Miguel Moura tem um primeiro disco soberbo. E agora?

Miguel Moura tem um primeiro disco soberbo. E agora? É a pergunta que se impõe.

Miguel Moura tem um primeiro disco soberbo. E agora?

Miguel Moura apresentou recentemente o seu primeiro disco, um trabalho que despertava alguma curiosidade, tendo em conta o impacto que o menino vindo do Alentejo conseguiu ter em todo o Portugal que o ouviu cantar.

Tímido, com ar frágil até, Miguel foi-se construindo enquanto artista (um trabalho que ainda está por acabar e com muito para potencializar) e soltando as amarras da timidez, enquanto foi ganhando alguma confiança.

Por detrás de tudo isto, não se pode esquecer o trabalho que foi desenvolvido pelo seu manager, Rogério Caixinha, que trouxe a Miguel Moura algo que provavelmente nunca lhe passou pela cabeça, apesar do seu gosto desde muito novo pela música.

Relativamente ao disco, o mesmo consegue ser surpreendente. Não é um disco óbvio para um rapaz que se apresentou inicialmente como uma mescla de cante alentejano e fado. O disco tem muito mais do que isso.

‘Para os braços da minha mãe’ é a parte óbvia deste disco, depois do sucesso que Miguel conseguiu com a sua versão da canção de Pedro Abrunhosa (com quem inclusivamente fez dueto num programa televisivo). Bem interpretado, profundo, com os aromas do Alentejo na voz.

‘Proibido’ assume-se como tema mais bonito deste trabalho discográfico. Letra e melodia numa combinação sublime e Miguel Moura com uma interpretação que valoriza ainda mais uma boa canção. Permitam-me destacar a sensibilidade da escrita de Flávio Gil (já o conheço há alguns anos e continua a surpreender-me, felizmente, pela positiva).

‘Menina da saia rosa’ podia ter resultado desastroso, dada a dificuldade que o tema impõe na sua interpretação. Miguel Moura interpreta-o de forma sublime e fá-lo parecer fácil, de tão bem que que o consegue cantar. É um dos grandes momentos deste disco!

‘Quem sou Eu’ compete com o ‘Proibido’ como o melhor tema deste disco, e será muito fácil ao ouvinte identificar-se com a história da canção. O jovem alentejano, natural de Moura, exibe-se adulto a cantar e atinge momentos de superior categoria.

‘Tenho de Abalar’ foi o tema que nos (público) deu a conhecer Miguel Moura. Todo o tema é Alentejo e aqui Miguel sente-se como peixe dentro de água e abre o disco de forma a prender de imediato o ouvinte.

Em ‘Amor Maior’, Miguel pode potenciar o tema de diferentes maneiras, cabendo-lhe ter argúcia para o conseguir.

O disco fecha com uma moda tradicional do Alentejo, ‘Verão, Alentejo e os Homens’, concluindo assim uma viagem, da qual Miguel parte e chega no mesmo ponto. As suas raízes.

A pergunta agora é: O que pretende Miguel da sua carreira depois de um disco destes? Não adiantará ter um disco tão bem conseguido, se não se focar inteiramente na sua carreira, apesar da tenra idade. Se focar-se, poderá claramente marcar posição no panorama musical português.

Alinhamento:

Tenho de Abalar (Rogério Caixinha/Rita Caixinha)
Quem sou Eu (Rui Poço/Ana Lopes)
Amor Maior (Rogério Caixinha/Rita Caixinha)
Menina da saia rosa (Francisco Pestana/Rogério Caixinha)
Nossa Senhora do Carmo (Rogério Caixinha/Rita Caixinha)
Proibido (Rui Poço/Flávio Gil)
Dei um GPS ao Coração (Rogério Caixinha/Rita Caixinha)
Andei Sozinho (Alexandre Carvalho/ Nuno L./Miguel M.V)
Para os Braços da Minha Mãe (Pedro Abrunhosa)
Verão, Alentejo e os Homens (Manuel Conde Fialho)

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