Portugal 4.0 por Rogério Charraz: “Deixou-nos de alma cheia e vontade de voltar”

 

 

Vou começar esta crónica pelo fim. Devia ser perto da uma da manhã quando chegámos ao hotel, felizes com a nossa prestação e com a reacção do público, e com os níveis de adrenalina ainda longe de estabilizarem. Decidimos ir beber um copo para o rescaldo da noite e para acalmar a pulsação.

Estacionámos a carrinha carregada de material no parque do hotel e dirigimo-nos à recepção para perguntar o que estaria aberto àquela hora. Ouvidas as sugestões do simpático funcionário, pedimos que nos chamasse um táxi, afinal, ainda eram 10 minutos a pé e os corpos já acusavam o desgaste da viagem e do concerto…

Foi com espanto que recebi a resposta: “Isso é que vai ser mais difícil, a esta hora não há táxis a circular na Guarda…” Para os mais distraídos, Guarda é uma cidade, capital de distrito, com mais de 26 mil habitantes. E não tem um único táxi a circular, à 1h da manhã de uma quarta-feira… Acho que este simples facto diz muito sobre as desigualdades deste País…

Mas felizmente tem um Teatro Municipal fantástico, com vários espaços e uma programação variada e de grande qualidade. Ali fizemos a nossa estreia no passado dia 20 de Fevereiro. Cinco dias depois de termos levado mais de vinte músicos ao palco do Olga Cadaval, devolvemos as canções de 4.0 ao estado despido de um trio magnificamente servido pelo talento, entrega e dedicação do Paulo Loureiro no piano e do Jaume Pradas na bateria, servidos pela sensibilidade dos ouvidos e dos dedos do Vasco Teodoro.

O público que encheu o Café Concerto foi caloroso e entusiasta! Deixou-nos de alma cheia e vontade de voltar a uma cidade que precisa de táxis a circular, e tudo o que uma grande e bonita cidade merece!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.