Reparei que em Castelo Branco toda a gente usa o “bem haja”. Gosto desta expressão, é uma espécie de “obrigado sentido”. Não o “obrigado de boa educação” ou o “obrigado de rotina”, mas o “obrigado” de quem quer dizer: “vi o que fizeste ou ouvi o que disseste e estou-te muito grato por isso!”.

Mas o contacto intenso que tive com os albicastrenses (músicos, técnicos, directores, público, imprensa, restauração, hotelaria) fez-me perceber que usam o “bem haja” de forma coerente. Ou seja, são um povo generoso na hora de agradecer e expressam-no de forma sentida e muito calorosa.

Vem isto a propósito do concerto do passado dia 26 de Janeiro, no Cineteatro Avenida, o primeiro da digressão KM 4.0, que nos vai levar a percorrer os caminhos de Portugal.

Tive o grato prazer e honra de poder contar com a fantástica colaboração da Orquestra da Viola Beiroa, ensaiada pelo Miguel Carvalhinho, que reúne um grupo de doze jovens, quase todos acima dos 50 anos, que se dedicam com paixão a tocar este instrumento típico da zona, que está agora a ser recuperado. Como se não bastasse, ainda têm a mais valia da bonita e melodiosa voz da Raquel Maria.

Quinze dias antes do concerto fui ensaiar com eles no seu “quartel general”, que tem uma oficina onde um artesão (cujo nome lamentavelmente não fixei) constrói e trata dos seus instrumentos. Foi muito comovente ver algumas das minhas canções ganharem outra vida e outras cores nas cordas deste nobre e bonito instrumento. Gostei particularmente da forma como o “Submarino Irrevogável” evoluiu de uma espécie de reggae para uma sonoridade quase medieval.

Como digo sempre, a música é um acto de partilha, e sempre que as minhas canções se cruzam com o ADN de outros músicos ficam mais ricas. Elas e eu.

Termino esta crónica como comecei, realçando a generosidade dos albicastrenses. Por onde tenho passado tenho tido a felicidade de ouvir muitos elogios à minha música e aos que me acompanham nesta jornada, mas aquilo que ouvi e li nos olhos dos que vieram falar comigo no fim do concerto foi muito especial. Como especiais foram as palavras que o programador Carlos Semedo me dedicou na sua página de facebook, no dia seguinte. São coisas que guardarei na memória dos afectos e que espero poder vir a retribuir na próxima visita a esta bela e inspiradora cidade.

Não podíamos ter começado melhor, sendo que na próxima jornada “jogamos em casa”: 15 de Fevereiro no Centro Cultural Olga Cadaval em Sintra.

Fotografias: Cine Teatro Avenida e Rogério Charraz

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.