Nick Suave: “Infelizmente fazer música, mesmo a um nível muito básico, pressupõe alguma autonomia financeira”

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Nick Suave, que trabalhou com inúmeras bandas e é o director de um dos mais antigos e carismáticos festivais portugueses, o Barreiro Rocks, tem um novo projecto. O disco “Português Suave” mostra uma aproximação a universos sonoros que Nick já havia explorado no passado mas desta vez toca aos nossos corações e canta em português.

 

 

 

“Perdido” é o primeiro single deste álbum que foi composto por Nick mas conta com a colaboração de Ricardo Guerreiro em algumas letras. Neste trabalho o música foi acompanhado por Fred Ferreira na bateria (Orelha Negra, Buraka Som Sistema), Cláudio Fernandes no baixo (Pista, Nada-Nada) e Ernesto Vitali na guitarra (Nicotine’s Orchestra, Pista).

 

O músico concedeu uma entrevista ao Infocul onde aborda este disco e fala também sobre o , difícil, mundo da música em Portugal.

Quando começou a pensar neste “Português Suave”?

Há já alguns anos que tinha estas canções compostas, mas só decidi gravá-las no ano passado. Ficaram a marinar…

 

Qual a principal mensagem deste disco?

Não sendo um disco conceptual, todas as canções falam do amor. Da fase do galanteio à desilusão, trato do amor em português suave, direto e, espero, divertido.

 

Quem o acompanhou, instrumentalmente, nesta aventura?

Uma equipa de amigos, acima de tudo: Fred Ferreira na bateria, o Cláudio Fernandes no Baixo e o Ernesto Vitali na guitarra, supervisionados pelo Ricardo Riquier que fez um trabalho muito bom na gravação e mistura do disco.

 

 

 

Quais foram os maiores desafios?

Depois de uma carreira de 20 anos a cantar em inglês tive que encontrar a minha voz em português e isso foi, para mim, um desafio.

 

Quais as características mais fortes deste disco?

A meu ver é um conjunto de canções bem dispostas e que, eventualmente, poderão fazer as pessoas felizes durante um pouco.

 

Como convida o público a ouvir?

Espero que ouçam o disco e se deixem ir, de olhos fechados. Dancem muito, não se vão arrepender.

 

Que análise faz ao actual momento da música em Portugal?

Cada vez oiço mais bandas porreiras, portanto faço uma análise muito positiva.

 

 

 

Há oportunidades para todos?

Não. Infelizmente fazer música, mesmo a um nível muito básico, pressupõe alguma autonomia financeira. Desenvolvo algum trabalho com jovens aqui no Barreiro para quem obter um instrumento musical é uma miragem. Num mundo ideal isto não aconteceria. Eu sei que a pergunta provavelmente foi feita com outro sentido mas, na base é isto que acontece porque depois, gradualmente, a situação repete-se. A seguir à criança que não tem acesso a educação nem aos instrumentos vem o jovem que até pode ter muita vontade de fazer música mas tem que trabalhar e estudar ao mesmo tempo e, após essa fase, vem o adulto que deixou de sonhar com a música porque tem que trabalhar todos os dias da semana. Fazer música e conseguir aparecer requer muito tempo, muita disponibilidade, muito trabalho.

 

Em termos de redes sociais onde pode o público interagir consigo?

Estou pelo facebook e pelo instagram.

 

 

 

Qual a importância das redes sociais no seu trabalho?

Comecei a trabalhar nesta área há muito tempo, quando tínhamos que telefonar e escrever cartas para contactar alguém. Nesse sentido, a maior parte da comunicação é feita por aí, o que é óptimo.  Depois também consigo promover o meu trabalho, embora no meio de milhares de outras propostas – é um bocado como uma selva, mas já não dá para viver sem isto.

 

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

Espero que continuem a consultar o Infocul e que, se puderem, apareçam na Musicbox no dia 27 de Abril, altura em que iremos apresentar o disco ao vivo.

 

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Notícia publicada a 09/04/2018


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