Setembro é sempre um mês de perder o fôlego, físico e financeiro. Regresso de férias e às aulas/trabalho, reentrada cultural, política e estudantil. O mês em que dizemos adeus ao verão e olá ao outono!

O Santa Casa Alfama é o maior festival de fado do mundo. Realiza-se num dos mais carismático e fadista bairros alfacinhas e cumpriu, este ano, a sua sétima edição. Durante a sua existência mudou o nome mas não o conceito.

Tem sido incubadora de alguns dos nomes que agora despontam e integram os cartazes musicais nacionais e internacionais. Um desses exemplos é Sara Correia. Surgiu em bruto, está a construir o seu percurso e neste momento é um espanto vê-la em palco.

No dia 28, o segundo dia do festival, foi o nome que mais se ouviu em Alfama devido ao concerto do dia anterior. Justo, merecido!

Mas não quero deixar de destacar dois nomes: Tiago Correia e José Geadas. O primeiro esteve poderoso e o segundo confirmou o brilhantismo do ano anterior, em que actuou no mesmo palco.

Dos mais novos, o futuro da tradição, merecem-me referência estes três. E este deve ser um do objectivos da imprensa. Ir dando a conhecer, cabendo ao público decidir se gosta ou não, aqueles que ainda não têm páginas e páginas dedicadas a si.

Era fácil, muito até, chegar a um festival e apostar apenas nos cabeças de cartaz. Mas isso é o óbvio. A imprensa não pode ser, apenas, óbvia. Tem de ter rasgo, risco, coerência, isenção, pedagogia e, claro, qualidade.

O Santa Casa Alfama, independentemente dos gostos, é o maior festival de fado do mundo e este ano houve interessante mescla entre os mais antigos e os mais novos, o tradicional e o contemporâneo, o profissional e o amador. Eclético. E que deve deixar a organização e programação do mesmo satisfeitos!

Lamenta-se apenas que os mal-amados do Fado continuem a criticar tudo. Mas depois também não os vemos actuar em lado nenhum. Será um problema de quem programa ou deles próprios? Porque se, realmente, têm qualidade, então deveriam ser contratados noutros locais, certo?

Estivemos na celebração dos 75 anos do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa (quer na inauguração da exposição dedicada a Nuno Salvação Barreto, quer na corrida de touros realizada no Campo Pequeno).

Num fim-de-semana em que decorreram importantíssimos eventos (José Carreras no Altice Arena, homenagem a Joaquim Bastinhas em Elvas, etc…) era humanamente estar em todos os locais e fizemos escolhas. Criticáveis claro, não as querer entender caberá aos objectivos de cada um. Acresce que as reacções estão cada vez mais limitadas no que a recursos humanos diz respeito.

Já em Outubro, destaque para a Feira de Outubro (e respectivo salão de artesanato) em Vila Franca de Xira e que promete levar milhares de pessoas a esta cidade ribatejana para apreciar o artesanato, a gastronomia e, claro está, a tauromaquia. Um povo sem memória e sem história é, por certo, um povo sem glória!

O jovem Diogo Carapinha apresentou o seu disco, ‘Estórias’, em Montargil. O Infocul esteve presente e que bom foi ver mais um jovem valoroso a querer afirmar-se no Fado.

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