Entrevista: Mara é portugalidade projectada no futuro, “essa raiz vai sempre fazer parte de mim”

Entrevista: Mara é portugalidade projectada no futuro, “essa raiz vai sempre fazer parte de mim”, revelou em entrevista ao Infocul.pt.

Entrevista: Mara é portugalidade projectada no futuro, "essa raiz vai sempre fazer parte de mim"

Texto e Entrevista: Rui Lavrador
Fotografias: D.R./ Promoção Warner Music Portugal

Mara é um dos nomes que mais se tem destaca recentemente na cena musical em Portugal.

Denisa Mara, natural de Porto Santo é cantora e compositora, licenciada em Educação de Infância, foi professora por 3 anos no Gabinete de Apoio à Expressão Musical e Dramática da Madeira  no 1.º ciclo. 

Em 2007 veio para o continente para participar na Operação Triunfo 3 e desde então ficou de armas e bagagens na zona da Grande Lisboa.

Marcou presença no Festival da Canção 2010, foi apresentadora televisiva do “Posto 7 “no canal MVM, percorreu todo o circuito de bares de música ao vivo com uma banda de covers e foi back vocal de alguns artistas de renome em Portugal, tais como Dengaz, Agir, Nenny, Filipe Gonçalves.

Em 2018 participou no The Voice.

A partir daí apostou no percurso a solo e já em 2020, e em conjunto com os produtores Xande e Filipe Survival, o projecto ‘Mara’ ganhou forma.

Agora, em entrevista ao Infocul.pt abordou o seu mais recente single, Fado Moço, bem como os anteriores ‘Severa’ e Coração de Pedra’. Porém, a conversa foi a outros áreas além da música.

Entrevista: Mara é portugalidade projectada no futuro, "essa raiz vai sempre fazer parte de mim"

Mara, a música foi sempre o objectivo principal em termos de carreira ou houve outras ideias e desvios?

Sempre foi o que senti mas fiz a vontade aos meus pais de licenciar me para ter uma vida mais “estável”, que passado uns anos de nada serviu porque cá estou eu na instabilidade. [risos]

‘Severa’, ‘Coração de Pedra’ e ‘Fado Moço’. Há alguma ligação entre estes três temas?

Não foram escritos para ter esta sequência, nesse sentido não estava pensada uma ligação. Mas no meu ponto de vista fazem todos parte da mensagem que eu quero passar com a minha música, nomeadamente liberdade, igualdade e união.

Festival da Canção, Operação Triunfo e The Voice Portugal. Qual a importância de cada uma das passagens que teve nestes programas?

Experiências que me trouxeram um pouco mais de sabedoria. Muito grata por todas.

A sua música, e corrija-me se eu estiver errado, tem uma clara ligação entre as raízes musicais portuguesas e uma noção de futuro. É uma demonstração de saber para onde quer ir, enquanto valoriza a identidade portuguesa ao nível musical?

Eu sou portuguesa e por mais que quisesse fugir a isso (que não foi o caso) há coisas que nos estão intrínsecas . Eu sei que essa raiz vai sempre fazer parte de mim. Como a vou pintar, é que pode ir bebendo de outras influências.

Recentemente lançou o ‘Fado Moço’. Qual a mensagem por detrás deste tema?

Liberdade de expressão. Seja musicalmente ou na vida. Sermos convictos que só nós sabemos o que é melhor para nós e como queremos traçar o nosso caminho.

Por norma a sua postura na interpretação é sempre muito enérgica. É assim também a nível pessoal ou é na música que acaba por libertar toda essa energia?

Acho que já fui mais energética. Apesar de ser uma pessoa bem disposta, não liberto toda a energia à toa, nem com toda a gente nem em todas as situações. É uma questão de equilíbrio.

Em termos de disco, há ideia de quando possa surgir?

Enquanto equipa, estamos a apontar para o início de 2023.

Há sempre uma necessidade de colocar um artista com ‘um rótulo’ em termos de género musical. Sem o querer fazer, pergunto-lhe como define a sua musicalidade?

Sim, não tento rotular me, deixo isso para quem me ouve, pra quem me procura.  Mas se me espremerem muito [risos] faço música com raiz portuguesa, influências do pop e beats do hip hop .

O que é que Mara pode trazer de novo ao mercado musical português?

Uma liberdade musical que carrega histórias comuns, com vontade de gritar ao mundo que estou e estamos aqui para sermos felizes.

Recuando ao tema ‘Coração de Pedra’, explique-me como surgiu aquela coreografia, que na minha opinião resultou muito bem…

Eu queria uma coreografia em círculo, por todo o simbolismo que essa figura representa (caso não tenham reparado, os círculos aparecem em todos os meus vídeos) Passei essa ideia ao meu coreógrafo Antônio Máximo e ele brilhantemente criou a coreografia que todos podem ver no videoclip.

Em termos de espectáculos, para quando novidades?

Esperando ansiosamente que em 2023 possa dar os meus primeiros concertos.

O que há do Porto Santo, de onde é natural, na sua personalidade?

A simplicidade. A necessidade de sonhar, imaginar e criar.

Como foi deixar a ilha para ser professora?

Comecei por dar aulas no Porto Santo e depois fui para o Funchal. Essa mudança não fez qualquer moça, mudar de uma ilha para a outra é só mudar de ares!

Gostou de ser apresentadora?

[forte gargalhada] Gostei! muito...

Como foi ser backvocal de alguns artistas mediáticos em Portugal? O que mais aprendeu nessa fase?

Foi a fase mais feliz da minha vida, sem dúvida. Aprendes as bases todas, que por norma um artista só aprende quando vai efectivamente para a estrada. Os percalços que existem na nossa profissão. A humildade que tens que ter cada vez que sobes ao palco e tens pessoas que se deslocaram até ali para te ouvir. Lidar com os concertos que não correm tão bem. Subires ao palco num dia que estás infeliz and the show must go on. O espírito de equipa, porque nenhum artista se faz sozinho. O respeito e compreensão do espaço de cada um. Lidar com o nosso ego e sermos gratos acima de tudo. Fez-me ter a certeza do sitio onde sou realmente feliz.

Quem é Mara numa única palavra?

Liberdade.

Entrevista: Mara é portugalidade projectada no futuro, "essa raiz vai sempre fazer parte de mim"

Artigos Relacionados

Siga-nos nas redes sociais

28,917FãsCurtir
12,945SeguidoresSeguir
308SeguidoresSeguir
201InscritosInscrever