Cristina Branco e o novo disco: “É o que tu quiseres. É música original feita em português”

cristina branco

 

 

Cristina Branco tem novo disco, “Branco”. Em entrevista ao Infocul fala sobre o sucessor de “Menina”, anuncia os próximos espectáculos, revela que está a escrever um livro e fala um pouco sobre a actualidade musical portuguesa.

 

Cristina Branco assume-se cada vez mais como sinónimo de sofisticação, inovação e tradição. O reconhecimento notório refletiu-se no prémio atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores, em 2017, para “Melhor Disco”, referente ao álbum “Menina”, bem como a nomeação para Globo de Ouro na categoria de Melhor Intérprete Individual.

 

Mas Cristina Branco renova-se a cada disco, nunca perdendo a sua essência. É uma das mais elegantes vozes em Portugal e sinónimo de bom gosto na escolha de repertório. O mesmo bom gosto e elegância que revel nas respostas.

 

Depois de “Menina”, muito apreciado pelo público e crítica, surge agora “Branco”. Quais as grandes diferenças entre estes dois trabalhos?

 

A diferença reside no tempo que os separa. O facto de um fechar um ciclo (já em antevisão do seguinte, é certo) e o outro inaugurar um novo momento, um outro tempo.

 

 

 

Quando começou a pensar neste disco?

 

Logo depois do Menina.

 

 

 

Numa altura em que tudo se cataloga, é possível catalogar este disco quanto ao género musical?

 

Não creio, como aliás, nenhum outro e ainda bem. Ele ficará perfeito na prateleira que cada um achar feita à sua medida. É o que tu quiseres. É música original feita em português.

 

 

 

Quem é Cristina Branco como artista?

 

Alguém que leva este ofício da música muito a sério mas com a leveza de quem carrega um balão pelos ares, com a graça de quem está bem assim.

 

 

 

Quais os grandes desafios na gravação deste disco?

 

Todos os discos são desafiantes por estar sempre a inventar o meu futuro não perdendo de vista o prumo que é a matéria-prima que confiaram nas minhas mãos e o respeito pela matriz do que acho que posso manter do fado e da música de carácter popular. Tudo mais é terreno por desbravar.

 

 

 

Como foi a escolha dos letristas e compositores que convidou para este disco? Há uma linha de continuidade em alguns nomes do “Menina”…

 

Foi eu diria óbvia, pelo resultado que vem do disco anterior, por achar que as colaborações não se tinham esgotado. Foi o acaso de encontros felizes com os temas da Beatriz Pessoa e também do Afonso Cabral, e o Sérgio Godinho por reverência pela sua irreverência!

 

 

 

O disco tem recolhido muitos elogios. Sendo o vosso trabalho tão exposto, pensam no que pode ser dito/escrito quando o estão a gravar?

 

Nunca. Isso seria redutor daquilo que eu acredito ser a defesa da minha dama. O caminho está no horizonte e não na rede.

 

 

 

Há críticas que influenciam? Se sim, como?

 

Se for uma sugestão pertinente e que possa melhorar, então sim, agradeço e experimenta-se, se não seguimos. Tenho que acreditar sobretudo em mim e na minha intuição.

 

Quais os espetáculos que já podem ser anunciados para apresentação deste disco?

 

Temos muitas datas já anunciadas, em vários países da Europa (Holanda, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Alemanha e Áustria). Mas, muito importante, em Maio regressamos a Portugal para os concertos de apresentação do disco em Lisboa – no Teatro Tivoli BBVA a 15 de Maio – e no Porto – na Casa da Música a 23 de Maio. No dia 17 desse mês ainda iremos a Beja, onde já não canto há algum tempo.

 

 

 

Em termos de espetáculo o que está a ser preparado em termos de alinhamento e conceito?

 

Será um concerto que apresentará os temas novos, do “BRANCO”, combinando-o com as cores dos discos anteriores. Haverá músicas do MENINA, fados que não podem ficar de fora do alinhamento de um concerto meu e lugar a uma ou outra surpresa vinda do baú!

 

Haverá convidados em Lisboa e Porto?

 

Tal como na preparação e gravação do disco “BRANCO”, estarei em palco em partilha e em uníssono com três músicos únicos: o pianista Luís Figueiredo, o contrabaixista Bernardo Moreira e o guitarrista Bernardo Couto.

 

 

 

Sendo artista como tem assistido a esta questão do “Plágio”, tão em voga na atualidade musical em Portugal?

 

O que é que nasceu antes, a galinha ou o ovo? É um assunto frágil por tudo ou quase tudo parecer estar feito, até que alguém junta algo de novo à equação ou simplesmente altera a sua ordem.

 

Sente que estas questões podiam ser tratadas de outra forma ou a imprensa tem potenciado a polémica?

 

A rede tem alimentado a polémica! A imprensa segue a tendência. Estas questões, quando as há, tratam-se juridicamente e em sede devida.

 

 

 

Em termos de redes sociais, dedica muito tempo?

 

O necessário nos dias de hoje para estar em contacto com quem me segue. (sorri)

 

Qual a importância delas para o seu trabalho?

 

Atuam positivamente na exposição eficiente do que eu estou a fazer, do que pode ser de interesse público a quem já segue o meu trabalho e a quem quer conhecê-lo melhor.

 

Quem são as grandes referências de Cristina Branco?

 

São algumas e todas marcaram o seu tempo de uma forma ou de outra. Sinto influências não só de indivíduos, mas de estilos, de géneros.

 

 

 

Há alguém que a inspire todos os dias?

 

Há uma massa incógnita que se esforça diariamente por fazer bem e melhor ao mundo, aos outros. Eu estou com eles.

 

Quem é Cristina Branco fora dos palcos e o que gosta de fazer?

 

Estou a escrever um livro de práticas de “desenrascanço” quando o assunto é alimentares-te fora de casa e sem horas! Chama-se RoadCook e trata por tu a comida alcalina e não tarda nada está aí! E acima de tudo sou mãe de duas crias incríveis!

 

 

 

Qual a mensagem que pretende deixar aos leitores do Infocul?

 

Ouçam o “BRANCO” sem preconceitos e juntem-se a nós num dos concertos de Maio para uma viagem musical sem fronteiras e barreiras!

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Notícia publicada a 14/04/2018


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