Mariana Duarte recorda imagem sua na net: “eu tinha não era medo, mas era receio de sair à rua, dos olhares, dos comentários”, disse.

Mariana Duarte esteve à conversa com Manuel Luís Goucha e falou sobre o que contou no Portal do Tempo, no programa “O Triângulo”.
“Eu tinha um amigo com quem fazíamos muita videochamada, no MSN, e estávamos a fazer vídeo e eu disse: ‘Vou só tomar banho num instante e já venho’. Pensava que ele já tinha desligado, Fui tomar banho e voltei, comecei a vestir-me… caiu uma notificação no computador e eu fui em direção ao computador e vi que aquilo estava ligado”, começou por explicar.
“E eu: ‘Bolas, estou despida’. E estava outra pessoa daquele lado. Mas, pronto, aquilo passou, depois, desliguei, disse que já ligava. O problema foi que, depois, a pessoa fez printscreen e começou a partilhar com outras pessoas que ele conhecia. Só que, assim que partilha uma vez, aquilo espalhou-se de uma forma horrorosa”, referiu
“Eu não tinha noção até me terem ligado a dizer: ‘Olha, Mariana, tem cuidado porque está a acontecer isto e isto e isto’. E, a partir daí, foi sempre a descer, porque as pessoas ligavam-me em anónimo a ofenderem-me, mandavam-me mensagens a ofenderem-me… eu tinha não era medo, mas era receio de sair à rua, dos olhares, dos comentários, das bocas que me pudessem mandar”, acrescentou.
“Foi um período em que eu vivia com muito medo! Chegaram a imprimir a fotografia e, nas festas de Benavente, colaram essa fotografia numa parede ao pé de um café, onde há muita passagem de pessoas. E uma amiga minha viu, rasgou, mandou para o lixo. O meu medo era: ‘Será que, algum dia, os meus pais chegam a casa e têm a foto colada à porta de minha casa?’”, questionou.
Os pais apenas souberam agora, aquando da transmissão do seu Portal do Tempo na televisão: “Naquela altura, aquilo era tão mau que eu não sabia como é que devia abordar o assunto. A impotência que um pai e uma mãe têm de verem um filho a passar por isso e não conseguirem travar… Como é que alguém trava a partilha disso?”.
“Era desespero, porque eu já não estava a aguentar mais. Eu não tinha como parar a partilha, como controlar as pessoas e os olhares, as bocas, as ofensas gratuitas que eu estava a sofrer”, continuou.
“Eu pensei: ‘Eu não aguento mais isto, só quero desaparecer deste mundo’”, comentou, referindo que tomou uma caixa inteira de comprimidos calmantes.
“Mas eram naturais, foi a minha sorte. Comecei a tomar um a um e, quando acabei a caixa, pensei assim: ‘E agora? O que é que estás a fazer?’. Corri para o quarto da minha mãe e disse: ‘Mãe, tomei esta caixa de comprimidos’. E chorava, chorava”, contou.
Na altura, o que disse aos pais foi que tinha sido “por causa de um rapaz e eles pensavam que eram coisinhas de amor, de miúda, de adolescente”.
Mariana deixou um conselho às jovens para terem “muito cuidado com o tipo de fotografias e de conteúdos que se envia” e a partilharem “com a família e com os amigos o que está a acontecer”, de forma a que possam ter “todo o apoio psicológico” e “não chegarem ao ponto” que chegou.
Um ano após esse drama, Mariana Duarte começou a ter os primeiros sintomas de vitiligo: “Foi muito mau, porque eu ainda não tinha sarado o que tinha acontecido e, de repente, vejo-me com um problema de saúde autoimune, que não tem cura”.
Posto isto, a autoestima “já estava quebrada anteriormente, ficou pior ainda”, mas, após “algum tempo”, começou a aceitar.



