Moura Caetano, Bastinhas e Romero numa ode à alegria na corrida de touros em Azambuja

Moura Caetano, Bastinhas e Romero numa ode à alegria na corrida de touros em Azambuja, este domingo.

Moura Caetano, Bastinhas e Romero numa ode à alegria na corrida de touros em Azambuja

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

A Praça de Touros Dr. Ortigão Costa, em Azambuja, recebeu, este domingo – 28 de Maio, uma corrida de touros, integrada na tradicional Feira de Maio que se localiza nesta vila.

Frente a touros da ganadaria Lampreia, actuaram Ana Batista, João Moura Caetano, Marcos Bastinhas, Duarte Pinto, Andrés Romero e Parreirita Cigano, bem como os forcados amadores de Ribatejo, Azambuja e Arruda dos Vinhos.

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Num mundo em que a alegria é um recurso em extinção e caro à maioria dos mortais, poucos o colocam em prática, seja por condicionante ou vontade própria. Mas é a alegria que nos transforma para melhor. A alegria do que fazemos, a alegria naquilo que somos e a alegria que transmitimos aos outros.

E nesta tarde, em Azambuja, é de alegria que vos quero falar e destaco três exemplos diferentes: Moura Caetano, Bastinhas e Romero.

Começo por Moura Caetano, que lidou o segundo touro da corrida, que soube construir a sua felicidade, leia-se triunfo, devido à vontade que tem em ser feliz e à alegria que a sua arte transmite ao público mais multisciente/erudito.

João Moura Caetano enfrentou um touro com 480 Kg, que saiu com visíveis dificuldades de locomoção. Essa situação gerou protestos do público. O toureiro questionou a direção de corrida se deveria cravar o primeiro ferro comprido e recebeu indicação para prosseguir a lide. Respeitando o que a direção decidiu, o cavaleiro levou a cabo a sua função. E a sua actuação foi construída a pulso, com inteligência e ousadia. Primeiro, montando o Pidal deixou dois compridos e tentou acima de tudo entender os movimentos do touro e de que forma lhe podia tapar os defeitos. Nos curtos, montando o Campo Pequeno, esteve excelso. Actuação muito templada, com sortes desenhadas de frente e as reuniões a resultarem harmoniosas e com o cavalo quase a tourear como se muleta fosse. Fechou com uma sorte semelhante à Mourina, com um recorte mais em curto e saindo com o triunfo no bolso. Supimpa como soube transformar assobios, dos quais não teve culpa, em ovações. Moura Caetano a construir uma temporada sem parangonas sensacionalistas, mas com tremenda classe.

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De seguida, abordo a actuação de Marcos Bastinhas, ao terceiro touro da corrida.

Marcos Bastinhas deixou o público em euforia total. Começou por brindar aos campinos. A sua actuação teve de tudo. E maioritariamente ferros de grande qualidade. Após dois compridos em que teve de porfiar, o touro saiu distraído e com querença em tábuas, mas subiu o nível nos curtos. Desenhou sortes de grande impacto, cravou grandes ferros, com destaque para um com batida ao píton contrário em muito curtas distâncias, outro em sorte Mourina e ainda mais um com reunião muito cingida. Mas, Bastinhas teve o público consigo e galvanizou-se ainda mais e destaca-se um palmito de qualidade, depois de outro em que sofreu forte toque na montada. Terminou com um par de bandarilhas a pedido do público, saindo sob apoteose. Destaque para os cavalos que utilizou nesta corrida (Nesquik, Lexus, Sinfonia e Ellora), deixando os maiores craques de fora. Bastinhas é a alegria do povo, das crianças e dos jovens. Marcos é flecha emocional a que ninguém fica indiferente.

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Andrés Romero teve uma actuação desconcertante, pela positiva, e que soube fazê-la crescer. Após uma primeira fase mais desluzida e com ferros a cilhas passadas, subiu, muitíssimo, a fasquia nos últimos ferros da corrida. Sortes frontais com batida ao piton contrário e reuniões ajustadíssimas, conseguindo dois ferros absolutamente magistrais e um outro de grande nível também. Importa não esquecer que Romero é rejoneador e não se pode equiparar rejoneio e toureio à portuguesa. Estilos e concepções distintas. E a verdade é que Romero, ao seu estilo, esteve muito bem na parte final da actuação.

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Nesta corrida actuaram ainda Ana Batista, Duarte Pinto e Parreirita Cigano.

Ana Batista abriu praça, frente a um touro bem rematado de carnes, com querenças e que pedia uma lide muito em curto. Ana Batista esteve desenvolta, entregue e muito comprometida com a sua função. Destaque para o segundo e terceiro ferros curtos, com sortes frontais e as reuniões a resultarem mais cingidas. O quarto curto saiu com uma reunião mais larga e menos bonita. Actuação agradável sem alardes de triunfo. Brindou a sua actuação a Marcos Bastinhas.

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Duarte Pinto enfrentou um exemplar que lhe exigiu competência e o mínimo de erros possível. O ginete esteve seguro e desenhou uma lide positiva, em estilo clássico, estando exuberante nos remates das sortes.

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Parreirita Cigano esteve a um nível desenvolto e com raça, porém longe de conquistar triunfo sonoro. Destaca-se um grande ferro na parte final da sua actuação, que colocou o público de pé.

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Pelos Forcados Amadores do Ribatejo, foram à cara Ricardo Regueira (à 3ª) e Rafael Costa (à 1ª), pelos amadores de Azambuja pegaram João Gonçalves (à 1ª) e João Branco (à 2ª) e pelos amadores de Arruda dos Vinhos foram à cara Edgar Simões (à 1ª) e Nuno Aniceto (1ª).

Estava em disputa um prémio para a melhor pega e foi atribuído a Eduardo Simões, pela pega ao terceiro touro da corrida. O júri foi constituído pelos cabos dos grupos actuantes.

Moura Caetano, Bastinhas e Romero numa ode à alegria na corrida de touros em Azambuja

O curro de touros da ganadaria Lampreia saiu com apresentação, para a praça em questão, mas com comportamento dissemelhante e aquém do que seria esperado.

A praça registou uma belíssima lotação, sobrando poucos bilhetes por vender.

Nas cortesias, foi guardado um minuto de silêncio em memória de João Miguel Perdigão.

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