Será que somos umas verdadeiras vítimas do famoso algoritmo ou será que somos nós que nos colocamos a jeito para sermos vítimas do malfadado algoritmo. Não serão as nossas escolhas que fazem com que o algoritmo responda de uma determinada forma quando nos conectamos à Internet?

No outro dia, estava à conversa com uma amiga, que afirmava, com grande convicção, que um determinado órgão de comunicação social online dava muita importância a um destes novos políticos da demagogia populista de extrema-direita. Eu contrapus, dizendo que lia o referido órgão de comunicação social e que não via assim tantos artigos sobre o dito político. Não sendo ela dessa área política, nem por aproximação, perguntei-lhe na minha inocência, mas como é que isso é possível? Ao que ela respondeu-me prontamente, porque leio tudo o que diz respeito a essa pessoa. Estava dada a resposta, o algoritmo faz desse político um hit nas escolhas desta minha amiga. Sinceramente, na minha opinião, e no que toca a esse tipo de políticos, não precisamos de ler tudo, na verdade basta ler uma ou duas coisas que chega para tirarmos todas as conclusões necessárias.

É óbvio que também pesquiso na Internet coisas que vão contra as minhas convicções e gostos, mas sinceramente, como não quero ser inundado com esse tipo de informação, não faço dessas pesquisas a minha prioridade, nem obsessão. Por isso devemos fazer pesquisas pontuais e certeiras para não sermos constantemente “violados” com o que não interessa.

Também temos de ter em conta que o mesmo algoritmo cria estatísticas, que se pensarmos bem, não gostaríamos de fazer parte delas. Por exemplo, se por um determinado artigo tiver muitas visualizações estamos a contribuir para o seu “sucesso”. Usando o exemplo da minha amiga, ao ler tudo sobre o dito político, ela contribui activamente para o sucesso dos artigos sobre ele ou sobre o ele diz, fazendo com que exista uma deturpação do verdadeiro alcance das ideias desse tipo de políticos.

Para além de todas estas maldades do sr. algoritmo pode fazer, também não nos podemos esquecer, que as nossas escolhas, principalmente nas redes sociais, mas também na imprensa online, podem influenciar indirectamente o algoritmo daqueles com que mais interagimos na Internet.

Assim, não só somos bombardeados com informação que não devíamos seguir, como fazemos activamente parte da estatística dessa informação, e ainda podemos induzi-lá ao nossos amigos.

Vale a pena pensar nisto.

Duarte Nuno Vasconcellos

Licenciado em História pela Universidade Autónoma de Lisboa, fez alguns trabalhos na sua área de formação mas cedo começou a trabalhar em produção. Iniciou o seu percurso profissional pelas mãos de Simone de Oliveira, como assistente de produção para o programa de entrevista da RTP Internacional Café Lisboa, em 1998. Entre 1999 e 2002, exerceu funções como produtor de locais, produtor de exteriores e responsável de elenco adicional e figuração no grupo NBP, hoje Plural Enterteinement. A sua ligação ao teatro começa em 2003 quando assume funções de produção e responsável de bilheteira da Companhia Teatral do Chiado. Função que ocupou até 2007, voltando a ocupá-la entre 2009 e 2011. Entre 2007 e 2009 fui produtor na Mandala e booker de actores e gestor de backoffice na Elite Portugal. Fundou, em 2011, a Buzico! damos palco às suas paixões, inicialmente actuado como produtora de espectáculo, Buzico! Produções Artísticas, em 2014 lançou a área de agenciamento de actores, a Buzico! Actores, e no início de 2018 lançou a B! Motion, vocacionada para o desenvolvimento de conteúdos audiovisuais, bem como, a gestão e programação do Canal de Youtube com o mesmo nome. Em 2017, foi convidado pelo CDS Lisboa a integrar as listas da candidatura Nossa Lisboa à Assembleia de Freguesia da Misericórdia, para qual foi eleito a 1 de Outubro. Em Maio de 2018, foi convidado pelo Presidente da Concelhia de Lisboa do CDS, Diogo Moura, para ser Coordenador da Área da Cultura do Conselho Consultivo de Lisboa.

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