Nuno Lanhoso: “Diria que o menos é mais e que as coisas mais simples são, muitas vezes, as mais bonitas”

Nuno Lanhoso: “Diria que o menos é mais e que as coisas mais simples são, muitas vezes, as mais bonitas”, disse em entrevista ao Infocul.pt.

Nuno Lanhoso: "Diria que o menos é mais e que as coisas mais simples são, muitas vezes, as mais bonitas"

Nuno Lanhoso apresentou recentemente o seu primeiro disco, intitulado “Mitos e Nicolaus”, no qual se destaca o tema “Acordem-me quando for para cantar”, que conta com a participação de Pedro Abrunhosa.

Nuno Lanhoso, homem do norte e de rara sensibilidade na escrita de canções para a sua idade, apresenta aquele que é um dos discos mais surpreendentes (e extraordinários) deste ano.

Médico de formação, apaixonado pelo piano e pela guitarra, Nuno Lanhoso percebeu aos 30 anos que a sua vocação principal era a música. Descobriu o fascínio pela escrita de canções num piano velho em casa de suas avós e transcreve para as suas composições a beleza que vê na poesia e simplicidade do quotidiano.

O músico concedeu uma entrevista ao Infocul.pt, em que aborda não apenas este disco, mas na qual se dá também a conhecer a nível pessoal.

Nuno, sobre este primeiro disco, qual a principal mensagem que pretende passar?

O disco surgiu de uma maneira tao orgânica que não nasceu com o intuito de passar nenhum tipo de mensagem. Limitei-me a escrever ou a desabafar sobre o meu quotidiano, mais ou menos fantasiado. Se tivesse que escolher uma mensagem, diria que o menos é mais e que as coisas mais simples são, muitas vezes, as mais bonitas.

‘Mitos e Nicolaus’ tem algum significado, enquanto título do disco?

Sim, tem significado. Tanto literal como metafórico. Mas prefiro não explorar o tema.

O Nuno neste disco demonstra uma extraordinária sensibilidade. Fora da música é igualmente sensível ou é mais fácil demonstrar esse lado através da música?

Acho que sim! Não sou tão expansivo, talvez. Prefiro não mostrar. Música e cinema tocam-me especialmente. Gosto de estar no meu canto, considero-me algo reservado, mas a sensibilidade está la atrás escondida.

Como é que um médico de formação se apaixonou pela música, pese embora o seu gosto pelo piano e guitarra?

Sempre gostei de cantar (sozinho no quarto) e comecei a tocar no piano dos meus avós. Mais tarde virei as atenções para a guitarra, aos 14 anos. Vi um amigo meu numa festa a tocar (e a miúda que eu gostava estava caidinha por ele) e pedi-lhe para me ensinar. Desde ai que foi um vício. Comprei um caderno com os acordes e aprendi à minha maneira. Ainda hoje tenho esse caderno.

Ambas as profissões ajudam as pessoas, médico e músico. Sente que de alguma forma acaba por mudar a vida das pessoas que o ouvem?

Não tenho essa perceção, sinceramente. Recebi algumas mensagens especiais, de pessoas que não conhecia a dizer que adoraram a música A, B ou C. Fico muito contente por fazer parte dos gostos musicais de pessoas que não conheço (das que conheço também, claro). E foi uma sensação incrível a primeira vez que vi alguém fazer um cover de uma música minha, que era o que eu fazia com os artistas que admirava. Mas daí a mudar a vida, ainda vai um salto grande. Quero é que sintam a música, a letra e que sejam felizes.

Neste disco e até pelo mediatismo do convidado, destaca-se o dueto com Pedro Abrunhosa. Como surgiu esta possibilidade?

O Pedro Abrunhosa é um dos meus heróis musicais de infância. Tinha feito uma música inspirada no seu universo (acontece-me bastante quando componho ao piano, é uma forte influência). Quando acabei a canção, mostrei ao meu manager e disseera lindo o Abrunhosa cantar isto comigo”. Ao que ele me respondeuqueres que lhe mostre?

Eu parecia um miúdo histérico, mas guardei todos os foguetes para depois do dueto estar gravado. Ter um dueto com um dos meus ídolos e um dos mestres da música portuguesa é algo que me deixa muito orgulhoso.

Intérprete, compositor e letrista. Alguma destas áreas o desafia mais, em termos de execução?

Gosto muito de escrever, mas não me sento para o fazer. É muito raro. Vou apontando frases, ideias ou conceitos em cadernos ou no telefone, e há dias em que sinto que a inspiração está lá. Se não estiver, não forço. Ter um orgasmo criativo é das melhores coisas do mundo. Ouvir uma música feita por nós que há umas horas atrás não existia é magico.

Ser intérprete e estar num palco, é uma adrenalina totalmente diferente (que adoro). Estar em palco conectado com o público é uma sensação única. Entre as duas não consigo escolher qual é a mais desafiante.

Todos os temas deste disco contam com música e letra sua. É um disco biográfico ou há histórias inspiradas noutras pessoas?

Sim é autobiográfico, mais ou menos fantasiado, mas sim. Quase um diário cantado, com coisas reais e coisas que gostaria que fossem reais.

Nenhuma história é inspirada noutras pessoas. Admiro esse tipo de escrita, mas (ainda) não me sai naturalmente.

Como é o seu processo criativo, primeiro a letra ou a melodia? Ou acaba por não existir uma regra?

Anárquico. Não tenho regra nenhuma. Posso ter trechos de letra que adapto para músicas. Pode a própria melodia sugerir-me uma letra que eu nem estava à espera. Pode surgir tudo ao mesmo tempo quando estou a brincar com a guitarra ou piano. Quanto menos regra tiver, quanto menos método houver, melhor. É mais divertido, mais inesperado.

Para quem não o conhece, como se descreve enquanto homem e músico e quais as suas inspirações?

Sou uma pessoa bastante reservada. Gosto genuinamente de estar no meu canto. Tenho fases mais ou menos boémias, depende. Não sei do quê, mas depende. Mas considero-me uma pessoa simples, íntegra e determinada.

Quanto a inspirações, os Ujos [Miguel Araújo e António Zambujo], Pedro Abrunhosa, Tiago Bettencourt, Rui Veloso. Gosto do B Fachada também, tem uma escrita incrível. E ultimamente tenho andado a ouvir Samuel Úria.

Em termos de espectáculos, o que pode já revelar?

Hoje, no Palácio de Cristal. 2023 vai trazer surpresas.

Quais os músicos que o acompanharam no disco e quais os que o acompanharão em palco?

Tive o privilégio de gravar o disco com a melhor banda do país. Bruno Macedo, Eurico Amorim, Mário Costa, e o produtor João Bessa. Profissionalismo, simpatia, humildade.

Em palco tenho a sorte de ter conhecido o Guilherme Minneman, o João Gusmão, o Diogo Caldas e o Rato.

Como gere as suas redes sociais e como tem sido a interação com as pessoas que mostram interesse no seu trabalho?

Sempre foram o meu calcanhar de Aquiles. Não gosto de redes sociais, mas reconheço-lhes a importância que têm na divulgação do trabalho artístico, e não só.

Tento gerir o melhor que sei, tentando evoluir aos poucos e dedicar cada vez mais atenção sem ficar “colado ao telefone” – não faz parte da minha personalidade, nem quero que faça. Mas vou fazendo coisas, uns vídeos aqui e ali. Sigam @nunolanhoso e vejam! 

Quanto às pessoas que mostram interesse no meu trabalho, estimo-as humildemente o melhor que posso. Tento responder a toda a gente e fico genuinamente contente por ver que gostam do meu trabalho e que se dão ao trabalho de me escrever. Até porque sem público, não há artista.

Alinhamento do disco:

Saudades
Espero que cases com um tótó
Caso apareças por aqui
Jogo de cartas
Nem Desgosto do Amor
Fogo e Gasolina
Sorte dança só para mim
Não bate coração
Romeu de andar por casa
Acordem-me quando for para cantar
A toca
Até Lisboa

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