Portugal 4.0 por Rogério Charraz: “É bom ouvirmos coisas diferentes, sair da nossa zona de conforto e desafiarmos os nossos sentidos”

 

 

No passado dia 15 de Março a digressão KM 4.0 passou por Arcos de Valdevez, incluída no cartaz deste ano do Festival Sons de Vez, um dos mais prestigiados do País.

Calhou-me dividir a noite com a Surma, nome emergente da música electrónica e finalista da edição deste ano do Festival da Canção.

A música que faço tem muito pouco a ver com a que a Surma faz. Basta ouvirem um tema nosso, seja ele qual for, para perceberem que o nosso universo sonoro é muito distante, tal como a forma como nos apresentamos em palco. Assim sendo, faz sentido termos sido programados para a mesma noite?

Para mim o que não faz qualquer sentido é continuarmos a rotular a música e a construir fronteiras onde elas não existem. O público que foi para me ver terá estranhado a música da Surma e vice versa, e mesmo os que foram sem conhecer nenhum dos projectos terão estranhado a diferença de ambientes. Mas isso não tem nada de negativo, pelo contrário. É bom ouvirmos coisas diferentes, sair da nossa zona de conforto e desafiarmos os nossos sentidos. Podemos não querer voltar a repetir, por não nos sentirmos identificados, mas interessa ter a curiosidade de ver e ouvir sem julgar previamente.

 

Digo mais, um dos grandes problemas dos artistas emergentes em Portugal é que a generalidade do público tem pouca curiosidade e não arrisca ir ver um artista que conhece pouco ou nada. Maioritariamente as pessoas mobilizam-se para ir ver os artistas que ouvem incessantemente na rádio ou na TV, e mesmo fora dos grandes centros urbanos, onde a oferta é muito mais escassa, não existe uma vontade de ir descobrir novos músicos e novos projectos, apesar de hoje, através da internet, ser muito fácil pesquisar e conhecer um artista. É a ditadura do mediatismo.

A pergunta que mais tenho dificuldade em responder é uma das que mais me fazem: qual é o teu estilo de música? Pois é, eu não tenho um estilo de música. Faço canções que umas vezes são pop, outras rock, outras ainda funk ou até mesmo reggae. Às vezes são baladas, outras com raíz popular e até uma espécie de morna ou bossa nova. Até já me aventurei pela dance music…

A minha música é livre de preconceitos. Vão ouvir um dos próximos concertos e depois digam-me vocês qual é o meu estilo de música.

 

Fotografias: Luís Pacheco.

 

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