Opinião: O partido que nunca toma o nosso partido

Opinião: O partido que nunca toma o nosso partido

Opinião: O partido que nunca toma o nosso partido, por João Conde.

Texto: João Conde.

O PCP tem-nos presenteado com extraordinárias análises e posições acerca do conflito Ucrânia-Rússia. 

Se para nós há um país invasor e um país invadido, para o PCP há um país provocador e um país provocado, que não teve alternativa senão passar a fronteira, destruir e matar. 

Acontece que a invasão bárbara da Rússia à Ucrânia, não é apenas uma demonstração arcaica de violência fútil sob o manto da ambição expansionista de um autocrata. É um ataque ao nosso modo de viver, um ataque à liberdade, um ataque a quem acredita na democracia. Tudo coisas que os nossos sempre tiveram muita dificuldade em conviver com. Eles resignam-se em coexistir com as mesmas, mas no fundo não as respeitam e não as querem. Assim, ainda que possa chocar alguns portugueses, a posição do PCP não tem nada de surpreendente. 

Entre um autocrata agressor e uma nação livre destruída, o partido liderado por Jerónimo de Sousa não tem dúvidas: estão plenamente disponíveis para que se compreendam as motivações do agressor, que na verdade até foi provocado. Ainda para mais quando o agressor é liderado por um saudosista da União Soviética. A Ucrânia estava mesmo a pedi-las com esta história de, imagine-se, decidir por si própria entrar na NATO. 

Votam  em  Portugal contra a presença do presidente da Ucrânia na Assembleia da República, votam  no Parlamento Europeu contra o embargo à Rússia, declaram que têm muitas dúvidas acerca do que se passou em Bucha acrescentando que estão 100% certos de que os Estados Unidos da América provocaram um golpe de Estado em 2014

O grande argumento é de que ouvir Zelenszky, sancionar a Rússia ou reconhecer crimes de guerra perpetrados pelo exército russo, não é útil para a prossecução da paz. Aliás, sobre este último alegam  ser necessário uma investigação efetuada por instituições independentes, presumo que do género das que reconhecem as maiorias absolutíssimas de Lukashenko na Bielorrússia. 

A bússola moral do PCP tem estado, “coincidentemente”, orientada com a de Moscovo, o que consequentemente colide com a da sociedade em que se inserem. Mais uma vez temos este partido a tomar um partido que não é de todo o do interesse de Portugal. 


Os dirigentes do PCP têm-se desdobrado na comunicação social a tentar explicar a sua posição, ora tentando vender-nos a narrativa de que a “desnazificação” que Putin anunciou até não é assim tão descabida, ora apontando, como já é clássico, as culpas aos Estados Unidos da América. 

Estas posições públicas do partido comunista, só surpreendem aqueles que têm estado desatentos. Não se poderia esperar humanismo ou sensatez de um partido cujo líder equaciona a hipótese de a Coreia do Norte ser democrática, ou cujos dirigentes, por exemplo, negam Holodomor ou dizem até desconhecer o eram os gulags. O PCP sempre branqueou os crimes das ditaduras totalitárias que se dizem comunistas, sempre idolatrou criminosos e vive parado no período de existência da União Soviética. Era impossível não sentirem um carinho especial pelo projeto de Putin. 

O empenho do PCP tem sido tanto que já disponibilizou uma secção do seu site, chamam-lhe “dossier”, com  toda a série de considerações e dados, escolhidos a dedo e sem  grande indicação de fontes claro, para tentarem vender uma Ucrânia criminosa e uma invasão, perdão, “operação militar” da Rússia como legítima.  

Ainda sobre o site, a semana passada, o ex-deputado António Filipe, que não tendo conseguido a eleição passou a assessor parlamentar, questionava no Twitter, se o ataque informático ao site do PCP também não devia ser considerado um ataque à democracia, comparando a situação ao ataque informático ao Expresso há uns meses. Deve-se ter precipitado, pois antes de partir para tais considerações, devia ter pedido uma investigação rigorosa a entidades independentes, tentar perceber o que levou os hackers a corromper o site e questionado Jerónimo de Sousa se já há fumo branco quanto à definição de “democracia”. Sem  estes passos, não é possível saber se houve um ataque e muito menos à democracia, correndo ainda o risco de estar a contribuir para uma escalada de hostilidade entre os hackers e o PCP. 

Presidente da Juventude Popular de Setúbal

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