Escrevo estas linhas, passado exactamente 6 meses em que mudei de vida. Quer dizer, a vida é a mesma, o que mudou foi a minha vinda para Lisboa deixando o meu Porto.

Sempre tive um fascínio muito grande pela capital, as suas gentes, o seu sol, a velocidade muito própria da cidade, o seu Fado e todo um lado cultural que me preenche as medidas. Não pensem que o Porto não tem os seus encantos, que a sua gente não é especial ou que não existe bom Fado por lá, o meu encanto por Lisboa é que não tem explicação, pelo menos uma visível.

Acho que sempre fui daqui, que o meu coração e até a minha vida sempre souberam que mais tarde ou mais cedo eu viria viver para cá. Mas não foi algo imediato, foi algo que teve o seu tempo. Acho que o tempo certo. Passei uns bons anos a viajar para Lisboa, folgas e férias eram passadas cá com a alegria e expectativa de se viajar para o estrangeiro. Era quase um retorno a casa, quando eu saía era de casa.

Fui conhecendo a cidade e os seus encantos, fui fazendo bons amigos, principalmente criando uma nova família, visitando Museus, edifícios, monumentos e vivendo toda a música e todo o Fado possível de se viver. Sem preconceitos ou ideias pré concebidas.

A viagem para o Porto era sempre acompanhada por um misto de saudade com a expectativa do próximo regresso. Muitos km feitos, quase sempre de comboio pois tenho um medo enorme de voar, e as três horas de viagem permitiam algum sono e descanso.

Entretanto surge a oportunidade de mudar de cidade, não num fim de semana ou numas férias mas o tal mudar de vida que escrevi no início do texto. Algum receio, receio esse que só veio no embalar e encaixotar de toda uma vida, mas com a certeza que estava finalmente a voltar a casa. E passaram seis meses, meio ano, olho ao redor e a minha nova casa é a casa que me imaginei um dia a ter, os amigos das “visitas de médico” passaram aos amigos de todos os dias, e a cidade, ah, a cidade, continua a deixar-me maravilhado sempre que passeio ou viajo simplesmente por ela.

Um dia uma senhora dada às espiritualidades disse quando me conheceu que “eu era o Terreiro do Paço, solarengo, movimentado, pronto a abraçar as pessoas que passavam por ele”, na altura sorri e não dei muita importância às palavras. Hoje em dia penso nelas muitas vezes. Diz-se que a nossa casa é onde nos sentimos bem, eu mesmo com saudades do Porto e da minha gente de lá, sinto que estou em casa. É bom ter regressado a casa após estes anos todos.

Até ao próximo Vento Norte sejam (sempre) felizes.

3 thoughts on ““Lisboa menina e moça”

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    Fantástico, genuíno e verdadeiro como tão bem te caracteriza!
    O teu coração é enorme, não se resume ao norte e sul…tu és Mundo ❤️🙏

    Beijinho enorme

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    Vim para Lisboa há muitos anos atrás, não escrevo tão bonito mas se escrevesse era mais ou menos isto que poderia ter escrito na altura.

    Bem haja.

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    Emocionado.
    Obrigado

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