Moita: Manuel Dias Gomes e António Ribeiro Telles (filho) destacaram-se

Moita: Manuel Dias Gomes e António Ribeiro Telles (filho) destacaram-se

Moita: Manuel Dias Gomes e António Ribeiro Telles (filho) destacaram-se na corrida de touros realizada na Praça de Touros Daniel do Nascimento.

Realizou-se, este domingo, a corrida de touros celebrativa do centésimo aniversário da Associação Nacional de Toureiros. Os lucros reverteram para o Fundo de Assistência dos Toureiros Portugueses.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

O cartel foi composto pelos cavaleiros Rui Salvador, Luís Rouxinol, Ana Batista e António Ribeiro Telles (filho) e pelos matadores Manuel Dias Gomes e Joquim Ribeiro ‘Cuqui’. Pegaram os forcados Amadores da Moita e Alcochete. Lidaram-se touros de António Raul Brito Paes e Joaquim Brito Paes, a cavalo, e de Calejo Pires e David Ribeiro Telles, a pé.

Após as cortesias, foi guardado um minuto de silêncio em memória dos associados (da ANDT) falecidos e do ganadeiro José Infante da Câmara (falecido no sábado).

Rui Salvador brindou a António Ribeiro Telles, ainda a recuperar de lesão, que se encontrava na trincheira. O cavaleiro desenhou uma actuação positiva, frente a um touro muito complicado, pouco franco na investida e muito desatento. Destacou-se na brega e na escolha de terrenos, numa actuação mais esforçada do que triunfal, por falta de matéria prima.

David Solo, pelos Amadores da Moita, concretizou a pega ao primeiro intento, numa boa execução.

Luís Rouxinol viu o touro lesionar-se ainda na série de ferros compridos. Touro recolhido e continuou a corrida, com as lides a pé.

Manuel Dias Gomes lidou um exemplar de Calejo Pires com comportamento muito pouco franco, principalmente pelo piton esquerdo. No capote esteve suave, estético e muito templado. Nas bandarilhas brilharam João Ferreira (dois pares) e Miguel Baptista (um par), desmonterando-se e recebendo forte ovação. Na muleta, Dias Gomes esteve poderoso e com grande qualidade, conseguindo uma faena por ambos os pitons, melhor pelo direito, com o animal a exigir muito rigor e firmeza do toureiro. Actuação com bons pormenores, estética, poder e terminando em patamar muito positivo, continuando eu a questionar-me o motivo de Dias Gomes não actuar mais vezes. Falta de qualidade e entrega não será…

Joaquim Ribeiro ‘Cuqui’ enfrentou um touro de David Ribeiro Telles. Touro mau de cara, mau de comportamento e sem qualquer possibilidade de lide. Cuqui prolongou demasiado a actuação, tentando tirar algo de um animal que nada tinha para lhe dar. Ainda foi preso pelo touro, mas sem gravidade. Quer no capote, quer na muleta, foi actuação sem história, voltando a destacar que por falta de matéria prima. Mas bandarilhas, prestação irregular da sua quadrilha. Mal o director a dar música, mal o matador a dar volta à arena (autorizada), quando deveria apenas ter agradecido no centro da arena (como fez também).

Ana Batista teve uma actuação em tom positivo, sem triunfar. Começou por ter uma luta contra as bandarilhas (devido às mesmas não ficarem cravadas, com a parte do arpão a quebrar-se sem ficar cravada), tendo depois desenhado as sortes no seu habitual estilo clássico e rematando-as com vigor.

Fábio Silva, pelos Amadores da Moita, concretizou ao segundo intento.

Luís Rouxinol regressou à arena para lidar o touro sobrero, da ganadaria de David Ribeiro Telles. Uma actuação muito impactante nas bancadas, mas que tecnicamente resultou em cravagens da ferragem curta, a cilhas passadas. Rouxinol é um toureiro de raça e esteve muito bem na brega e preparação das sortes. Sortes essas rematadas com fervor. Terminou com um palmito,frente a um touro brusco na investida. Destacar que o facto de o touro investir com a cara muito alta, trouxe emoção às reuniões e remates das sortes, mas isso não significou que tecnicamente resultasse numa actuação triunfal.

Vítor Marques, pelos Amadores de Alcochete, pegou ao segundo intento.

António Ribeiro Telles (filho) teve uma actuação com nota muito positiva. Com uma concepção artística já muito bem definida, demonstrou ainda uma assinalável maturidade em praça. Sortes muito bem preparadas, melhor desenhadas, reunindo correctamente e a rematar por dentro. António é ainda um jovem e é-lhe permitido, e até saudável, que possa errar e com isso evoluir. Na corrida deste domingo, esteve bem, fazendo as coisas correctamente e pecando apenas por ter cravado mais um ferro.

Pega concretizada ao primeiro intento por José Feire, pelos Amadores de Alcochete.

Foi ainda anunciado, no sistema sonoro da praça, ter sido angariada uma receita aproximada de 29 mil euros.

Uma corrida em que os touros não saíram propriamente bem, com comportamento maioritariamente complicado. Em termos de apresentação destacou-se o touro lidado por Manuel Dias Gomes, da ganadaria de Calejo Pires.

Uma corrida com mais de 3 horas de duração, sem triunfos, mas com dois destaques claros: Manuel Dias Gomes e António Ribeiro Telles (filho). Além claro da importante quantia para o Fundo de Assistência dos Toureiros Portugueses.

Corrida dirigida por Ricardo Dias, assessorado por Jorge Moreira da Silva. José Henriques foi o cornetim. 

Nota 1: Destacar e louvar o trabalho de Nuno Pardal (Presidente da Associação Nacional de Toureiros) e da sua equipa na realização desta corrida.
Nota 2: Realçar novamente a importância do Fundo de Assistência dos Toureiros Portugueses (uma obra que deve ser valorizada, prestigiada e apoiada por todos)
Nota 3: Em fim de temporada, a necessidade de balanço de todos os agentes da festa sobre o (muito) que pode e deve ser melhorado. Imprensa incluída, claro está.
Nota 4: Valorizar os artistas que deram a cara, na arena, numa corrida com um objectivo beneficente.

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