Nazaré: Moura Jr. e Bastinhas destacaram-se em noite entretida entre o aplauso e o assobio

Nazaré: Moura Jr. e Bastinhas destacaram-se em noite entretida entre o aplauso e o assobio, este sábado, 6 de Agosto.

Nazaré: Moura Jr. e Bastinhas destacaram-se em noite entretida entre o aplauso e o assobio

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

A Praça de Touros do Sítio da Nazaré recebeu, este sábado, a segunda corrida da sua temporada Tauromáquica deste ano.

Frente a touros da ganadaria de Passanha, actuaram João Moura Jr., Marcos Bastinhas, Luís Rouxinol Jr. e os Forcados amadores de Montemor e Vila Franca de Xira.

A primeira actuação da noite esteve a cargo de João Moura Jr. Uma actuação com ritmo e em que o cavaleiro começou a apostar forte desde cedo. Recebeu o touro, dobrando-se em curto espaço de terreno, cravando de seguida dois ferros compridos.
A atravessar um momento de grande dimensão enquanto toureiro, Moura Jr. esteve muito lidador, levando o touro para os terrenos que mais lhe convinham, soube preparar bem as sortes e rematá-las ainda melhor. Nem sempre com a reunião a correr bem, destaca-se o excelente terceiro ferro curto e o palmito com que encerrou a função. O touro da ganadaria Passanha não criou complicações de maior, denotando apresentação, mas pouca transmissão e falta de força.

José Maria Cortes, pelos Amadores de Montemor, concretizou ao primeiro intento. Emotiva pega em que o forcado da cara aguentou várias ‘mangadas’ do touro, numa investida brusca, até o grupo fechar com eficácia.

Marcos Bastinhas foi receber o seu oponente à porta dos curros e com ele dobrou-se em curto e criando logo alvoroço nas bancadas. Após a série de compridos, destacou-se nos dois primeiros ferros curtos, bem desenhados e com forte batida ao píton contrário e cravando em “su sítio”. O terceiro curto resultou numa reunião traseira, rapidamente recompondo-se e colocando um par de bandarilhas pelo corredor. Os remates das sortes, com piruetas ajustadas na cara do touro, chegaram com força ao público. Touro com pouca força, mas com qualidade de lide.

Rafael Plácido, pelos Amadores de Vila Franca de Xira, concretizou a pega ao primeiro intento, numa boa execução e com o grupo a reagir de forma rápida e eficaz.

Luís Rouxinol Jr. enfrentou o touro com mais transmissão e exigente até este momento da corrida. O cavaleiro começou mal, com um comprido cravado em sítio traseiro e descaído, melhorando no segundo. Na ferragem curta, voltou a começar mal, falhando o momento da cravagem, nunca recuperando totalmente. Deverá ter em atenção o momento das reuniões, de forma a não prejudicar a preparação e remate das sortes em que esteve bem. Actuação muito aquém do que pode e já conseguiu fazer.

Francisco Borges, dos Amadores de Montemor, concretizou a pega ao segundo intento, parecendo ter saído fora da cara do touro, o que gerou alguns assobios no público. Nada que retire mérito à forma estóica como aguentou a investida do oponente. Francisco Borges é um forcado de créditos firmados, que neste sábado celebrou o seu 30º aniversário, conforme anunciado no sistema sonoro da praça.

Moura Jr. desenhou uma lide em crescente qualidade, frente ao segundo oponente do seu lote, quarto touro da corrida. Mais uma vez, em plano muito lidador, desta vez frente a um touro com pouca força, que o obrigou a lidar sempre muito em cima. O terceiro ferro curto é de escândalo, tal a qualidade de execução do mesmo. Fechou a actuação com duas Mourinas, a primeira pecando na reunião, retificando na segunda e saindo com o público completamente entregue a um toureiro que em 2022 está num nível que se torna um regalo para os aficionados. Não cedeu ao pedido do público para mais um ferro, numa atitude correta.

Pedro Silva, pelos Amadores de Vila Franca, concretizou a pega ao primeiro intento, numa excelente tentativa. No seguimento da pega, houve um forcado a sair lesionado.

O quinto touro da corrida saiu com ‘muita pata’ e permitiu emoção no início da lide. Um percalço, o cavalo escorregou, criou algum alvoroço, mas sem consequências de maior. Dois ferros compridos bem cravados, antecederam a série de curtos. Aqui, o touro veio a menos, a medir e a apenas arrancar quando sentia poder fazer mal ao cavaleiro, complicando o momento da reunião, mas com o cavaleiro a estar por cima. Pouco franco na investida, sem transmissão, o touro não facilitou a função ao ginete, que resolveu a função e terminou com o público entregue ao cravar um ferro de palmo em sorte de violino e um outro com a preparação da sorte em redondo, rematando ambos com o cavalo em levada.

Vasco Carolino, pelos Amadores de Montemor, concretizou a pega ao primeiro intento. O touro no momento da reunião desviou a rota e o grupo esteve muito rápido e eficaz a reagir.

Lide má de Rouxinol Jr. a encerrar a corrida. Há noites em que pouco ou nada sai bem. Rouxinol Jr. já por várias vezes demonstrou a sua qualidade e o seu valor é conhecido. Porém, nesta noite as coisas correram muito aquém daquilo que certamente desejaria. Nesta segunda lide, mal no momento das cravagens, com ar de desânimo com o decorrer da actuação e sem conseguir dar a volta ao seu oponente. Um touro fraco, com investida pouco franca e que pareceu desde início limitado.

Após uma primeira tentativa não concretizada, pelo grupo de Vila Franca, o touro caiu na arena e demorou uma eternidade a levantar-se. Quando o fez, demonstrou a sua incapacidade física, enquanto o público assobiava. Por o touro se ter imobilizado, não foi pegado pelo grupo de Vila Franca.

Uma má forma de terminar uma corrida que até então tinha tido um ritmo bastante apreciável e com alguns momentos de qualidade.

Corrida dirigida por Ana Pimenta, assessorada por Jorge Moreira da Silva.

A Praça de Touros da Nazaré registou, tal como tinha acontecido na primeira corrida, uma boa moldura humana que preencheu a quase totalidade da praça, com 3/4 muito fortes. O público nesta localidade é festivo e quer acima de tudo divertir-se, não se dedicando tanto a apreciar a parte técnica.

Ainda assim, é suficientemente exigente para assobiar o que entende ser mau, como esta noite aconteceu algumas vezes.

O curro da ganadaria Passanha saiu equilibrado em termos de peso, distinto ao nível do comportamento e maioritariamente com pouca força. Porém, excepto o 6º que se mostrou inferiorizado e o 5º que tinha alguma maldade, os restantes não apresentaram complicações de maior. Diogo Passanha, o ganadeiro, deu volta à arena, após a lide do 3º touro.

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