The Dirty Coal Train apresentam “um dos melhores discos de “rock sem merdas” feito em Portugal nos últimos anos”

Fotografia: Sérgio Lemos

 

 

“Portuguese Freak-Show” é o mais recente disco The Dirty Coal Train, projecto constituído por um casal de namorados DIY com inspiração punk, garage dos anos 60 e cinema série B que convidaram amigos de longa data para este trabalho como: Carlos Mendes (Tédio Boys, The Parkinsons, The Twist Connection), Nick Nicotine (The Act-Ups, Ballyhoos, The Jack Shits, Bro X), Victor Torpedo (The Parkinsons, Subway Riders), Ondina Pires (The Great Lesbian Show, Pop Dell’Arte), Sérgio Lemos (Great Lesbian Show, Dr Frankenstein, Canal Caveira), Jorge Trigo (Quarto Fantasma), Eduardo Vinhas (Pop Dell’Arte), Ricardo Martins (Lobster, Jiboia, Pop Dell’Arte), entre outros.

 

 

Em entrevista ao Infocul falam sobre o novo trabalho, os desafios do mercado musical e deixam um desafio aos nossos leitores.

 

 

 

Quando começaram a pensar neste disco?

Logo após a edição de “Super Scum” começámos a trabalhar a ideia de um álbum gravado com amigos com afinidades comuns.

 

Quais os maiores desafios na produção e gravação do mesmo?

O maior desafio seria coordenar as disponibilidades para ida a estúdio uma vez que seríamos nós como banda a suportar esse investimento e não temos orçamento para muitos dias em estúdio. Os restantes desafios foram os mais interessantes: ver as pessoas a adaptar os temas que fizemos ao seu gosto e  técnica ou fazer temas a partir do zero com os convidados.

 

Qual a mensagem que pretendem transmitir?

A mesma de sempre: de que mesmo em Portugal se poder ter uma banda verdadeiramente independente que edita e gere actividade com espírito DIY, passados 8 anos do início da banda a pressão por ocupar um nicho radiofónico ou expositivo num qualquer festival continua a não ser maior que o gosto em fazer coisas do modo que nos dá prazer.  Se por um lado gostaríamos de dar esse salto expositivo, por outro lado já temos experiência para saber os custos associados e não temos feitio para esse tipo de agenda e lobbies. Se temos alguma mensagem a passar é mesmo essa: há vida para além do tema orelhudo que nos impingem mil vezes por dia, há vida para além do lóbi que nos impinge as mesmas bandas nos mesmos eventos anos a fio, é possível fazer um percurso musical independente, amador e duradouro (amador no sentido de “amor ao que se faz” e não inexperiente ou ingénuo). Mas não fazemos questão de ser mensageiros nem propagandistas de nada, se gostam de fazer música esqueçam o mediatismo e façam o que gostam!

 

 

Contam neste disco com vários convidados. Quem são? Como foi a escolha destes convidados? Falta algum que não tenha sido possível ter aqui?

Sim, o Bruno Cafageste que já tocou connosco ao vivo, os Pinelas,… houve bastantes pessoas de que nos lembrámos mas que por razões diversas não foi possível incluir. Quem sabe numa próxima aventura…

 

 

É possível definir este disco em apenas um género musical?

Para nós tudo o que fazemos tem um esqueleto comum que lhe confere uma identidade muito própria, seja um tema mais garage punk (que é o género dominante sempre: rock de influência anos 50 e 60 feito com energia e som do punk, celebrizado por editoras como a Crypt Records, in the Red, Goner records,…), seja um blues punk, um tema mais surf rock, um a roçar a psicadélica dos 60’s ou mesmo um interlúdio experimental para nós são todas cores da mesma paleta com que temos vindo a criar desde o início da banda. Talvez esses géneros se repitam mais neste álbum simplesmente por ser um álbum duplo mas colocaríamos novamente na gaveta do garage punk.

 

 

Como o apresentariam se alguém vos questionasse como é este disco?

Um dos melhores discos de “rock sem merdas” feito em Portugal nos últimos anos.

 

Qual o tema, deste disco, que mais vos identifica?

Cada um de nós tem vários favoritos. É um álbum que nos é especial. Para o apresentar escolhemos o “Summer Asphalt” e o “Jesus loves…” dois temas bastante diferentes: o 1º mais arrastado e o segundo mais punk.

 

Em termos de apresentação do disco, quais os espectáculos que já podem revelar?

Dia 4 de Maio temos a apresentação oficial do disco no Damas em Lisboa, dia 5 participamos no Festival Pedra Rock em Moleanos- Alcobaça, a 18 seguimos para o Barracuda no Porto, 19 Corunha na Sala Mardi Gras,25 e 26 voamos até aos Açores a convite da Raiz e mais umas quantas datas por Portugal e Espanha em Junho e Julho

 

Onde pode o público interagir convosco nas redes sociais?

A maneira mais fácil de interagir directamente com a banda é o facebook, podem seguir-nos no instagram e comprar ou mesmo fazer download gratuito de algumas das edições no bandcamp.

 

Dedicam muito tempo às redes sociais?

Se calhar devíamos dedicar-nos um pouco mais às redes sociais uma vez que são neste momento o grande veículo de passagem de informação, mas não temos grande feitio para isto de estar sempre a alimentar o “bicho internáutico” apesar de termos plena noção da diferença que isso pode fazer na divulgação e exposição do trabalho de uma banda. Resumindo: dedicamos pouco tempo! Gostávamos muito das fanzines e do contacto  mais directo com as pessoas! Hoje parece tudo muito efémero, demasiado caótico e impessoal! Se possível façam o mesmo que a malta que nos tem seguido até hoje: no final do concerto venham beber um copo conosco e disparatar sobre a vida!

 

Qual a importância das redes sociais no vosso trabalho?

A banda sem dúvida que chega a mais lugares porque o mundo está aqui à distância de um clique. Tem sido importante para saber do que se passa pelo mundo da música, fazer contactos, novas amizades  e mostrar-nos a quem nos quiser conhecer.  Basicamente trabalhamos com as plataformas do Facebook/Instagram e Bandcamp.

 

Qual a mensagem que deixam aos leitores do Infocul?

Desliguem os ecrãs dos programas de “caçadores de talentos”, metam-se numa garagem e façam música com os vossos amigos, vão ver as bandas ao vivo e sobretudo sejam curiosos, não se limitem ao que vos é impingido por quem compra airplay e espaço de divulgação, procurem o que mais se faz por aí fora! 

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Notícia publicada a 03/05/2018


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