Sexta-feira, Setembro 17, 2021

Nazaré: Triunfos de Miguel Moura e Amadores de Coimbra

Nazaré: Triunfos de Miguel Moura e Amadores de Coimbra

Nazaré: Triunfos de Miguel Moura e Amadores de Coimbra, na abertura de temporada tauromáquica na localidade piscatória.

A Praça de Touros da Nazaré recebeu, este sábado, a primeira corrida da sua temporada.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

Frente a um curro de touros da ganadaria Ascensão Vaz, actuaram João Ribeiro Telles, Andrés Romero, Miguel Moura, Real Grupo de Moura, Aposento da Chamusca e Amadores de Coimbra. Disputou-se o prémio para a melhor pega.

O curro de touros da ganadaria Ascensão Vaz saiu bem apresentado, alguns sobrados de quilos, diferentes de capa e comportamento, destacando-se pela negativa o 1º, 2º e 4º, sendo o 3º, 5º e 6º com maior mobilidades e mais qualidades de lide.

No que às lides diz respeito, foi Miguel Moura quem melhor esteve, deixando excelente ambiente na Nazaré, com duas actuações muito positivas, com maior destaque a segunda.

O primeiro touro saído à arena estava rematado de carnes, em termos de comportamento facilmente mostrou querença em tábuas e foi necessário muito labor do cavaleiro, e muita intervenção dos bandarilheiros. Posteriormente, ficou-se pelos médios e com arreões de mansidão. João Ribeiro Telles teve uma lide de pouco brilho. No primeiro curto levou forte toque na montada, depois foi obrigado e ser cuidadoso com as distâncias e a lide acabou por ser apenas esforçada, por falta de matéria prima. Um palmito de boa nota, após uma primeira passagem em falso, fechou a actuação.

Cláudio Pereira, pelo Real Grupo de Moura, concretizou a pega ao segundo intento, com uma execução muito aplaudida.

O segundo touro teve um comportamento muito no seguimento do primeiro, mas com um pouco mais de mobilidade. Andrés Romero acabou por levar forte toque na montada e ter uma actuação algo irregular. Reuniões pouco cingidas, uma ou outra passagem em falso, mas destacando-se por não virar a cara à luta e sem problemas em cravar dois ferros a sesgo, tal a querença do touro em tábuas.

Francisco Amaro, pelo Aposento da Chamusca, concretizou ao quarto intento, com o grupo a carregar bem, depois de três tentativas sem êxito.

Miguel Moura acordou o público da Nazaré, com uma lide muito ligada com o seu oponente, chegando bem ao público. O segundo ferro comprido foi exemplarmente cravado ao estribo, cumprindo as regras de bem tourear. Na cravagem curta, nem sempre as sortes surtiram cingidas, mas Moura esteve muito bem na brega, nunca desligando-se do seu oponente e destacam-se dois curtos de boa nota e o palmito com que encerrou a lide. Boa actuação de Miguel Moura.

Pedro Silva, cabo dos Amadores de Coimbra, pegou ao primeiro intento, com uma boa execução e o grupo a reagir rápido e bem.

João Ribeiro Telles enfrentou um touro perdido de manso. Ao primeiro ferro comprido, nem sequer reagiu. No segundo, o cavaleiro teve de porfiar muito para o conseguir cravar. O primeiro ferro curto, dento do que era possível fazer, foi de boa nota. Depois, assistimos a um cavaleiro que de tudo fez para conseguir levar a água a bom porto. A rés apenas investia no capote. Telles sacou o Histórico, cavalo da sua quadra, mas o melhor que conseguiu foi cravar um curto em sorte de violino. Noite sem hipóteses de triunfo para Telles.

Gonçalo, pelo Real Grupo de Moura, concretizou a pega ao terceiro intento, numa noite pouca feliz do grupo.

Andrés Romero teve por diante um touro colaborante e com condições de lide. O rejoneador voltou a conquistar o público nazareno, com a sua quadra de cavalos que lhe permite um sem número de momentos que agradam a quem está na bancada, desde piruetas na cara do touro, até ao cavalo em levada, andando na vertical. Em termos de lide, pouco para contar, com a cravagem da ordem a ser cravada, com alguma dela em sortes pouco ou nada cingidas. Muito pouco em termos de toureio, tendo em compensação deixado o público eufórico com as habilidades da sua quadra de cavalos.

João Saraiva, pelo Aposento da Chamusca, concretizou ao primeiro intento. Bem a citar, a mandar e a fechar-se na cara do touro, até este ser “abraçado” pelo grupo.

Miguel Moura voltou a estar muito bem na sua segunda actuação. Recebeu o touro com uma sorte gaiola muito bem conseguida. O segundo comprido resultou bem e foi bem rematado. Nos curtos armou o taco, com uma extraordinária brega, a duas pistas, bom desenho das sortes, terrenos muito bem escolhidos e a rematar bem todas as cravagens. As reuniões nem sempre foram ortodoxas, mas sem que isso lhe retire o indiscutível triunfo desta noite, com 2 curtos de muito boa nota. Um touro sobrado de carnes e com mobilidade, não colocando dificuldades de maior ao cavaleiro alentejano.

Pedro Casalta, pelos Amadores de Coimbra, concretizou a pega ao primeiro intento, numa excelente execução.

O prémio em disputa para a melhor pega foi atribuído a Pedro Casalta, dos Amadores de Coimbra.

Corrida dirigida por Ana Pimenta, que esteve francamente mal no exercício da sua função. As duas lides de João Ribeiro Telles não foram merecedoras de música. Contudo, a delegada técnica tauromáquica, achou que sim. Mas na primeira actuação de Romero, também concedeu música cedo demais. Uma noite pouco conseguida e acima de tudo muito incoerente. Autorizou também voltas (actualmente, baseiam-se em agradecimentos no centro da arena) sem rigor, se analisarmos as actuações.

A Praça de Touros da Nazaré registou uma boa moldura humana, sem contudo esgotar a lotação permitida.

Nazaré: Triunfos de Miguel Moura e Amadores de Coimbra é o resumo de uma noite de festa, afición e com as gentes desta localidade a viverem intensamente (como é apanágio) uma das tradições mais identitárias nacionais.

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