Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Gilberto Filipe quer triunfar na Moita: “A pressão está sempre presente”

Gilberto Filipe quer triunfar na Moita: "A pressão está sempre presente"

Gilberto Filipe quer triunfar na Moita: “A pressão está sempre presente”, disse em entrevista ao Infocul.pt.

Gilberto é um exímio equitador e um cavaleiro de grande qualidade, a quem infelizmente não têm sido dadas muitas oportunidades. Recentemente, no Montijo, teve apoteótico e incontestável triunfo, numa corrida em que partilhou cartel com Luís Rouxinol e Pablo Hermoso de Mendoza e prepara-se agora para actuar na Moita, a 16 de Setembro.

Em entrevista concedida ao Infocul, o cavaleiro abordou o triunfo no Montijo, anteviu a Moita e falou ainda sobre o seu percurso, a luta diária para alcançar os objectivos e sobre o indiscutível e extraordinário percurso na equitação do trabalho.

Sobre o Montijo, explicou que “para mim era uma corrida muito importante, um sonho concretizado, nunca tinha toureado com o Pablo Hermoso de Mendoza, não é preciso mais apresentações. Compartilhava cartel com outro monstro da tauromaquia, o Luís Rouxinol, uma corrida no Montijo, sabia que ia ter muita visibilidade“.

Para mim era importante, porque queria mostrar a mim próprio que era capaz de estar o nível do Luís e do Pablo e pelo menos que não baixava o nível das actuações. Graças a Deus correu bem, sinto também que os triunfos na equitação do trabalho me prepararam em certa parte para ser melhor toureiro, hoje em dia, porque melhorei muito na base da equitação e na técnica, penso que isso me dá mais possibilidade de encarar as corridas com mais segurança. Infelizmente sinto que aquela actuação no Montijo apenas resultou para mim, ou para os meus que ficaram contentes, mas em termos de carreira penso que não altera em nada. Embora, no outro dia tenha recebido inúmeras chamadas de colegas e companheiros a dar os parabéns. Mas não recebi nenhum telefonema de nenhum empresário para me contratar para uma corrida, portanto penso que aí não tenha alterado nada“, afirmou, lamentando a contínua falta de oportunidades.

Dia 16, actua na Praça de Touros Daniel do Nascimento, na Moita, lidando um touro, contudo a preparação segue forte.

A preparação está, em quase tudo, a ser idêntica à que foi para o Montijo. Tourear algumas vacas em casa, tourear alguns touros (uma vez que não tenho toureado, é sempre complicado aparecer uma corrida do nada e estar a um nível alto). Até porque uma coisa é tourear vacas, outra é tourear touros. Portanto a preparação é tourinha, vacas e dois ou três touros, toureando-os em praça, como se fosse uma corrida formal“, explicou-nos.

Sobre os dias seguintes ao triunfo no Montijo, revelou que “tem sido intenso. Foi giro, depois do triunfo, sentirmos que as coisas resultaram, que o trabalho teve efeito. Mas nos dias seguintes, voltei à mesma rotina: trabalhar, trabalhar, trabalhar, focar. Tentar emendar alguns pontos, portanto os dias têm sido assim, a treinar“.

Até porque tenho a corrida da Moita, mas tenho no fim-de-semana seguinte o Festival do Puro Sangue Lusitano, que é bastante importante para a minha carreira. É montar de manhã à noite, é preparar as coisas e que no final os astros estejam alinhados e as coisas corram bem. A pressão está sempre presente. Há é uma coisa, quando toureamos menos, a pressão para que as coisas corram bem é maior, porque não temos outras corridas para limpar a imagem. Se eu tourear duas ou três corridas, a imagem que fica é a dessas duas ou três. Se eu tiver 6 corridas, posso ter uma ou outra actuação menos conseguida, porque as outras limpam essa imagem. A diferença é só essa, a pressão está sempre presente“, continuou.

Sobre a actual quadra de cavalos, elucidou-nos de que “a quadra nunca é a que nós desejamos, mas penso que desde que sou toureiro nunca tive uma quadra tão completa e capaz, com cavalos de tanta qualidade. Tive bons cavalos ao longo da minha carreira, mas uma quadra com tanta qualidade e tão bons cavalos nunca tive. Penso que isso é fruto destes anos todos de trabalho, mas também das melhorias técnicas que fui tendo ao longo da carreira e montar uma quadra com mais cavalos de qualidade e mais seguros“.

Neste momento destaco o Hortelão, em bandarilhas, é o cavalo estrela ou que me permite abordar os touros numa sorte mais frontal e a carregar ao pitón contrário. No entanto, tenho um conjunto de seis ou sete cavalos de que gosto muito. Tenho dois novos, que estreei no Montijo, o Irânio e o Nápoles, um cavalo que também com apenas 4 anos já se estreou em praça. Tenho um bom conjunto de cavalos que penso que me vão dar algumas alegrias“, destacou.

Sobre as diferenças de tourear um ou dois touros, numa corrida, referiu que “a preparação é igual, seja para um ou dois touros. A única diferença é que ali [no caso de 1 touro apenas] as nossas opções são um bocado limitadas. É rezar para que o touro nos ajude e a lide corra bem. Não há lides estudadas de casa, mas é procurar nesse touro, tirarmos os melhores cavalos e darmos o máximo. Portanto está um bocadinho nas “mãos” do touro, que nos ajude“.

Penso que o público vai afluir à corrida, porque é uma corrida de 6 cavaleiros na principal data da Feira da Moita. Dos seis cavaleiros, yodos têm triunfado. A mim correu-me muito bem no Montijo, o Rui Fernandes vem de triunfar em Espanha, em várias corridas, o Duarte Fernandes vem de triunfar em Arles, onde tirou a alternativa, o João Ribeiro Telles saiu em ombros do Campo Pequeno, o Filipe Gonçalves tem estado muito bem este ano, o Rouxinol Jr. tem estado também muito bem, o Tristão é uma novidade, portanto penso que é uma corrida em que os cavaleiros têm condições, assim os touros ajudem, para que as coisas corram bem“, destacou, esperando forte adesão do público a um cartel de triunfadores.

Sobre as novidades que poderá ter ainda este ano, rematou dizendo que “novidades ainda não há nada em mente. Tenho dois cavalos que gostava de ter sacado no Montijo e ainda não saquei. Tenho o Morante, um cavalo com o ferro do Braga, que eu adoro e de muita qualidade. E tenho o Benavente que também gostava de ter sacado no Montijo, mas o touro lesionou-se antes de poder utilizar. São dois cavalos que gostava de tourear este ano com eles e mostrar o seu toureio. Para já são as novidades que terei. Tenho a corrida da Moita, penso que depois ainda terei uma outra em Outubro, ficando assim pelas 3 corridas este ano“.

Recordamos os cartéis para a Feira Taurina da Moita:

14 de Setembro, 3ª feira – 22:00 horas – Corrida de Toiros Mista do Município

Cavaleiros: António Telles e João Telles

Matador: Morante de la Puebla

Forcados: Amadores Moita do Ribatejo

Ganadaria: 6 toiros David Ribeiro Telles

15 de Setembro, 4ª feira – 22:00 horas – Sensacional Mano-a-Mano

Matadores: Cuqui e Juanito

Ganadarias: 2 toiros Oliveiras, Irmãos; 2 Toiros Ascensão Vaz; 2 toiros Nuñez de Tarifa

16 de Setembro, 5ª feira – 22:00 horas – Corrida de Toiros comemorativa do 70º aniversário da Casa da Enguias

Cavaleiros: Rui Fernandes, Gilberto Filipe, Filipe Gonçalves, João Telles, Luis Rouxinol jr, Duarte Fernandes e Tristão Ribeiro Telles

Forcados: Aposento da Moita do Ribatejo

Ganadaria: 6 toiros e 1 novilho Passanha

17 de Setembro, 6ª feira – 18:00 horas – Novilhada Popular

Cavaleiro: Diogo Oliveira

Forcados: Aposento da Moita do Ribatejo

Novilheiros: German Vidal “El Melli”, Filipe Martinho, Duarte Silva, Tristán Barroso e Juan Alonso

Ganadaria: 7 novilhos gentilmente cedidos por diversos ganaderos

Os bilhetes estarão disponíveis para venda nos locais habituais e através do número 913 325 158.

Artigos Relacionados

Siga-nos nas redes sociais

23,900FãsCurtir
154SeguidoresSeguir
109InscritosInscrever