O Palco do Mundo – O que fica… a saudade e capacidade que temos de os manter vivos, enquanto vivos formos

 

 

A minha última semana mudou a minha vida. Ao início da madrugada de domingo, dia 29 de Setembro, chegava a notícia, que sempre esperamos um dia receber, mas que na verdade, nunca estamos preparados para ela. Passavam alguns minutos da 1h30 quando vi uma mensagem e um conjunto de chamadas não atendidas, e todas traziam a mesma notícia, a minha avó materna, a última viva dessa geração familiar, acabava de falecer.

Tive a felicidade de ter tido os meus quatro avós vivos até entrar na idade adulta, a partir daí, fui os perdendo, fisicamente, ao longo dos últimos 26 anos (fará este mês). Sim, digo fisicamente, pois encanto eu vivo for e quanto eu tiver memória, eles vão estar sempre comigo. Os seus ensinamentos, as suas personalidades e as suas formas particulares de estar na vida, foram e são um exemplo a seguir. Claro que o nosso cérebro está preparado, para na maior parte dos caso e do tempo, lembrarmos-nos somente do bom e tendemos a esquecer o menos bom, mas como qualquer pessoa é nessa dicotomia, entre o bom e o menos bom, que nos torna especiais. Por isso digo, os meus avós eram pessoas muito especiais.

Claro que eu não sou o que sou, por influência directa dos meus pais, e assim sucessivamente, mas a minha ligação e proximidade com os meus avós, também fez com que deles eu bebe-se muito do que sou hoje. O que recebi de cada um deles foi diferente dos que os filhos, meus pais, receberam. Por isso revejo-me em todos, país e avós.

No entanto, o luto nem sempre vem no imediato. No imediato, vem a racionalização do que aconteceu porque há muitas decisões que têm de ser tomadas. Passado esse primeiro embate emocional, que mistura a confrontação com a perda física e a burocracia dos homens, entramos no estádio da saudade, da interiorização da perda física, da dor dos automatismos diários, que deixam de existir, mas que vão existindo por mais um tempo, no fundo de todos os hábitos que tínhamos com aquela pessoa.

Ao fim dos sete dias, após a morte da minha avó, regressei a Lisboa. Agora à dor da perda, parece que se acrescenta uma dor especial pelo peso da distância, que partilho com os meus entes queridos e directos. No caso específico, a minha mãe e a minha tia. Quando escolhemos viver este tipo de distância física, estamos a colocar um valor acrescentado à nossa dor.

No meu caso específico, comecei a sentir essa dor, ontem, que nos marca como um ferrete em brasa. O tempo trará a nossa reconciliação com o Divino e com o mundo terreno.

Assim, e porque tive a felicidade, de ter avós até tarde, aconselho-vos, a que ainda os tem, que os minem muito pois eles também são a fonte da nossa vida. Mas não o façam só ao avós, façam-no também, aos vossos pais, aos vossos familiares próximos e principalmente à família que escolhemos ao longo a vida, os nossos amigos.

Vale a pena pensar nisto!

Duarte Nuno Vasconcellos

Licenciado em História pela Universidade Autónoma de Lisboa, fez alguns trabalhos na sua área de formação mas cedo começou a trabalhar em produção. Iniciou o seu percurso profissional pelas mãos de Simone de Oliveira, como assistente de produção para o programa de entrevista da RTP Internacional Café Lisboa, em 1998. Entre 1999 e 2002, exerceu funções como produtor de locais, produtor de exteriores e responsável de elenco adicional e figuração no grupo NBP, hoje Plural Enterteinement. A sua ligação ao teatro começa em 2003 quando assume funções de produção e responsável de bilheteira da Companhia Teatral do Chiado. Função que ocupou até 2007, voltando a ocupá-la entre 2009 e 2011. Entre 2007 e 2009 fui produtor na Mandala e booker de actores e gestor de backoffice na Elite Portugal. Fundou, em 2011, a Buzico! damos palco às suas paixões, inicialmente actuado como produtora de espectáculo, Buzico! Produções Artísticas, em 2014 lançou a área de agenciamento de actores, a Buzico! Actores, e no início de 2018 lançou a B! Motion, vocacionada para o desenvolvimento de conteúdos audiovisuais, bem como, a gestão e programação do Canal de Youtube com o mesmo nome. Em 2017, foi convidado pelo CDS Lisboa a integrar as listas da candidatura Nossa Lisboa à Assembleia de Freguesia da Misericórdia, para qual foi eleito a 1 de Outubro. Em Maio de 2018, foi convidado pelo Presidente da Concelhia de Lisboa do CDS, Diogo Moura, para ser Coordenador da Área da Cultura do Conselho Consultivo de Lisboa.

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