Imploding Stars: “Nós queremos que o ouvinte, durante o álbum, tenha uma introspecção bastante pessoal de toda a vida”

 

 

“Riverine” é o novo disco dos Imploding Stars e sucede a “A Mountain and a Tree” (2014), a banda sonora de “Mizar & Alcor” (2016) ou a participação na coletânea “T(H)REE – Vol.5 – Portugal – Cazaquistão – Uzbequistão” (2017).

 

 

Este álbum, que é o segundo da banda de post-rock, aborda o princípio da compreensão dos diferentes estágios de desenvolvimento da vida humana, desde o momento que nascemos até o momento que morremos. Estas sensações levam à criação de memórias. A criação de memórias é a base dos oito temas (cada um conta uma história de vida diferente) que compõe este disco, que explora o ciclo da vida e a sensação de mortalidade.

 

 

Em entrevista ao Infocul, a banda falou sobre este novo trabalho e também sobre os espectáculos que se avizinham.

 

 

Quando começaram a pensar neste disco?

Algures em 2015, ainda durante a promoção do disco anterior.

 

 

Quais os maiores desafios na produção e gravação do mesmo?

A sua composição. Com a saída e entrada de dois membros, houve mudanças e adaptações na dinâmica de composição da banda. Era importante chegarmos a um novo registo sem perder a nossa identidade e isso fez com que o processo fosse mais demorado. Era mais importante não perder a nossa identidade do que propriamente forçar a nível temporal o processo. Isso foi o maior desafio, que acabou por atrasar a chegada deste disco mas ao mesmo tempo deixou toda a gente dentro da banda confortável com o resultado final. Neste momento sentimos que é Imploding Stars, mas mais crescido.

 

 

Qual a mensagem que pretendem transmitir?

Nós queremos transmitir a ideia de um paralelismo entre o ciclo da água mais focado na ideia do percurso de um rio (Riverine) e o ciclo de vida humano em geral. A nossa intensão é quebrar as barreiras que nos dividem e separam enquanto seres humanos e mostrar que todos passamos, de forma melhor ou pior por estas mesmas fases. A principal experiência que queremos passar é uma introspecção individual de memórias das fases passadas, observação da fase presente e imaginação das fases futuras. Sentimos que este tipo de exercício aliado ao nosso álbum pode criar uma experiencia pessoal única. 

 

 

Este disco pode ser considerado uma viagem pelas várias fases da vida?

Sim é isso mesmo. Assim como o nosso álbum anterior, tentamos desenhar o disco como um contínuo para que seja interessante a experiência de ouvir o álbum em contínuo. Por isso aconselhamos o ouvinte a ouvir o disco por ordem cronológica e tentar relembrar, sentir ou imaginar essa viagem pelas fases de vida que retratamos. 

 

 

A infância é mesmo a melhor fase da vida? Ou ainda não sabemos saborear convenientemente a fase adulta?

É uma pergunta que nunca pode ter uma resposta generalizada, porque é uma questão bastante pessoal. Durante a infância somos quase uma folha de papel branca que pode ser escrita, rasgada, dobrada, colorida. A infância é para nós o momento mais dourado da vida e, por isso, torna-se, a nosso ver, a fase mais genuína da vida humana. Apesar de toda a inexperiência é uma fase fluida e descomprometida, onde há várias práticas e atitudes corretas perante a vida e os outros, que se vão perdendo ao longo do crescimento. A nossa perspetiva, é que a evolução da vida faz com que não fiquemos tão imunes às adversidades que atravessamos comparativamente à fase da infância por várias razões: as escolhas que fazemos, más experiencias que nos marcam e que automaticamente fecham bastantes perceções e criam preconceitos aos quais tomamos como verdades absolutas; maior numero de responsabilidades e preocupações; a pressão social e cultural. No entanto também achamos que nesse pós-fase adulta também aprendemos a saborear melhor as nossas escolhas, essencialmente a viver com elas até ao fim. 

 

 

 

Um disco que tem a vida como fio condutor…Não resisto a questionar como reagem às imagens que nos chegam da Síria com crianças a morrer?

É uma dor terrível pensar nessa realidade. Não só ficarmos tristes e desolados com essas crianças que não conseguem sequer pensar em colorir a sua folha branca. É um peso até de responsabilidade colectiva que nos envergonha como é que nós, enquanto espécie, chegamos a este ponto. “Porquê?” e “com que propósito?” é ainda a pergunta que mais nos intriga. Vemos e lemos muita coisa, mas é difícil justificar uma coisa destas. E é por isso também que nos preocupamos em fazer músicas que mexam com as emoções das pessoas, que nos façam sentir qualquer coisa. E mais do que isso, que nos faça parar no nosso dia a dia, ouvir e sentir alguma coisa.  A nossa preocupação social faz com que queiramos fazer música e ao mesmo tempo contribuir para que as pessoas pensem um bocado umas nas outras, na natureza, no bem estar colectivo. É importante, muito importante a empatia para que consigamos fazer alguma coisa.  

 

 

O mundo está a tornar-se cada vez mais perigoso?

Sim, sem dúvida. Na era da informação que vivemos, tudo é amplificado a uma velocidade estonteante! Tanto a nível positivo como negativo. O nosso conselho é que todos aprendamos a focar apenas no que realmente precisamos e o que nos faz realmente bem e procurar ignorar todo o ódio que tão presente tem estado neste meio informativo que tanto nos tem dividido. 

 

 

Qual o tema, deste disco, que mais vos identifica?

O oitavo: Rebirth (renascimento). É a nossa mensagem positiva para toda esta jornada. Nós queremos que o ouvinte, durante o álbum, tenha uma introspecção bastante pessoal de toda a vida, com o propósito de chegar à principal mensagem do nosso disco, que é o renascimento. Nós acreditamos no renascimento como uma renovação da percepção humana. Nesta fase do álbum, o rio já desaguou no mar, imenso, desconhecido, único. A mensagem é exactamente essa. É o elemento mais poderoso e o que mais respeitamos porque é uma metáfora de união e comunidade. Uma junção de centenas de milhões das mesmas gotas que choveram no inicio do álbum e que criam esta monstruosa beleza.

 

 

E qual o que mais gostam?

Todos nós temos uma música favorita diferente:

Élio: Birth

Francisco: Midlife

João: Rebirth

Jorge: Childhood

Rafael: Birth

 

 

Em termos de apresentação do disco, quais os espectáculos que já podem revelar?

Vamos apresentar o nosso disco no GNRation em Braga no dia 19 de maio, numa residência artista com auxílio visual dos alunos de mestrado da faculdade de belas-artes da Universidade do Porto; 25 de Maio no Plano B no Porto com projecções 3D anaglifos; 21 de Junho no Festival Rudellus em Ruílhe – Braga e a 30 de Junho no Sabotage em Lisboa.

 

 

Quais as grandes diferenças entre o disco anterior e este?

As palavras chave são dinâmicas e maturidade. Muito resumidamente sentimos que mantivemos a mesma “voz” mas com diferentes “palavras”. É um álbum que como um todo tem uma viagem bastante diversidade e cinemática que explora uma dinâmica de concerto bastante intensa, mas desta vez é uma intensidade diferente: enquanto no álbum anterior era uma intensidade maioritariamente melancólica, este novo álbum conduz-nos a uma viagem mais nostálgica e positiva.

 

 

 

Onde pode o público interagir convosco nas redes sociais?

Podem interagir em : facebook.com/implodingstars ; implodingstars.bandcamp.com; instagram.com/implodingstars (@implodingstars)

 

 

Dedicam muito tempo às redes sociais?

Ultimamente temos dedicado algum tempo, sendo estas o principal e mais fluente meio de comunicação. Embora nem sempre sejamos suficientemente rápidos a responder gostamos de falar com toda a gente que nos envia mensagens e de ter essa “proximidade”.

 

Qual a importância das redes sociais no vosso trabalho?

É extremamente importante, como referimos a cima, é o principal meio de comunicação moderno com um alcance mais ampliado. É um veículo fundamental de divulgação do nosso trabalho.

 

 

Qual a mensagem que deixam aos leitores do Infocul?

Que tenham interesse na música feita em Portugal, pela cultura de um modo geral. Que estejam informados e que apoiem. Que continuem a ouvir bandas de alma aberta e com interpretações próprias e genuínas. Mas que procurem também ler/ouvir o que as bandas têm a dizer sobre a música que fazem.

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Notícia publicada a 14/05/2018


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