Opinião: Paulo Caetano e a sua importância para o futuro da festa brava

Opinião: Paulo Caetano e a sua importância para o futuro da festa brava. Artigo de Rui Lavrador.

Paulo Caetano e a sua importância para o futuro da festa brava

Hoje, passam exctamente 15 dias do festival taurino realizado em Vila Franca de Xira, na Praça de Touros Palha Blanco.

Um festival comemorativo dos 90 anos do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca. Indiscutivelmente os 7 cavaleiros actuantes estiveram a grande nível, bem como os forcados. Mas, hoje, dedico algumas linhas ao regresso pontual de Paulo Caetano às arenas.

É fascinante, principalmente para o público mais novo, o impacto que o cavaleiro consegue criar, sempre que actua. 

E esse impacto advém de algumas características que escasseiam na maioria das corridas que aqui em Portugal se realizam. Classe, elegância, temple, conhecimento e uma aparente facilidade em tudo o que executa. Porém, essa facilidade advém de um conjunto de características que Paulo Caetano reúne em si e que são intemporais.

Além de todas as suas faculdades técnicas, Paulo Caetano distingue-se pela cultura geral (muito acima da média) e uma oratória de fino trato.

Se para os aficionados deve ser motivo de orgulho o facto de terem um cavaleiro como Paulo Caetano, para o cavaleiro convenhamos que se tivesse nascido em outro país com cultura tauromáquica, o reconhecimento seria muito maior.

Bem sei que já teve homenagens. Porém, e para a sua qualidade e impacto que cria sempre que actua, Paulo Caetano merece que lhe sejam feitas muito mais homenagens. Que sejam criados colóquios (com requinte e boa organização, ao invés de algo mais plebeu) em que o ginete possa partilhar o seu vasto conhecimento, quer em termos de toureio quer na vertente da equitação.

Paulo Caetano soube sempre os tempos certos. Dentro e fora da arena. Saiu quando estava numa forma soberba. Aparece pontualmente e continua em grande forma. É uma explosiva mescla entre elixir da eterna juventude e inesgotável arte.

Vivemos a vida de forma vertiginosa, pontualmente lá nos lembramos de algo ou alguém, mas esquecemos de prolongar essa memória no tempo. A tauromaquia não foge a essa questão, é algo que está enraizado na cultura contemporânea, esta forma de viver a correr.

Recordo que quando celebrou os 40 anos de alternativa, Paulo Caetano deu um recital de toureio em Monforte (outro cartel de muitos quilates). Agora voltou a fazê-lo numa praça que muito o acarinhou ao longo dos anos.

Estamos a falar de um espaço de 3 anos e a tauromaquia limitou-se a corridas e corridinhas, festivais e festivalecos em barda que cria tudo menos afición (algumas, poucas, excepções ao atrás referido). A quantidade nunca foi sinónimo de qualidade e continuamos com um problema crónico: a falta de conhecimento em muito público.

E desengana-se quem acha que o seu regresso pontual às arenas deve ser mencionado como um reviver de tempos de outrora. Há artistas, em diferentes áreas artísticas, que não podem ser datados. São de sempre, para sempre!

Como mera curiosidade, recordo que Paulo Caetano chegou a nome maior da tauromaquia numa era sem redes sociais. Já imaginámos o que ele atingiria se fosse na era actual?

Homenagear seriamente Paulo Caetano e aproveitar o seu conhecimento para os mais novos é parte essencial para o futuro da tauromaquia (quiçá, englobrando outros nomes nessa tarefa). Assim, os agentes o queiram. Uma palavra de Paulo Caetano valerá mais do que muitas lides de alguns artistas que por aí proliferam (sem qualquer crítica encapotada, somente a constatação do que poucos têm a coragem de escrever).

Que a palavra tenha o merecido valor e que Paulo Caetano tenha o reconhecimento que nunca será demais, num país pequeno perante um Artista Maior.

Que não tenhamos problemas de memória e que saibamos valorizar a história.

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