No seguimento do primeiro texto da rubrica ‘O Psiquiatra’, e como prometido, respondo a três perguntas que nos fizeram chegar através de e-mail, do site e das redes sociais.

Margarida Carvalho

A minha primeira abordagem é sobre a bipolaridade. Gostaria de aprofundar este tema, tenho um filho com esta doença e tenho grande dificuldade de perceber até onde vai a doença. Para poder ajudá-lo de forma assertiva quero perceber melhor:

Bom dia, Margarida. Primeiro é preciso entender que a Doença Bipolar tem um espectro alargado, subdividido em vários tipos consoante a gravidade e/ou sintomatologia da mesma. Não sei onde se encaixa o seu filho. Mas resumidamente, a Doença Bipolar é caracterizada por mudanças intensas e antagónicas de humor (Depressão / Hipomania – Mania), que ocorrem em tempos distintos, que se designam por episódios e que podem ter duração variável de dias a meses. Entre um episódio e outro pode haver períodos de normalidade. As crises podem ser leves, moderadas ou graves, com repercussão importante nas sensações, emoções, ideias e comportamento da pessoa, com considerável impacto na sua vida social. De salientar, que em fase de crise, a pessoa poderá não ter consciência do seu estado e não ser responsável pelas suas acções.

Não há tratamento que a cure por completo, mas existe a possibilidade de manter a doença controlada. Conhecer assim, mesmo que superficialmente, algumas das características da Doença Bipolar, ajuda o encontro e compreensão solidária com a pessoa que a sofre, possibilitando um maior entendimento e procura de tratamento médico adequado.

Maria José Vasconcelos

Boa noite Dr. Rogério. Sei que a medicação para a ansiedade não a trata, apenas atenua os sintomas e, tendo a capacidade de antecipar a ocorrência de uma crise, evitá-la ou pelo menos minimizá-la. Perante esta evidência, o papel do Psiquiatra é fundamental na fase de diagnóstico e de medicá-lo numa fase inicial até que o paciente “aprenda” a gerir este quadro clínico, A minha dúvida prende-se com o acompanhamento posterior… irá o paciente depender da medicação ou será orientado para terapia alternativas como forma de se libertar dessa dependência química?

A ansiedade é uma emoção, caracterizada por um sentimento de inquietação e preocupação, geralmente generalizado e sem foco, como uma reacção exagerada a uma situação que é apenas subjectivamente vista como ameaçadora – expectativa de uma futura ameaça. É uma emoção protetora, que quando se torna castradora e impeditiva do funcionamento adequado do indivíduo perante as suas responsabilidades/social/pessoal, torna-se patológica – as designadas perturbações de ansiedade, que podem tomar diferentes características.

Quanto ao seu acompanhamento e evolução clínica (não focando nenhum tipo de perturbação de ansiedade específica), não existe nenhum tratamento ou acompanhamento linear. O mesmo pode ser simultaneamente feito farmacologicamente com psicoterapia, apenas farmacologicamente ou apenas com psicoterapia. O tipo de orientação irá variar consoante a pessoa, a sua personalidade, o tipo de perturbação de ansiedade e a gravidade dos sintomas, entre outros tais.

Luísa Gusmão

A medicação psiquiátrica afecta o desempenho sexual?

Sim e não! Independentemente da classe do psicofármaco, mas sem extrapolar à sua totalidade, regra geral, existem efeitos secundários associados à sexualidade, nomeadamente diminuição da líbido ou o seu inverso, entre muitos outros. Não obstante, não é absoluto que tal aconteça da mesma forma em todas as pessoas que tomam psicofármacos com esse tipo de efeitos secundários descritos, tal como esses efeitos secundários não acontecem em todas as pessoas.

Rogério Vieira

Médico de Psiquiatria desde 1 de Janeiro de 2017 no HESE, HSM e Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa - CHPL; Médico Interno de Ano Comum no HSEIT, Ilha Terceira, Açores em 2015/2016; Mestre em Educação e em Cidadania pela Universidade dos Açores - UAC; Membro da Associação Portuguesa de Internos de Psiquiatria - APIP, desde 2015; Representante dos Internos de Psiquiatria do HESE em 2017/2018; Presidente do Conselho Fiscal da Associação Portuguesa de Internos de Psiquiatria - APIP; Representante da Associação Portuguesa de Internos de Psiquiatria - APIP, na Federação Europeia de Internos de Psiquiatria - EFPT, em 2019; Colaborador no Congresso anual da Associação Psiquiátrica Alentejana - APA, desde 2017 ; Mestrado Integrado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa - FMUL; Licenciatura em Enfermagem, pela Universidade dos Açores - UAC; Formação Pedagógica Inicial para Formadores pela Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo - SCMAH; Colaborador no Jornal Diário Insular, a União e Sinais Vitais, com vários artigos publicados; Curso de Tripulante de Ambulância de transporte - TAT pela Cruz Vermelha Portuguesa da Ilha Terceira; Curso de Traumatologia e Resgate Em Altura - Salvamento em Grande Ângulo, pela Cruz Vermelha Portuguesa da Ilha Terceira; Curso de Pré Hospital Trauma Life Suport - PHTLS, pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia; Curso de Socorrismo Básico, pela Cruz Vermelha Portuguesa da Ilha Terceira; Oficial de Ambulância na Cruz Vermelha Portuguesa da Ilha Terceira em 2005; Membro Fundador e Vogal da Secção da Assistência Médica Internacional - AMI, da Ilha Terceira de 2003 a 2006; Locutor na Radio Horizonte Açores de 2000 a 2004; Dirigente Desportivo e antigo atleta da Associação de Karaté dos Açores - AKA;

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