Segunda-feira, Setembro 27, 2021

Feira do Touro: “Quer o Destino”

Feira do Touro: “Quer o Destino”

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Quis o destino que a primeira Corrida da temporada 2021 fosse em Vila Franca de Xira, na castiça Palha Blanco.  Numa tarde de sol, mas ventosa, como é aliás apanágio desta praça, correspondeu a afición a um cartel de categoria e méritos, neste final de tarde de toiros.

Compunham o cartel desta tarde os cavaleiros António Ribeiro Telles, Luís Rouxinol e Duarte Pinto no que ao toureio diz respeito. Já no sector das ramagens em praça estiveram os Amadores de Vila Franca e os Amadores de Alcochete, os últimos celebram esta temporada o seu 50° aniversário. Por último, mas o mais importante para a verdade da festa, remata este cartel um bem-apresentado curro de toiros da Ganadaria coruchense Dr. António Silva.

Celebrou-se no início deste espectáculo um minuto se silêncio em nome do matador de toiros Vilafranquense, José Júlio, e de todas as restantes vítimas de COVID-19. Aproveitando a empresa para invocando o matador, destacar a irreverência com que sempre defendeu a Festa dos Toiros, atitude essa que deve inspirar e dar ânimo á defesa da nossa Cultura.

Fotografia: Catarina Pedro

Em praça o maestro António Ribeiro Telles, vestindo uma bonita casaca Verde campestre, com Bordados d’oiro.

O primeiro exemplar da Ganadaria António Silva teve ordem de recolha, sem qualquer momento de lide, devido a lesão na pata esquerda, notória logo ao sair dos curros, mal empregue, pois, era de irrepreensível apresentação.

Saiu à praça o segundo do lote de António Ribeiro Telles, um negro e vistoso Silva com o nº125 no dorso e 570kg.

Entendeu-se bem com o toiro, na sua  praça de eleição, o Maestro da Torrinha recebendo com verdade e tentando ajeitar a seu gosto o seu nobre e voluntarioso, mas um tanto quanto desligado, oponente, que, proporcionou ao Maestro música ao seu primeiro curto, permitindo uma lide como é apanágio de António Ribeiro Telles a transpirar classicismo mas a conseguir sacar para si tudo quanto de bom o toiro tinha e cravando curtos de muito boa nota, como mandam os livros e sem folclores, desenhando uma lide de livro, daquelas que fica na retina uma temporada inteira.

Fotografia: Catarina Pedro

Para a pega deste primeiro da tarde, os amadores da vila, o forcado Luís Valença Cardoso que dedicou a pega aos Amadores de Alcochete. De frente ao toiro esteve bem o forcado da cara, citando de praça a praça, a templar, a falar com o toiro e a procurar mandar, na sua primeira tentativa depois de um carregar de raça em terrenos de compromisso, soube o forcado sacar-se e reunir bem, mas o toiro fugiu ao grupo e não conseguiu consumar. Já na segunda tentativa repetiu tudo de forma meticulosa, bem a escola Vilafranquense, e nesta o grupo rematou a pega com destaque para uma grande segunda ajuda, perante um Silva que vinha a brigar e que colocou a apaixonada Palha Blanco de pé.

Nota para a contestação, legítima, do público Vilafranquense sobre a necessidade dos grupos de forcados saírem de praça a cada lide… mesmo estando todos os elementos testados… Incompreensível!

Fotografia: Catarina Pedro

E passando num ápice esta primeira lide, entrou em praça o cavaleiro Luís Rouxinol para tourear o segundo toiro da tarde, com 580kg .

Em praça um toiro de características diferentes do anterior, mais irrequieto, arrancar-se e a ligar-se mais com o cavalo, mas sempre no galope cadenciado e nobre típico da ganadaria António Silva, facto que, Luís Rouxinol sacando do já conhecido Douro usou e abusou. À semelhança de António Ribeiro Telles, também o maestro de Pegões mereceu música ao seu primeiro curto, muito pela disponibilidade deste exemplar e da forma bonita como o Douro permite toda e qualquer reunião e respectivo remate de sorte, que bem. Desenhou uma lide competente, sacando o que de bom o seu oponente tinha a oferecer, rematando a lide com dois bonitos pares de bandarilhas, já apanágio de Luís Rouxinol.

Fotografia: Catarina Pedro

Para pegar este segundo da tarde, o grupo de Alcochete com o forcado Vítor Marques, brindando a todo o público presente na Palha Blanco.

A pegar, na sua primeira tentativa esteve bem o forcado da cara, a citar, a templar e mandar no toiro no carregar, realizando uma reunião dura, tendo novamente este Silva procurado fugir ao grupo, o forcado esteve bem, aguentando um violento segundo derrote no chão, mas a sair da cara antes do grupo conseguir fechar. Já na sua segunda tentativa, esteve igualmente bem e nesta apesar do Silva ter tentado, já não fugiu ao grupo, que conseguiu consumar à segunda tentativa perante um Silva novamente exigente na reunião. Nota apenas, sem qualquer crítica, para o cite, principalmente na primeira tentativa, ter sido mais de meia praça ao rabo do toiro.

Fotografia: Catarina Pedro

Para a terceira lide da tarde e já anoitecendo na Palha Blanco, em praça o cavaleiro Duarte Pinto, para lidar o toiro com o n° 126 e 615kg.  Este terceiro exemplar da ganadaria Silva entrou em praça com ganas e procurando o cavalo, ainda que, de forma pouco nobre, mas com bravura e sangue, tendendo a encurtar terrenos ao cavalo tendo o cavaleiro consentido momento de aperto ainda nos compridos, mas sem gravidade, nota para dois ferros compridos “à Má fila”. Na restante lide, perante um Silva a pedir contas e a exigir toureiro, à imagem dos anteriores, mas menos “suavon” enquanto pôde… pelo final da lide já se sentiam os 615kg e acabou por vir a menos, permitindo ainda assim um bonito último curto com uma arrancada de muito boa nota, “para comer o cavalo”, rematando com beleza uma lide sem sal.

Para a pega deste toiro em praça novamente o grupo da vila, na cara o forcado David Moreira.

De fronte ao toiro, esteve bem o forcado em todas as tentativas, sendo que na sua primeira o toiro arrancou solto e ensarilhou na investida não permitindo ao forcado uma reunião em condições, na segunda, já reunindo bem o forcado, o Silva pregou um fortíssimo primeiro derrote que sacudiu o forcado e a ajuda, e por fim na terceira tentativa, já com a primeira ajuda carregada levou, o grupo de VFX, de vencido este Silva, que ainda assim, conseguiu romper grupo a dentro… “vinha fresco da lide”, bem o grupo.

Nota para o bem rabejar do Grupo de Vila Franca. Bonito!

Aproveitando este novo normal, seguiu a corrida sem intervalo, tendo de dar conta da boa composição da Palha Blanco, ainda que perto de 3/4 da lotação possível.

Fotografia: Catarina Pedro

Novamente, António Ribeiro Telles em praça para lidar o quarto toiro da tarde, com 590kg.

Este quarto exemplar rompeu praça mais distraído, um tanto quanto a chouto e desligado do cavaleiro, tendo após compridos, sentido e empregando-se com o cavaleiro.

Desenhou, o maestro Coruchense, uma lide ao compasso do que o toiro foi pedindo, aguentado as investidas de largo e de vontade que com que este Silva o foi agraciando, cravando de praça a praça e com reuniões templadas sem quebrar a investida do toiro cravando com verdade como só António Telles o sabe fazer. Um lide que entusiasmou a Palha Blanco em especial pelo firmeza e calo com que António Ribeiro Telles se empregou com este seu último toiro, ainda que, não tenha sido um toiro que enchesse as medidas do maestro, mas tendo vindo de menos a mais.

Na pega, os amadores de Alcochete, para cara do toiro o forcado João Belmonte.

De frente ao toiro andou bem, com temple e a procurar mandar no toiro evitando a saída de largo e sem mando. Reuniu bem o forcado, com uma boa primeira ajuda e novamente umas incríveis segundas ajudas que fecharam o grupo e consumaram á primeira tentativa a pega deste Silva.

Nota para a chamada á praça da ganadeira Sofia Lapa, bem como, do primeiro ajuda, merecido.

Dizemos na gíria que “não há quinto mau” expressão importada dos nuestros Hermanos “no hay quinto maló”…. desta vez a contagem não bateu muito certa, um toiro andarilho, desligado, sem romper… Luís Rouxinol, ainda tentou com a sorte de gaiola arrimar-se, mas, após a mesma custou a conseguir desta feita, entender-se com este quinto Silva, de 610kg,  e não conseguiu desenhar nesta sua segunda lide certamente o que ambicionava, e acabou por sair  da Palha Blanco com uma primeira lide de valor e memória e uma segunda a servir, mas sem história.

Para a pega deste quinto da tarde, os amadores de Vila Franca, encerrando a sua atuação com o forcado Guilherme Dotti. De frente ao toiro esteve bem o forcado na sua primeira tentativa, aguentando, animando e mandando na investida ao carregar, mas não aguentando o forcado e grupo a frescura que este quinto Silva empregou nos derrotes após a reunião.  Na segunda tentativa, esteve extraordinário o forcado e o primeiro ajuda, o forcado de cara carregou bem e mandou na investida deste toiro, que vinha de largo para o comer e “abriu os braços ao mundo” reunindo na perfeição com uma primeira ajuda essencial, aguentado ainda um par de derrotes a brigar com o toiro, fugindo ao grupo por momentos, sempre com o forcado da cara e o primeira ajuda na cara do toiro… Pega de Cartaz, bem!

Nota para a volta apenas do forcado, por indicação do director de corrida.

Fotografia: Catarina Pedro

Chegando ao final desta tarde na Palha Blanco, em praça novamente o cavaleiro Duarte Pinto para lidar o sexto da noite. Este último Silva, apresentava 575kg, e apresentou-se em praça à imagem dos anteriores, bem-apresentado, com córnea larga e vistosa, denotando o seu peso, com trotes constantes e galopes cadenciados. Perante este sexto da tarde… que já ia noite, começou mal o cavaleiro, cravando dois compridos sem emoção nem verdade, bem sabemos que cravar à meia volta é válido, mas não é bonito e pior fica quando a pressa e o despachar ficam notórios… enfim… Em curtos andou melhor, procurando reunir com verdade, mas ainda assim, não chegou para agradar ao público da Palha Blanco, não sendo desagradável e não desprimorando melhores opiniões… terminou em tom menor a sua passagem por Vila Franca, o cavaleiro Duarte Pinto.

Para fechar esta tarde de toiros, os amadores de Alcochete e para a cara o forcado Manuel Pinto. De frente ao toiro, na sua primeira tentativa, esteve bem o forcado no citar, procurando carregar e recuar toureando a investida de largo deste Silva, acabando por reunir de forma exímia, aguentando depois derrotes duros, mas, acabando por sair da cara do toiro. Já na segunda tentativa, bem novamente o forcado, mas desta feita, a ser despejado praticamente após o primeiro derrote com violência muito devido às pernas do forcado o terem desequilibrado. Consumou à terceira tentativa, já com o grupo a carregar, e ainda assim este último da noite a dar luta e a tentar sacudir o grupo.

Na desta primeira corrida da temporada 2021, fica um curro de toiros competente e bem-apresentado e dois grupos de forcados em disputa e em bom nível perante este curro de Silvas. Quanto aos cavaleiros, pouca história fica, mas nota para as duas primeiras lides de António Ribeiro Telles e de Luís Rouxinol e alguns rasgos em curtos de Duarte Pinto.

Recolheram os toiros da corrida, a pé, os campinos Café, da casa Ribeiro Telles, e Janica, da casa António Silva.

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