O regresso de quem nunca parte, houve ART’e em Santarém, numa tarde em que Fernandes e Moura também bordaram o toureio

O regresso de quem nunca parte, houve ART’e em Santarém, numa tarde em que Fernandes e Moura também bordaram o toureio, este domingo.

O regresso de quem nunca parte, houve ART’e em Santarém, numa tarde em que Fernandes e Moura também bordaram o toureio

Num solarengo domingo, a Praça de Touros Celestino Graça recebeu a segunda corrida da sua temporada.

Um cartel apelativo, consensual e com grande e especial destaque ao regresso do Mestre António Ribeiro Telles, figura ímpar do toureio a cavalo em Portugal, sendo o senhor do toureio clássico. A seu lado, duas figuras do panorama tauromáquico português e com provas dadas por terras espanholas, os cavaleiros Rui Fernandes e Joao Moura Jr.

Os três ginetes dividiram cartel com o Grupo de Forcados Amadores de Santarém que pegou em solitário um curro de Murteira Grave.

A este início de temporada, o público respondeu de forma regular  formando uma bonita moldura humana na monumental de Santarém, deixando nítido a força e vitalidade da Festa Brava.

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Foi então momento de soar a “Maria da Fonte” e dar-se início ao espectáculo. A CAP nesta que é a sua Corrida, homenageou os intervenientes da corrida antes do seu início.

Para abrir praça, António Ribeiro Telles, trajando de verde escuro e oiro, brindou a sua lide ao público presente. Em sorte teve o toiro nº43, de nome e 525KG, toiro negro gravito, rematadíssimo, tendo-se ligado ao toureio logo desde o início da lide e assim permanecido toda a lide, com arrancadas francas e a deixar emoção nas reuniões.

Quanto à lide propriamente dita, em compridos cumpriu a papeleta da praxe, sem grandes exuberâncias. Já em curtos, António Telles andou bem com o toiro, soube entendê-lo e retirar o que havia de melhor, desenhando uma lide simplista, mas repleta de correção e bem tourear, destaque para os últimos dois curtos, à antiga!

Havia no público uma nítida “sede” de António Ribeiro Telles, facto que, levou a praça a estar com o mestre do início ao fim da sua lide. Uma bonita reposta dos aficionados à resiliência do toureiro.

Em praça os Amadores de Santarém, para a cara do toiro o Forcado Joao Grave, cabo da formação, que brindou a sua pega a António Ribeiro Telles. Na pega deste toiro, o forcado brindou a praça com um cite digno de livro, a mandar, templar, falar com o toiro, sendo vaidoso e gingão, colocando em sentido a monumental de Santarém, na reunião soube sacar-se ao toiro, reunindo com galhardia, fechando-se e aguentado uma viagem atribulada com o toiro a fugir ao grupo, fazendo brilhar o forcado, mas conseguindo o grupo fechar e consumar à primeira tentativa com muito mérito do forcado da Cara e do primeiro ajuda.

A tarde solarenga, mas ventosa, como é apanágio de Santarém, prosseguiu com a lide do cavaleiro Rui Fernandes, trajando de verde e oiro, que brindou a sua lide a António Ribeiro Telles.

Rui Fernandes veio a Santarém “dizer presente” e não foi de meias medidas, começando a sua lide com uma sorte gaiola ao seu primeiro da ordem, um Murteira Grave, com o nº64 e 580Kg, toiro rematadíssimo, imponente, dos tais que enche a praça, categoria de apresentação, ainda que, de comportamento tenha sido mais parado que o anterior, ainda assim, a sair de todo o lado, ainda que solto e sem uma investida digna de um bravo, porém, permitindo reuniões ajustadas e com forte emoção para o público.

Após a exuberância e magnitude da porta gaiola, a restante atuação de Rui Fernandes veio sempre em tom positivo, sabendo ler o toiro, percebendo os terrenos deste exemplar de Murteira Grave, que arrancando-se de todo o lado, permitiu um toureio dando a iniciativa ao toiro e aguentando as reuniões, cravando depois com batida ao píton contrario, mas com correção.

Depois das lides de boa nota no passado sábado em Coruche, veio a Santarém novamente a dar cartas, o cavaleiro Rui Fernandes.

Para a pega do segundo da tarde, saltaram a praça os amadores de Santarém, pelo forcado Francisco Graciosa, que brindou a sua  pega a Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP.

De frente ao toiro, andou bem o Forcado, citando antes dos médios, com o toiro a arrancar-se de largo, mal sentiu o forcado, obrigando a uma reunião já perto do grupo, ainda assim, o toiro colocou a cara no chão, mas o experiente forcado, aguentou-se e conseguiu consumar à primeira tentativa, com o grupo a fechar de forma eficaz.

Prosseguiu o festejo e em praça o cavaleiro Joao Moura Jr, trajando de vermelho e oiro, como é normalmente seu apanágio, tendo por diante um Murteira Grave com nº23 e 570Kg, mais um exemplar de digníssima apresentação, ainda que com uma cara menos franca que os anteriores e com nítidos problemas de visão.

O cavaleiro de Monforte, em compridos, cumpriu o que mandam os livros. Já em curtos, bordou o toureio logo desde o seu primeiro curto, dos de livro, sendo-lhe concedida música logo após o primeiro curto… Seguiu lide fora a desfrutar e a fazer desfrutar, brindando a monumental Celestino Graça com toureio apelativo, com sortes de poder a poder, reunindo com emoção e retidão, cravando de alto a baixo, rematando com as bregas possíveis, num toiro mais parado e distraído, mas que ainda assim, perante as ganas do toureiro de Monforte, não havia como não triunfar, lide de muito boa nota.

Novamente em praça os amadores de Santarém, para a cara do toiro o forcado Francisco Paulos, que brindou a sua pega ao público da Monumental de Santarém.

De fronte ao toiro, andou bem o Forcado, com um toiro que veio em busca do forcado quase até à reunião, tendo o forcado reunido com galhardia e conseguido fechar-se bem com o toiro, aguentado umas mangadas violentas do toiro, mas não conseguindo consumar por ineficácia de ajudas do grupo. Na segunda tentativa, já com o toiro ligeiramente noutros terrenos, bem novamente o forcado a reunir e a aguentar as primeiras mangadas do toiro, mas a não conseguir suportar a viagem dura que este terceiro da tarde impôs. Na terceira, quarta e quinta tentativas, já em terrenos diferentes, o forcado esteve novamente bem, ainda assim, a investida violenta deste toiro, não permitiu ao forcado e ao grupo consumar a pega. Consumou à sexta tentativa com o grupo a carregar e ainda assim o toiro a pedir contas com violência. Honra ao forcado.

Para o quarto da tarde, um Murteira Grave de nº38 e 545Kg, toiro negro gravito, bem rematado e de comportamento emblemático.

Na sua segunda e última lide da tarde, o mestre António Telles desenhou uma lide cheia de classicismo e bem tourear. Brindando o público de compridos aos curtos com arte e saber, mostrando que regressa tal qual se ausentou, a dar cartas e a ser a referência maior do toureio a cavalo.

Novamente em praça os amadores de Santarém, para a pega deste toiro o forcado José Fialho.

De frente ao toiro, andou bem o forcado, citando de praça a praça, com o grupo a dar distâncias, com temple, a mandar no toiro, reunindo já em terrenos de compromisso, com o toiro ainda a fugir ao grupo, mas bem o primeiro ajuda e o grupo a compensar e a permitir consumar à primeira tentativa.

Para lidar o quinto toiro da tarde com o nº35,e 525kg, novamente na arena da monumental de Santarém o cavaleiro Rui Fernandes, que brindou a sua lide à associação setor 9 que gere a monumental Celestino Graça.

Novamente, mostrando ganas e valentia recebeu este seu último à porta gaiola, cravando de alto a baixo.

Na sua restante lide, cumpriu a função, sem no entanto, “romper” ficando esta sua segunda lide aquém da primeira, ainda assim, a deixar na retina, os compridos, com um belo cavalo de saída e dois curtos de muito boa nota, perante um Murteira Grave que se entregou, apesar de claros traços de mansidão, e permitiu uma lide com sortes bem desenhadas e rematadas com bregas ajustadas e que chegaram ao público presente na monumental de Santarém, consentindo ainda assim, um toque na montada numa das reuniões e dois últimos curtos já a mais e sem toiro, resultando apenas o segundo, ja sob assobios.

Para quinta pega da tarde em praça os amadores de Santarém, para a cara deste toiro o forcado Salvador Ribeiro de Almeida

Perante o toiro, esteve bem o forcado a mandar no toiro e a reunir com retidão e galhardia, conseguindo consumar à primeira tentativa. Volta apenas para o forcado.

Para fechar o espectáculo na monumental Celestino Graça, em praça esteve o cavaleiro João Moura Jr, perante o último Murteira Grave da tarde, com o Nº 42 e 555KG, colaborante que andou com o cavalo e permitiu que o cavaleiro desenhasse sortes de praça a praça com reuniões ajustadas, dando a primazia à investida do toiro.

Desenhou uma lide equilibrada neste seu último da tarde, entendendo a investida do toiro e retirando o melhor que este tinha para lhe dar, destacando o primeiro curto de muito boa nota e para a extraordinária Mourina que resultou num ferro emotivo e que entusiasmou a monumental Celestino Graça .

Para encerrar a tarde, novamente os amadores de Santarém, procurando rematar a tarde pelo forcado Francisco Cabaço

Esteve bem o Forcado, a citar com temple, toureria e a mandar no toiro, este arrancou-se com tudo, reunindo o forcado com galhardia, tendo uma louvável primeira ajuda.

Bem, o grupo de Santarém nesta que é a sua tarde.

Esta tarde foi o regresso de quem nunca parte, para sorte de todos os Aficionados, que bom foi ver o Mestre António, sendo também uma tarde de bom toureio de Rui Fernandes e Moura Jr.

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