“Fazer couchsurfing foi ter experiências de imersão e entrosamento nas culturas locais” e “que ter alojamento grátis foi uma benesse”, diz João Aguiar sobre o seu livro

JOAO-AGUIAR---OSMEUSDESCOBRIMENTOS---186_01

 

 

 

João Aguiar, engenheiro e comunicador apaixonado pelos povos e pela sua diversidade, largou tudo para dar a volta do mundo em Couchsurfing, dormindo em casa dos habitantes locais. As aventuras que viveu podem agora ser lidas em “Os Meus Descobrimentos”, livro que já está nas lojas e que o Infocul foi tentar saber um pouco mais sobre estas aventuras e perceber de como se pode dar a volta ao mundo com poucos euros…

 

 

 

 

Rui Lavrador (RL) – Quando surgiu a ideia desta volta ao mundo e qual o principal objectivo?

João Aguiar (JA) – A ideia desta viagem surgiu principalmente depois do horário de trabalho enquanto estava numa empresa como engenheiro electrotécnico e desenhador de microchips. Ao final do dia, dava por mim com vontade de conhecer melhor outras culturas que já seguia desde adolescente. Ou seja, primeiro que tudo sentia uma grande curiosidade pelo mundo. Para além disso, comecei a perceber que para fazer essa tal viagem sem datas marcadas e com um regresso em aberto, o melhor era fazê-la naquele momento da minha vida ou então mais tarde não seria certo que a pudesse concretizar porque entretanto poderiam surgir outros compromissos.

 

RL – Quando decidiu partir nesta viagem já tinha pensado em escrever o livro?

J A – Quando parti fi-lo com a intenção de escrever textos para um blog mas não de escrever um livro. Sabia que era uma possibilidade mas não foi uma fixação nem me fiz servo da escrita. Ao invés, preocupei-me antes em desfrutar, experienciar e conhecer os lugares, ao mesmo tempo que ia registando e documentando a viagem através de fotografias, anotações, vídeos e gravações áudio e então depois logo veria o que fazer com esse materal. Mas foi depois de regressar a Portugal e da viagem se ter definido e revelado a ela mesma como uma volta ao mundo, que percebi ser relevante para mim escrever um livro sobre esta experiência.

 

RL – Esta viagem foi toda, ou na sua maioria, baseada no couchsurfing. Para quem desconhece o termo, o que é o couchsurfing e como se processa?

J A – O couchsurfing é uma rede de hospitalidade global que permite a viajantes serem recebidos em casa de locais com o intuito de criar uma experiência de maior entrosamento na sociedade local. E isto acontece de uma forma gratuita pois o grande objectivo é potenciar uma genuína hospitalidade e generosidade entre as pessoas e haver um intercâmbio internacional daí derivado. Relevante também mencionar que há outras redes muito semelhantes e algumas até anteriores ao couchsurfing, como o hospitality club, o global free loaders, o be welcome, o warm showers, a servas e o wwoof.

 

RL – Esta viagem resultou num podcast, num livro, num documentário e num site. O que ficou por revelar?

J A – (Risos)… Boa pergunta. Acho que pouco com toda a honestidade. Eu tentei revelar o máximo desta viagem e da forma mais horizontal possível, sem filtros e do modo mais real e descritivo que consegui. Talvez isso seja devido ao meu background como engenheiro, pois elaboramos muitos relatórios e que têm que ser exactos e matemáticos. Também selecionei os momentos da viagem de maior interesse e foquei a escrita mais na sociedade e nas pessoas à minha volta, em vez de falar de mim. Mas claro que para estes formatos – livro, podcast e documentário – também teve que haver uma selecção dos conteúdos porque os recursos são limitados, e o livro não pode ter páginas infinitas nem o podcast episódios ou o documentário minutos. Ou seja, os limites daquilo que revelei foram também impostos por isso. No fundo, o projecto deste livro foi essencialmente comprimir nestas caixas um ano e meio do que vi pelo mundo, com o enfoque nas sociedades e culturas locais.

 

RL – Na actual conjuntura o que leva alguém com um curso na mão e um namoro estável a partir nesta aventura?

J A – No meu caso foram os seguintes factores: uma curiosidade pelo mundo que faz parte de mim desde novo, seja através de outras viagens que tive a oportunidade de fazer em adolescente com os meus pais e o meu irmão, bem como sozinho ou com grupos de jovens, ou então inspirado por documentários, músicas ou livros; por outro lado também a minha vontade de rever amigos e familiares que estão espalhados pelo planeta, o que hoje em dia todos nós portugueses vivemos; para além disso e como sou sensível às questões ambientais, confesso que também quis ver com os meus próprios olhos o efeito das alterações climáticas pelo globo e nessa senda várias pessoas ligadas a trabalhos telúricos e de diferentes latitudes, me explicaram serem bem evidentes estes efeitos.

 

RL – De todos os países por onde passou, qual o que lhe deixa mais marcas? E porquê?

J A – É honestamente difícil escolher porque esta viagem também teve o condão de unir os cinco continentes e não de os dividir em secções. Mas, claro, há sempre lugares onde nos sentimos melhor do que noutros, o que pode suceder por um conjunto de razões… Seja a sociedade como um todo, um grupo de pessoas, uma paixão, a gastronomia, as paisagens ou a religião, etc. Então, tendo em conta estes factores senti-me muito bem e foram agradáveis as passagens pelo Peru por misturar num só país três paisagens distintas como a selva, a montanha e o deserto, por Moçambique devido às suas praias paradisíacas e à língua também, algo que senti também no Brasil mas que impressiona de igual modo pela sua vastidão e diversidade imensa. Marrocos pelas proximidades e diferenças com Portugal. E o Uruguai pela sua história e ligação a nosso país, bem como pela onda relaxada das suas pessoas.

 

RL – Qual foi a pior experiência desta viagem?

J A – Honestamente não guardo más memórias desta viagem. Mas se pensar a fundo consigo resgatar algo menos positivo ou não muito agradável. Por exemplo, não foi nada positivo ser revistado logo no primeiro dia da viagem pela polícia espanhola à paisana apenas porque estava a passear com uma mochila às costas junto à gare de autocarros de Sevilha e porque tinha uma barba algo volumosa. Devem ter julgado que era um imigrante clandestino acabado de chegar à Europa, não sei… É a única explicação que encontro. Mas e se fosse? Quer dizer, a situação foi ridícula e o mais repreensível é que os tipos me encostaram à parede com violência. Contudo reagi logo e exigi-lhes, berrando com eles, que eles se identificassem porque nem isso fizeram a princípio, o que os colocou numa posição algo caricata em que estavam a pedir os documentos e a querer revistar alguém apenas por ter barba e uma mala às costas, quando eles poderiam muito bem ser os criminosos e estarem a fazer aquele teatro para roubar passaportes. No momento achei mesmo estúpida a situação e até depois de eles se identificarem ainda perguntei a um polícia fardado que me confirmasse serem aqueles tipos polícias de facto. Este é um caso que demonstra bem como a prepotência, mal-formação e erros de análise nas forças policiais podem suceder e muitas vezes acontecem mesmo, muitas vezes limitando as vidas de pessoas que nada têm que ver que os julgamentos errados que fazem. Este momento também me fez colocar na posição que muitos imigrantes, legais ou ilegais, vivem dia-a-dia pela Europa fora. E há que se fazer algo nesse sentido como por exemplo dar mais formação às forças policiais ou empregar pessoas com estudos superiores e que consigam controlar melhor os seus impulsos até porque portam armas de fogo.
01_JOAO-AGUIAR---OSMEUSDESCOBRIMENTOS---175

RL – A opção pelo couchsurfing permitiu ter acesso a conhecimentos sobre os locais que de outro modo seriam mais difíceis?

J A – Sem dúvida que sim. Ficar num hotel ou mesmo num hostel e ainda mais para quem viaja à descoberta sozinho pode ser muito desenxabido. Então ser recebido por uma família ou anfitriões locais acrescenta imenso à viagem. Mas também nos traz responsabilidades como respeitar as regras da casa, ser agradável e ter mente-aberta. Também é apanágio trazer algo de oferta ou cozinhar um prato da nossa gastronomia para quem nos recebe. Ou seja, existe uma cortesia de parte a parte.

 

RL – Como foi ao longo deste período entrar no quotidiano de várias famílias?

J A – Foi incrível porque me colocou no plano mais basilar das sociedades por onde viajei: a família. Por exemplo, em Marrocos fiquei na casa de uma família com dez pessoas nos subúrbios de Fez, de outra em Rabat e outra ainda em Marraquexe, o que foi mesmo interessante e me permitiu ver como funcionava a sua dinâmica familiar e partir daí entender um pouco melhor a vida local. Claro que cada caso é um caso e não podemos induzir a partir de uma ou duas famílias como é que a sociedade funciona como um todo mas dá-nos desde logo um significativo vislumbre e permite-nos aceder a informação que muitas vezes, embora estejamos na era da informação, não está disponível na internet ou nos guias de viagens, porque os lugares da Terra ainda são feitos pelos e para os locais. No Brasil também fiquei em casa de um família de classe média-alta em São Paulo. E noutros lugares também fui recebido dessa forma. Em geral, as pessoas receberam-me sempre como um amigo da família.
JOAO-AGUIAR---OSMEUSDESCOBRIMENTOS---QUADRO5-2

RL – O contacto com essas familias mantém-se?

J A – Claro que sim e falamos várias vezes por ano. Entretanto já vi algumas destas pessoas terem filhos ou viverem sucessos como concluírem os seus estudos, abrirem empresas, etc., tal como ultrapassarem problemas de saúde ou perderem entes queridos. Como são meus amigos tento estar lá nos momentos mais positivos e nos menos. No fundo, ficámos ligados pela amizade e vamos falando e trocando impressões no decurso do tempo. Importante também sublinhar que hoje em dia, com as redes sociais, a conectividade global está muito facilitada. Mas sobretudo acho que muitas destas pessoas ficaram a ser da minha família alargada o que corrobora a ideia de que “os amigos são a família que escolhemos”.

 

RL – Quando é que alguma dessas famílias o virá visitar?

J A – Várias pessoas que me alojaram já vieram a Portugal e tive o prazer de os receber cá. Por exemplo, pessoas da África do Sul, do Brasil, de Moçambique. Pois somos amigos e é um enorme gosto revê-los. E a porta de casa está sempre aberta para as famílias que virão.

 

RL – Alguma vez pensou voltar para trás e interromper esta viagem?

J A – Quando parti a perna na África do Sul por momentos ponderei regressar mas em pouco tempo decidi seguir viagem. Até porque havia condições para isso, sendo apenas necessário esperar umas semanas para recuperar cem por cento e poder voltar a andar de novo. Para mais, confesso que me pareceu muito mais engraçado fazer a recuperação além-mar do que em Portugal. E também devo mencionar que me senti em melhores mãos com os serviços disponibilizados pelo seguro que contratei, do que ser entregue à aleatoriedade do SNS ou de outros sistemas privados de saúde portugueses, onde nunca se sabe qual o desfecho dos tratamentos nem qual o cuidado que vão ter ao reparar os nossos ossos, neste caso. Em Portugal há excelentes profissionais, claro que sim e tenho o prazer de conhecer muitos. Mas também há muita negligência, pouca supervisão, jurisprudência e responsabilização. E digo-o de experiência própria, porque quando removi em Portugal o material de fixação óssea que me colocaram na perna na África do Sul, a cirurgia originou lesões que levaram anos a passar, derivadas de erros médicos. Está tudo bem agora, contudo isso aconteceu.

 

RL – Houve alguma fotografia que tenha ficado por tirar?

J A – (Risos)… Boa pergunta. Na minha consciência não ficou nenhuma por tirar mas objectivamente sim, ficou, porque podemos tirar infinitas fotografias, de infinitos ângulos e com infinitas composições. Contudo estou satisfeito com a documentação fotográfica que consegui fazer, pelo que me dou por realizado nesse âmbito.
JOAO-AGUIAR---OSMEUSDESCOBRIMENTOS---QUADRO1-4

RL – Quais as diferenças humanas em João Aguiar depois desta viagem?

J A – A grande diferença é a maneira como vejo o mundo ou dito de outra forma, a mundividência que aprendi. Uma viagem que cruza cinco continentes e que tem um condão já de si reflexivo, de análise e imersão social, permite passar a olhar o mundo com menos preconceitos, a ver a humanidade como um todo e a perceber que há um imenso plano que nos une. E que há muito mais que nos liga do aquilo que nos separa enquanto humanidade. Antes de partir, eu já era tudo menos preconceituoso ou racista mas acho que depois ainda menos fiquei a ser. No fundo, esta viagem serviu para alargar horizontes geográficos, sociais e humanos mas também para ganhar outra capacidade de relativizar as coisas no dia-a-dia, agora conseguindo contextualizar as ideias num plano mais global.

 

RL – Se voltasse a fazer esta viagem o que mudaria?

J A – Sendo cem por cento honesto e não querendo, mesmo, passar uma ideia feita, não mudaria nada. Houve um planeamento mínimo antes e durante da viagem, bem como uma confiança na minha intuição durante este ano e meio e estes dois factores permitem-me agora olhar para trás sem remorsos ou vontade de mudar algo.

 

RL – Quem é o João Aguiar e o que gosta de fazer?

J A – Sou nascido e criado em Lisboa e sou um tipo social que gosta de comunicar e que cresceu com forte gosto pela cultura, sejam livros, revistas, sites, ou música, até porque sou melómano. Sou também bastante ligado à tecnologia e gosto de cinema e de fotografia. Sou formado em engenharia electrotécnica pelo IST, trabalhei nessa área mas concluí também vários cursos de escrita e de gestão. Para além disso gosto de falar línguas estrangeiras e de conhecer outras culturas. Também tive a sorte de viajar desde mais novo e de desenvolver um gosto e interesse despreconceituoso pelo Mundo e isso, assim como a música e a literatura de viagens tornaram-me apaixonado pelos povos e pela sua diversidade. Actualmente, para além de estar focado na promoção, venda e distribuição do livro, também tenho uma rádio online, a HipHop24. Para além disso escrevo reviews de restaurantes, faço a gestão da Plataforma Contra o Bullying no Trabalho, uma campanha social de lobbying focada nos direitos laborais, embora esteja já a cessar funções e sou também voluntário em projectos ambientais como o Freecycle de Lisboa, bem como projectos de divulgação cultural e ambiental como o Vida Grátis, o Vida Verde e a Vida Solidária.
IMG_1791_01

RL – Quando surgiu o gosto pelas viagens e pela escrita?

J A – Pelas viagens foi desde novo. Primeiro com os meus pais e o meu irmão porque todos as férias íamos algures em Portugal, Espanha ou Europa. Para além disso, já o meu avô era também um viajante profissional porque conduzia autocarros no sul de Portugal e na Espanha. O meu outro avô também emigrou para o Brasil e o meu pai e imensos tios estiveram em África no ultramar, o que acho que é a história de muitos portugueses… Então, acho que isto tudo me trouxe curiosidade e naturalidade por viajar. Quanto à escrita, em criança lia imensos livros de aventura. Mais tarde, com 18 anos comecei a fazer uma revista de música hiphop, durante o curso co-fundei e envolvi-me bastante na rádio do IST e mais tarde, já no final do curso, tive oportunidade de escrever um artigo científico. Quando iniciei a viagem, criei o blog Os Meus Descobrimentos e em 2012 co-fundei outro blog mas este colectivo, o Portuguese Riders Crew. Pela mesma altura e antes de começar efectivamente a dedicar-me ao livro, realizei seis cursos de escrita criativa e vários deles focados na escrita de viagens. Acho que isto tudo me fez, aos poucos, gostar cada vez mais de escrever e de viajar.

 

RL – Tem neste livro fotografias de enorme qualidade. Qual a sua fotografia favorita deste livro?

J A – Obrigado! Como podem imaginar não é fácil escolher. Mas há algumas que me lembram momentos de rara beleza e que tentei registar por um diafragma… Tarefa por vezes também quase impossível mas é para isso que estamos cá (ou lá…). Então, por exemplo gosto muito de uma foto que tirei num mercado de rua, ou souk, em Marrocos com uma mesa cheia de pós coloridos de especiarias, bem como da foto que tirei ao anfitrião Hassan Ziani, ambas estão na página 59 do livro. Também gosto muito de todas as que estão na página 93, em especial a foto da “Porta Sem Retorno” na “Casa dos Escravos” da Ilha de Gorée. Ou ainda a foto de uma árvore que fotografei através de uma janela de uma mesquita em Inhambane. Por trás dessa árvore havia imensos mangais e todo aquele lugar era impressionante e estava uma luz fabulosa naquele dia. O céu moçambicano é mais azul do que o normal e isso também ajudou… Nas páginas 143 e 172 há fotos do Lesoto e do Drakensberg na África do Sul que são lugares oníricos, inesperados e de uma beleza rara e verdejante, ainda que em plena África. As fotos de Brasília nas páginas 273 e 288 bem como as da Amazónia nas 289 e 303 também me deixaram satisfeito. Por último destaco as fotos em Buenos Aires na página 379 aos autocarros que são literalmente psicadélicos devido às suas cores electrizantes, bem como as fotos ao bairro de La Boca na página 359. As cores desta cidade são incríveis, bem como daquela região do Mar de la Plata. E do outro lado, o Uruguai é também muito revelador e surpreendente e gosto muito de uma foto que tirei a um senhor a pescar sentado numa velha estrutura náutica sobre a água com graffities lá desenhados, na página 379. Gostei desse momento porque ali havia algo de nostálgico, quotidiano e visualmente estético a captar.

ZA-CapeTown4

RL – Este livro pode ser usado como ‘mapa’ para quem queira ‘imitar’ esta experiência?

J A – Sem dúvida. Como revelo imenso da experiência e como o faço da forma mais descritiva e realista, pode fazer-se isso. E fico contente contudo faço apenas uma salvaguarda: não recomendo que se copie sem adaptar à personalidade de cada um. Quem quiser fazer um copy-paste que o faça mas não recomendo pelo seguinte motivo: uma viagem longa deste género é uma extensão e uma criação da nossa personalidade e como tal, e ainda mais em viagens solitárias, temos que ser nós mesmos e seguir aquilo que nos faz sentir melhor pelo que fazer uma cópia directa não produz os mesmos resultados. Claro que espero que esta viagem inspire outros a fazer algo semelhante mas o que pode ser retirado é o espírito com a que a mesma foi feita, ou seja a sua intenção, o material e o seu conteúdo mais interior. Já a forma da viagem, fica nas mãos de cada um, como se de um pote de barro se tratasse.

 

RL – Quais as reacções que tem obtido? Qual a que mais o marcou?

J A – Até agora bastantes boas. O que mais me marca é quando alguém me diz que a história e o livro são inspiradores e que elas ficam com vontade de fazer algo. É muito positivo ter esse feedback. No fundo, fico genuinamente feliz que essas pessoas façam o que pretendem e sigam a sua vontade e intuição.

 

RL – Qual o país que ainda lhe falta visitar e que queira muito lá ir?

J A – Há imensos e mesmo depois de os visitarmos todos, podemos e devemos voltar a todos eles de novo, pois tudo já estará diferente e porque cada viagem é única. Mas confesso que gostaria de regressar a África e ver o continente como um todo. Também tenho curiosidade especial pelo Mali, pela Etiópia e o Quénia. Também tenho vontade de voltar à Oceania e visitar as suas infinitas ilhas e de explorar de fio a pavio a Ásia.

 

RL – As viagens são a única coisa em que gastamos dinheiro e não ficamos mais pobres?

J A – Acho que se pode alargar ao conhecimento e à cultura em geral. Ou seja, o mesmo é válido para os livros, a música, o cinema, o teatro, as revistas e os jornais. Tudo o dinheiro que aí gastamos é investimento. As viagens também são, acima de tudo, cultura e conhecimento, até porque quando viajamos, dizemos que vamos conhecer outra cultura, não é? Então, acho que reformulo a frase trocando viagens por cultura e conhecimento.

03_JOAO-AGUIAR---OSMEUSDESCOBRIMENTOS---142

RL – Quanto poupou ao optar pelo couchsurfing?

J A – Logo à partida acredito que poupei algo entre os cinco e os dez mil euros. Mas como sou de engenharia fiz aqui uma continha… (Risos)… E que me deu o seguinte: se ficar num hotel ou num hostel onde gastaria em média 20 euros por noite, multiplicando isso por um ano e meio, custar-me-ia onze mil e quatrocentos euros. Dado que gastei mais ou menos isso no ano e meio desta viagem, no fundo o custo ficaria mais ou menos o dobro daquilo que gastei. Ou seja poupei 50%. Contudo ressalvo que o principal motivo para fazer couchsurfing foi ter experiências de imersão e entrosamento nas culturas locais e que ter alojamento grátis foi uma benesse.

 

RL – Numa única palavra como descreveria esta aventura?

J A – Esta viagem foi essencialmente uma descoberta. Uma aventura pelo mundo através da intuição e dos cinco sentidos. Também uma exploração pelas realidades locais. Algumas mais duras e onde fiz também questão de deixar uma marca positiva, realizando voluntariado. Outras mais ocidentalizadas onde fazia questão de cafrealizar e viver como os locais. Esta viagem foi também um tempo para estar comigo mesmo e distante da realidade com a qual estou mais comprometido, que é a portuguesa. Isto permite também alguma auto-descoberta e para além disso descobrir lugares, pessoas e a cultura local através da artes. Ou seja, esta viagem foi uma descoberta no sentido de descobrir o mundo mas também de me conhecer melhor.
12-14-07 copy

RL – Este livro junta imagens, texto, mapas e uma quantidade de informação que obriga o leitor e ler até ao fim. O resultado final da obra está de acordo com o que pensou inicialmente?

J A – Sim, está como o pensei sim até porque fui um elemento activo no seu design e na paginação. E assim, o livro acabou por ficar como o visualizei de início. Claro que houve sempre alguns ajustes ao longo do processo mas o resultado final foi ao encontro do que quis. E deu-me um grande prazer escrevê-lo e idealizá-lo

 

 

Partilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Notícia publicada a 31/01/2018


About the author /


Post your comments

Your email address will not be published. Required fields are marked *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

_