Segunda-feira, Junho 14, 2021

Não atirem pó para os olhos, que aqui há ART’e

Não atirem pó para os olhos, que aqui há ART’e

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Não atirem pó para os olhos, que aqui há ART’e, a crónica do concurso de ganadarias, ontem realizado em Salvaterra de Magos, por Francisco Potier Dias.

Decorreu o já tradicional concurso de ganadarias na monumental de Salvaterra, denotando desta feita, demasiado pó na arena, mas justificado pela empresa devido a trabalhos na arena, perceptível!

Compunham o cartel António Ribeiro Telles, Ana Baptista e Francisco Palha, conjuntamente com os grupos de forcados de Santarém e Coruche, os últimos celebram esta temporada 50 anos de actividade.

A rematar o cartel, um concurso de ganadaria bem rematado, com toiros Fernandes Castro, Murteira Grave, Veiga Teixeira, Canas Vigouroux, Vinhas e António Silva.

Pecando por já vir na terceira corrida em três dias, não há como não destacar desde já o veterano António Ribeiro Telles. Se já em Vila Franca de Xira tinha estado inspirado, a sua segunda lide em Salvaterra, foi qualquer coisa digna de um predestinado.

Dada já a breve nota, cumpre aferir que no seu primeiro toiro, um Fernandes Castro disponível e bem rematado, andou bem, a saber entender-se com o toiro e desenhar uma lide de bom toureio e classe.

Mas tocando na lide da tarde, a segunda de António Ribeiro Telles, diante de um bonito Canas Vigouroux com transmissão e mobilidade, andou o mestre como se tivesse 19 anos, mas com a experiência de quem já não escolhe toiros e ainda assim é a Figura Maior. Uma lide de livro, desde a porta gaiola até ao sorriso na cara do mestre, enfim… foi de encher o peito a qualquer amante do toureio clássico.

Quanto as atuações da rapaziada das ramagens, nas lides de António Telles, a abrir praça no setor das ramagens o forcado Francisco Graciosa pelos amadores de Santarém, que soube falar com o toiro e entender-lhe a investida, conseguindo uma reunião vistosa, fechando depois bem o grupo consumando a pega do Fernandes Castro à primeira.

Pelo grupo de Coruche, a pegar o quarto toiro de corrida o forcado Tiago Gonçalves, esteve bem de fronte ao toiro, tranquilo a mandar e a respeitar os tempos como manda a escola Coruchense, na reunião faltou recuar uns passitos, mas, nada grave que o forcado teve ganas para dar e vender e aguentou os 3 derrotes duros, deste Canas Vigouroux e ao primeiro intento consumou a pega mais vistosa da tarde.

Quanto a Ana Baptista, confesso que admiro bastante a resiliência, genuinidade e amor à festa de Ana.

E foram essas 3 palavras que definiram a sua passagem por Salvaterra, a cavaleira esteve na sua primeira lide, diante do Veiga Teixeira, mais discreta, procurando não cometer erros e acima de tudo desenhar uma lide regular e sem broncas.

Já no seu segundo, entrou em praça a genuinidade e o amor que a Cavaleira tem ao que faz, e diga-se, deixou isso em praça, com arte, temple, respeito pelo toiro e pelo público. Lide de muito boa nota perante o toiro Vinhas, bom ver tourear assim em feminino e em especial a Ana!!!

Para medir forças com os toureados pela cavaleira, em praça primeiro Miguel Raposo, veterano dos amadores de Coruche frente ao veiga Teixeira.

Quanto ao comportamento do Miguel de fronte ao toiro, pouco há a dizer, é um forcado experiente, com calo, teve bem nos diversos momentos da pega e após reunião, mesmo que o grupo não entrasse, e o toiro até fugiu do grupo deixando o forcado brilhar, o Miguel não saía da cara de tal forma se “alapou”, fez parecer fácil consumando numa bonita primeira tentativa.

Já para o segundo de Ana Batista, o Vinhas, em praça o forcado Salvador Ribeiro de Almeida, dos amadores de Santarém. De frente ao toiro, o forcado a não complicar e a entender-se bem com o toiro e a saber dar-lhe a pega necessária, consumando sem dificuldades à primeira tentativa.

Falando agora de Francisco Palha, teve uma tarde de emoção, mas, nem sempre com discernimento.

De frente ao primeiro da sua ordem, um Murteira Grave, teve dificuldades o toureiro em entender-se com o toiro e acabou por tornar complicada a missão de levar por diante este Murteira Grave. Ainda assim, andou com ganas e verdade, acabando por consentir um ou outro toque nas montadas em terrenos de compromisso, mas, só as leva quem arrisca, mérito por isso.

Já por diante do toiro António Silva, um toiro sem maldade e a permitir, vimos o Margaça que levanta as praças! Começando desde logo com uma sorte gaiola das suas, cheia de verdade e querer, desenhando depois uma lide certinha e com ferros como mandam os livros, brindando o público com reuniões ajustadas e templadas.

Para pegar os dois da sorte de Francisco Palha, em praça os forcados António Taurino que sacou ao Murteira Grave a pega que ninguém lhe esperava. É um forcado experiente, com ganas e técnica Q.B, esteve bem e deu ao toiro o que ele precisava consumando à primeira tentativa.

Para fechar praça, novamente os amadores de Coruche , para a cara do último da noite o forcado António Tomás (Faísca). De frente ao toiro esteve à imagem dos seus companheiros de grupo e também de Santarém, competente, tecnicamente perfeito, sem dar hipóteses, neste que foi a pega em que os amadores de Coruche vacilaram nas ajudas. Mas nada grave, o forcado da cara a aguentar bem e a não deixar cair nódoa na atuação limpa que levavam, consumando à primeira tentativa.

Deixar apenas umas notas, desde logo para uma excelente entrada de bilheteira, tendo casa esgotada a monumental de Salvaterra.

Depois, e porque enquanto Coruchense não posso deixar se referir, ficou a faltar uma atenção, brinde, quanto quisessem, quer da empresa, quer de qualquer um dos artistas, aos 50 anos do Grupo Forcados Amadores de Coruche, que nesta corrida iniciaram a sua temporada de comemoração, mas é o que é.

Por fim, dar nota que os troféus foram entregues da seguinte forma: Bravura- Veiga Teixeira; Apresentação -Canas Vigouroux, prémios contestados pelo público.

Foi um fim de semana de toiros, bravos, bravitos e mansos, mas que deu para desfrutar.

Texto: Francisco Potier Dias
Fotografias: Catarina Pedro

Francisco Potier Dias
Jurista. Aficionado. Coruchense.

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