O que (não) liga David Carreira a Joaquim Bastinhas?!

 

 

 

Numa era digital, cada vez mais aclamada pelas novas gerações, estamos num vertiginoso e perigoso caminho de perda de identidade. E quais as consequências disto? Vastas e perigosas.

Esta semana ficou marcada pela fake news da detenção de David Carreira nos Estados Unidos. Uma fake news confirmada por uma fake fonte, neste caso agente do artista. Isto significa que um dos maiores influenciadores da actualidade nacional, seguido por milhões de pessoas, decidiu brincar e faltar ao respeito dos jornalistas fazendo-os perder tempo a dar uma notícia falsa. Além de a situação ser ridícula e ter sido usada para promoção do seu novo videoclip, espantem-se que houve ainda vários fãs do artista a estarem contra a imprensa que fez apenas o seu trabalho.

Na passada quinta-feira houve sentida homenagem a Joaquim Bastinhas, cavaleiro tauromáquico falecido no final do ano passado, numa corrida de touros mista no Campo Pequeno. Dois terços de lotação preenchidos para homenagear o mais popular cavaleiro das últimas décadas e cuja popularidade ultrapassou as arenas, sendo notada e forte a sua presença em outros sectores da cultura nacional.

E o que liga David Carreira a Joaquim Bastinhas? Um lança uma mentira para se promover. O outro fez da sua arte uma escola de valores, seguidores e com enorme respeito pelo público. E aqui nem se trata se gostamos ou não de touradas. Ou se quisermos ir por esta questão, também podemos ir.

Um mentiu para se promover. O Outro nunca mentiu sobre a sua arte. Um tem milhões de seguidores, o outro apenas milhares. Quanto valem os valores como a verdade, a honestidade e o respeito?

Os movimentos, minoritários, que apregoam a liberdade, esquecem-se que regra básica e sine qua non da mesma são o respeito pela liberdade dos outros. Significa isto que não podemos apregoar a liberdade, impedindo a liberdade dos outros. Se não gostamos de carne, podemos ser vegetarianos. Mas não podemos impedir quem gosta de carne de a poder comer. Por muito que isto vos possa parecer La Palice, acreditem que muitos licenciados, activistas e doutorados deste país, desconhecem tais pedras basilares de uma educação e postura cívica para quem vive em sociedade.

Já vi espectáculos de David Carreira, bons por sinal em termos de produção, apesar de eu não ser apreciador da sua música. E vi muitas corridas em que Bastinhas participou. Aliás, foi devido a uma aclamação que o meu avô materno tinha por este cavaleiro que me tornei aficionado (escusam de lançar bandarilhas, porque não adianta…). E o facto de já ter estado em vários espectáculos, de norte a sul do país, no estrangeiro também, e de já ter entrevistado diversas personalidades, conhecidas e não conhecidas, rurais e citadinas, pobres e ricas, que me dá conforto moral para poder respeitar gostos e ideais diferentes. Mesmo não concordando com alguns!

No fundo gostava que através deste texto pensem no que verdadeiramente importa. A proibição que queremos impor, hoje, a alguns, poderá vir a ser a proibição, noutra área, que alguns nos poderão impor a nós.

As minorias estão cada vez mais extremistas e é isto que as impede de ser tornarem maiorias. A não ser que a incompetência extrema das maiorias o permita. E há espaço para maiorias e minorias, com respeito e liberdade de ambas as partes, sem nunca deixarem de defender os seus ideais.

Não acreditem em tudo o que vos é dado a consumir nas redes sociais, o que vos é vendido gratuitamente. Investiguem, pesquisem, informem-se, questionem. Porque a ignorância pode ser abolida, mas a burrice é uma opção. Não aceitar a liberdade de alguém diferente de nós é burrice. Aceitar a liberdade do outro, mas defendendo os nossos valores e ideais é inteligência. E isto serve para os fãs de David Carreira, para os detractores de David Carreira, para os aficionados de tauromaquia e para os anti-touradas.

Por falar nisso, assistiram ontem na TVI o debate sobre tauromaquia? Perceberam a importância de ser factual e não apenas vender o que peixe que nos querem impingir? Não, não estou a tomar posição. Estou a constatar que uma das partes apresentou factos e a outra apresentou ideais e uma postura de ataque descontextualizado.

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