris, contudo nem todos temos de gostar de toda a ‘arte’ que nos é apresentada.

Prefiro enquadrar Conan Osiris numa vertente de entertenimento, que tem claramente e por mérito próprio o seu espaço, do que numa vertente de arte.

No final do festival da canção em Portugal o êxtase era imenso e já tínhamos ganho o Eurovisão. O tempo foi correndo e as previsões eram cada vez mais negativas. Mas entretanto as comparações com Variações e Salvador Sobral eram cada vez maiores. E é aqui que entra a pouca sabedoria da geração carneiro que se manifesta por tendencialmente andar em rebanho (o PAN vai adorar esta comparação) e por pouco se questionar.

A novidade por norma costuma entusiasmar e turvar o pensamento e é aqui que entra uma inversão de valores que deve ser reflectida. Deveremos primeiro questionar, investigar, analisar e apenas depois agir e opinar. Actualmente existe o inverso.

Conan ganhou destaque jamais imaginado e muitos contratos que sem o festival da canção seriam apenas miragem. Mas e agora? E o espaço que se retirou a verdadeiros artistas que lutam arduamente e que apenas produzem arte sem serem escandalosos? E o tempo que se perdeu a falar de algo que nem na história do Eurovisão ficará, por motivos positivos? E a pobreza que muitos artistas continuam a ter, muitas vezes sem nada para comer? Nada disto interessa, quando há um rapaz mal vestido que surge e cria um boom nas redes sociais, promove-se a influencer de gente sem pensamento próprio e envergonha Portugal no que à música diz respeito.

A mesma vergonha que uma taxa de abstenção próxima dos 70% deve criar num povo moribundo de valores e de baixo preço, facilmente comprável por uma campanha bem realizada ou uma máquina comercial minimamente oleada.

Dois momentos que são o espelho real do povo português actual, longe dos tempos de bravura dos descobrimentos. Longe vão os tempos dos valores da família, da religião e do amor. Agora estamos no tempo, fútil e de prazo limitado do #LikeMe #Follow #Influencer e outras ‘cenas’ mais. ‘Tás a ver bem a cena?’ e a ‘Topar’ este texto?

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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